Vida e obra
| Ano | Acontecimento |
|---|---|
| 25 de dezembro de 1923 | Nasce em Avinhão como René Noël Théophile Girard, filho de Joseph Girard (1881–1962), arquivista-paleógrafo da École nationale des chartes, conservador do Musée Calvet de 1906 a 1949 e depois do Palais des Papes, e de Marie-Thérèse de Loye Fabre (1893–1967). A data de nascimento é um dos poucos pontos em que todas as fontes consultadas concordam: dão-na a Académie française, a Britannica, a IEP, o COV&R e a própria resolução memorial de Stanford.[5] [3] [4] [9] [11] |
| 1947–1953 | Forma-se na École nationale des chartes em 1947 como arquivista-paleógrafo, com uma tese sobre a vida privada em Avinhão na segunda metade do século XV; emigra para os Estados Unidos no mesmo ano e ensina na Universidade de Indiana em Bloomington até 1953, onde em 1950 obtém o doutorado em história com uma tese sobre a opinião americana a respeito da França, 1940–1943. O ano em que entrou na École des chartes não é dado por nenhuma fonte aqui consultada e fica sem afirmação em vez de ser adivinhado; as Positions des thèses de 1947 da escola o resolveriam.[11] [12] [3] |
| 1951 | Casa-se com Martha McCullough; nascem três filhos, Martin, Daniel e Mary. O ano é disputado e fica registrado em vez de resolvido: a Britannica dá 1951, e os 'sessenta e quatro anos de casamento' da Stanford Magazine, contados a partir de sua morte, concordam com essa data, ao passo que a Wikipédia dá 1952. Aqui usa-se 1951.[4] [12] [8] |
| 1953–1957 ≈ | Ensina na Universidade Duke e depois no Bryn Mawr College. As fontes não repartem a janela de modo coerente entre as duas, de modo que ela é dada como um único período aproximado e não dividida em duas nomeações datadas.[3] [11] |
| 1957–1968 | Primeiro período em Johns Hopkins, onde em 1961 torna-se professor titular. Teve duas bolsas Guggenheim: o COV&R e a Académie française descrevem-no como bolsista por duas vezes, mas nenhuma delas nomeia os anos. Os anos de 1959 e 1966 circulam a partir da Wikipédia e não são confirmados por nenhuma das duas, de modo que constam aqui como não verificados e não como afirmação.[13] [11] [9] [5] |
| outono de 1958 – Quaresma de 1959 ≈ | A conversão, narrada aqui como relato dele e não como cronologia estabelecida. Girard contou a entrevistadores que uma 'conversão intelectual' lhe veio no outono de 1958, enquanto escrevia o capítulo doze de seu primeiro livro, acompanhada de experiências quase místicas na ferrovia da Pensilvânia, e que depois reescreveu a conclusão do livro; uma conversão religiosa seguiu-se durante a Quaresma de 1959 e ficou selada quando um susto de melanoma foi descartado na Quarta-Feira Santa, que em 1959 caiu em 25 de março. As obras de referência recusam-se a datar qualquer disso: a Britannica e a IEP dizem apenas que ele se converteu lendo Dostoiévski, sem ano, e a Wikipédia oferece 'c. 1959–1961'. As datas aqui vêm de suas próprias entrevistas e da biografia de Cynthia Haven, que por sua vez se apoia no que ele contava.[19] [20] [18] [4] [3] |
| 1961 | Mensonge romantique et vérité romanesque (Grasset), o livro que introduziu o desejo mimético por meio de leituras de Cervantes, Stendhal, Flaubert, Proust e Dostoiévski. A tradução inglesa de Yvonne Freccero, Deceit, Desire, and the Novel, saiu pela Johns Hopkins Press em 1965 — a data do catálogo da própria editora e dos registros de biblioteca. A Stanford Magazine e a Wikipédia dão 1966; aqui usa-se 1965.[16] [3] [12] |
| 18–21 de outubro de 1966 | 'The Languages of Criticism and the Sciences of Man', o simpósio de Johns Hopkins que Girard convocou com Richard Macksey e Eugenio Donato para introduzir o estruturalismo francês nas universidades americanas. Girard fez os convites, entre eles a Jacques Lacan e a Jacques Derrida, cuja comunicação 'La structure, le signe et le jeu dans le discours des sciences humaines' foi lida em 21 de outubro de 1966 e é convencionalmente datada como a chegada do pós-estruturalismo à América — num congresso convocado para promover o estruturalismo. As atas saíram em 1970 como The Structuralist Controversy, e o áudio do simpósio foi digitalizado pelas Sheridan Libraries em 2023.[14] [15] |
| 1968–1976 ≈ | Na Universidade Estadual de Nova York em Buffalo. O período não é consensual: o relato mais copiado atribui-lhe uma cátedra distinta a partir de 1971, e outros fecham a etapa em 1975. Fica registrado como um intervalo aproximado, com a divergência mantida de pé.[3] [13] [11] |
| 1972 | La Violence et le sacré (Grasset), que recebeu um prêmio da Académie française; a versão inglesa, Violence and the Sacred, traduzida por Patrick Gregory, saiu pela Johns Hopkins University Press em 1977. É o livro que tirou o mecanismo do bode expiatório da crítica literária e o levou à antropologia e ao estudo da religião, e aquele sobre o qual se concentram as objeções disciplinares ao seu método.[5] [3] [4] |
| 1976–1981 | Volta a Johns Hopkins como John M. Beall Professor of the Humanities. Em 1978 publica Des choses cachées depuis la fondation du monde (Grasset), diálogo em forma de livro com o psiquiatra Jean-Michel Oughourlian e com Guy Lefort no qual expõe a leitura dos Evangelhos como revelação do mecanismo vitimário; a versão inglesa, Things Hidden since the Foundation of the World, saiu pela Stanford University Press em 1987.[13] [11] [3] |
| 1981–1995 | Em Stanford como primeiro titular da cátedra Andrew B. Hammond de língua, literatura e civilização francesas, até a aposentadoria como emérito em 1995. A resolução memorial de Stanford data a nomeação em 1981 e o rene-girard.fr em 1980; aqui segue-se o registro da própria universidade. Os livros desses anos são Le Bouc émissaire (1982; em inglês The Scapegoat, Johns Hopkins, 1986, trad. Freccero) e La Route antique des hommes pervers (1985; em inglês Job, the Victim of His People, 1987).[11] [13] [3] [12] |
| 1990 | Duas fundações num mesmo ano. Em março constitui-se em Stanford o Colloquium on Violence & Religion, por obra de James Williams, Charles Mabee e Robert Hamerton-Kelly; é formalmente constituído em 1991 com Girard como presidente honorário, Raymund Schwager como presidente e Wolfgang Palaver à frente do seu boletim, e publica a revista Contagion — o relato que a associação faz dos próprios começos é o único detalhado, e é escrito de dentro. No mesmo ano Shakespeare : les feux de l'envie (Grasset), escrito em inglês mas publicado antes em francês, recebe o Prix Médicis essai. O registro da editora data o prêmio em 1990 e a Wikipédia em 1991; aqui usa-se 1990. A versão inglesa, A Theater of Envy, saiu pela Oxford University Press em 1991.[10] [17] [9] |
| 1999–2004 | Je vois Satan tomber comme l'éclair (1999; em inglês I See Satan Fall Like Lightning, Orbis, 2001), o mais diretamente teológico dos seus livros, e Les Origines de la culture (2004), um conjunto de entrevistas que recebeu o Prix Aujourd'hui.[3] [5] |
| 17–18 de novembro de 2000 | A visita ao Rio de Janeiro — o ponto em que se cruzam os dois sujeitos desta cronologia, e atestada unicamente através da rede de Olavo de Carvalho. Uma palestra e uma mesa-redonda no auditório da Faculdade da Cidade / UniverCidade em 17 de novembro, e uma entrevista no Hotel Glória no dia seguinte, feita por Pedro Sette Câmara e Alvaro Velloso de Carvalho com a participação de Olavo de Carvalho, publicada em 19 de novembro de 2000. Não se encontrou nenhum registro de imprensa brasileira independente da visita na Folha, no Estadão, n'O Globo ou no Jornal do Brasil; olavodecarvalho.org hoje serve um modelo comercial de domínio estacionado e oindividuo.com devolve 503, e a API de disponibilidade do Internet Archive respondeu 429 a todos os pedidos feitos desta sessão, de modo que não foi possível verificar em nenhum sentido se há cópia de qualquer das duas páginas. O único texto acessível é uma reprodução de blog sem atribuição. Olavo alude ao encontro nas transcrições do COF — aula 18, 18 de agosto de 2009, arquivo revisado: 'Quando o René Girard esteve no Rio de Janeiro, eu lhe perguntei isso' — o que corrobora que houve um encontro, mas faz parte dessa mesma rede. Fica registrado como atribuído, não como estabelecido.[24] [25] [26] [1] |
| 2005 | Eleito para a Académie française em 17 de março de 2005 para a cadeira 37, sucedendo ao dominicano Ambroise-Marie Carré, apadrinhado por Jacqueline de Romilly e Marc Fumaroli; recebido sob a Cúpula em 15 de dezembro de 2005, com a resposta a cargo de Michel Serres. O discurso de Serres é a origem do rótulo 'o novo Darwin das ciências humanas' — frase dele, numa cerimônia cujo gênero é o louvor, e não um juízo que esta página faça. A recepção é às vezes datada de 2006; o aviso da própria Académie a situa em 15 de dezembro de 2005.[5] [6] [7] |
| 2006–2008 | Honrarias, um último livro e uma instituição. O Prêmio Dr. Leopold Lucas (Tubinga) em 2006 e o Prêmio de Trajetória Acadêmica da Modern Language Association em 2008, ao lado de doutorados honoris causa pela Vrije Universiteit Amsterdam (1985), UFSIA Antuérpia (1995), Pádua (2001), Montreal (2004) e St Andrews (2008), e da Legião de Honra como cavaleiro. Em outubro de 2007 saiu pela Carnets Nord Achever Clausewitz, sua conversa em forma de livro com Benoît Chantre; a versão inglesa, Battling to the End, é datada de 2009 no obituário de Stanford e de 2010 pela Stanford Magazine, e essa discrepância fica em aberto aqui. 2007 é também o ano em que se fundou a Imitatio para financiar e difundir a teoria mimética — projeto da Thiel Foundation de Peter Thiel, montado com Robert Hamerton-Kelly, registrado aqui a partir de um relato de terceiros e não do da própria Imitatio.[5] [21] [23] [22] [12] |
| 4 de novembro de 2015 | Morre em sua casa no campus de Stanford, aos 91 anos; a Académie française publicou seu aviso de falecimento no dia seguinte. Sobreviveram-lhe Martha e os três filhos, e Stanford realizou um ato memorial em 19 de janeiro de 2016. Os obituários de referência — o Stanford Report de 4 de novembro de 2015, Quentin Hardy no The New York Times de 11 de novembro de 2015 e Jean Birnbaum no Le Monde de 5 de novembro de 2015 — existem, mas mostraram-se inacessíveis desta sessão (Cloudflare, um 403 e um muro de pagamento, respectivamente), e por isso não são citados.[8] [5] [11] [12] |
Recepção no COF
Presente em 12 dos 589 arquivos de transcrição do Curso Online de Filosofia; 2 aulas o tratam substancialmente (5 ou mais menções). As aulas com maior presença:
Esta seção documenta o que Olavo disse e quando — nunca o que o filósofo «realmente» quis dizer. As caracterizações são de Olavo, ligadas a uma aula por número e data.
| Aula | Data | Menções |
|---|---|---|
| 14 | 2009-07-11 | 8 |
| 18 | 2009-08-18 | 6 |
| 36 | 2009-12-12 | 4 |
| 94 | 2011-02-12 | 2 |
| 33 | 2009-11-21 | 1 |
| 35 | 2009-12-05 | 1 |
| 37 | 2009-12-19 | 1 |
| 163 | 2012-07-14 | 1 |
| 242 | 2014-03-15 | 1 |
| 243 | 2014-03-22 | 1 |
| 507 | — | 1 |
| 532 | — | 1 |
Um traço na coluna de data significa que o arquivo de transcrição não tem data verificada: um arquivo sem data, não uma aula sem data. As contagens são correspondências insensíveis a acentos e com limite de palavra sobre o corpus público de transcrições.[1] [2]
Referências
- COF — community transcriptions of the Curso Online de Filosofia (585 lectures) — Community transcription repository (upstream declares CC0 for the transcription work; the lectures remain the estate's)
- COF em Áudio — lecture audio collection — Internet Archive (community upload)
- René Girard (1923—2015) — Internet Encyclopedia of Philosophy
- René Girard — Encyclopaedia Britannica
- René Girard — les immortels, fauteuil 37 — Académie française
- Réception de M. René Girard (15 décembre 2005) — Académie française
- Discours de réception de M. René Girard et réponse de M. Michel Serres — Académie française
- Décès de M. René Girard (5 novembre 2015) — Académie française
- René Girard — Colloquium on Violence & Religion (COV&R)
- The History of COV&R — Colloquium on Violence & Religion (COV&R)
- Memorial Resolution for René Girard (Stanford University Faculty Senate) — Stanford University Faculty Senate, reproduced on Cosmos the in Lost (Patheos)
- Eminent Theorist (René Girard) — Stanford Magazine (Stanford Alumni Association)
- Biographie de René Girard — Association Recherches Mimétiques (French association devoted to his work — sympathetic perspective)
- The Languages of Criticism and the Sciences of Man symposium, 18–21 October 1966 — repository item record — JScholarship, Johns Hopkins University Sheridan Libraries
- Johns Hopkins humanities conference that changed the field turns 50 (22 March 2016) — The Hub, Johns Hopkins University
- Deceit, Desire, and the Novel: Self and Other in Literary Structure — catalogue record — Johns Hopkins University Press / Hopkins Fulfillment Services
- Shakespeare : les feux de l'envie — fiche éditeur — Éditions Grasset
- Cynthia L. Haven, Evolution of Desire: A Life of René Girard (Michigan State University Press, 2018) — Michigan State University Press
- René Girard, Quand ces choses commenceront… Entretiens avec Michel Treguer (Arléa, 1994) — Éditions Arléa
- The Girard Reader, ed. James G. Williams (Crossroad, 1996), including the interview 'The Anthropology of the Cross' — Crossroad Publishing / WorldCat record
- Compte rendu : René Girard, Achever Clausewitz (Carnets Nord, 2007) — Revue d'histoire et de philosophie religieuses (Persée)
- Imitatio — mimetic theory programme — Imitatio, a project of the Thiel Foundation
- The Thiel Foundation — InfluenceWatch, Capital Research Center (right-of-center watchdog — labeled as such)
- Olavo de Carvalho, 'René Girard e a coletividade homicida' — olavodecarvalho.org (the subject's own site)
- Entrevista com René Girard, Hotel Glória, Rio de Janeiro, 18 de novembro de 2000 (publicada em 19/11/2000) — O Indivíduo (Olavo de Carvalho's circle — interviewers Pedro Sette Câmara and Alvaro Velloso de Carvalho, with Olavo de Carvalho taking part)
- Reprodução da entrevista de René Girard no Rio de Janeiro (26 de janeiro de 2007) — elienaijr.wordpress.com (personal blog — unattributed reproduction)