🌐 Tradução do inglês escrita pelo assistente, sem revisão humana; a página em inglês é a versão de referência.

Até onde o caso chegou

Cada degrau é um juízo distinto, de uma autoridade distinta e sobre um objeto distinto; esta página registra o que cada uma fez e quando, citando o ato, e nunca os soma num veredicto. Em Cimbres o achado central é uma ausência: nenhuma decisão diocesana formal dos anos 1930–40 foi localizada. Os dois atos recentes documentados tratam de objetos distintos: o reconhecimento, pelo bispo, em 2021, das “presumíveis aparições”, e a causa de beatificação de uma das videntes, que julga uma pessoa e não os acontecimentos de 1936.

Um degrau por autoridade. «Nenhuma decisão localizada» diz algo sobre as fontes, não sobre o caso.
Passo a passo, com os documentos

Investigação local — os investigadores no local 1936–1941

Investigado — decisão favorável

O padre José Kehrle (1891–1978), secretário do bispo de Pesqueira, e Frei Estevam Roettger OFM (1877–1955), ambos por determinação de Dom Adalberto Accioli Sobral.

Os dois investigadores interrogaram repetidamente as videntes desde agosto de 1936 e assistiram pessoalmente às aparições relatadas, pressionando à procura de uma contradição; Kehrle separou as meninas e fez suas perguntas em alemão e em latim, línguas que nenhuma delas sabia ler, em 20 de agosto e depois. A própria carta pastoral diocesana de 2021 registra que eles entregaram “o parecer favorável sobre os eventos e o atestado da sua veracidade”. O “Manuscripto” de Kehrle, de 1941, é esse parecer, e continua sendo a fonte principal de todo relato posterior. É o relatório de um investigador e não uma decisão: nunca foi publicado, Kehrle calou-se por obediência e nenhum ato diocesano o assumiu. Duas coisas qualificam este degrau e são registradas com ele. O clero não era de um só parecer — Mons. Elyseu Duarte Diniz, ao interrogar as meninas separadamente em 31 de agosto de 1936, declarou não acreditar em nada daquilo, e do pároco, Pe. Manuel Marques, relata-se que nunca acreditou. E o parecer favorável não foi o único que o bispo recebeu: o diário de Kehrle registra que em outubro de 1936 Sobral enviou o superior franciscano e o Pe. Urbano de Carvalho para examinar o local, que a eles nada apareceu e que relataram ao bispo serem falsos os relatos. Nenhum dos dois exames produziu documento localizado. O próprio diário está hoje impresso em duas edições devocionais — o livro de Ione Paiva e “O Inquisidor de Cimbres” (2021), de Ana Lígia Lira, que segundo a autora o transcreve na íntegra — e cotejá-las com o exemplar do arquivo é a tarefa em aberto.

[3] [1] [15] [16]

A decisão do bispo, anos 1930–40 1936–1947 (episcopado de Dom Adalberto Accioli Sobral)

Relata-se uma decisão; documento não localizado

Dom Adalberto Accioli Sobral (1887–1951), segundo bispo de Pesqueira, que administrou a diocese de 1934 a 1947 e mandou investigar.

A literatura devocional relata que a Igreja respondeu nesse período rejeitando os relatos e impondo silêncio — os Arautos do Evangelho acrescentam pressão policial e cerca de cinquenta anos de silêncio forçado sobre as videntes e sobre Kehrle — mas não apresenta decreto algum, e essa caracterização é dela. O que as fontes melhores estabelecem é mais estreito e não é uma decisão: o estudo acadêmico de 2023 conclui que o culto foi legitimado pelos devotos “sem grandes interferências institucionais da Cúria local ou da Cúria romana” e descreve estratégias de silenciamento em vez de um ato, enquanto a carta pastoral diocesana de 2021 registra o “silenciamento das autoridades eclesiásticas” e a prisão do pai de Maria da Luz pela polícia em 1936, e em seguida chama a si mesma de “a primeira resposta da Igreja”. Quatro atuações episcopais do período estão hoje datadas e atestadas, e nenhuma é uma decisão: o segundo exame de outubro de 1936, que relatou contra os fatos narrados; a ação policial de 20 de outubro de 1936, que destruiu o cercado da fonte e prendeu Artur Teixeira, ordenada em nome do delegado regional de Pesqueira, que a cidade atribuiu ao bispo e que o bispo mandou Kehrle desmentir do púlpito da catedral; a repreensão do bispo a Kehrle por custear os estudos de uma vidente em vez dos de um seminarista; e uma carta a Kehrle em 1937, citada na edição devocional de seus papéis, que nada diz sobre as aparições e tudo sobre a obediência — quem não está com o bispo não está com a Igreja. Uma carta privada sobre autoridade não é um juízo sobre um caso. Portanto, uma decisão é relatada e nenhum documento foi localizado. Isso não é o mesmo que uma decisão contrária, e esta página não registra nenhuma.

Nenhum decreto diocesano formal sobre as aparições, favorável ou adverso, foi localizado para os anos 1930–40. Pesquisado em agosto de 2026: o estudo da RBHR de 2023, que trabalha sobre o manuscrito de Kehrle de 1941 e não cita ato algum desse tipo; a dissertação da UNICAP de 2016, que reconta toda a sequência de 1936–37 a partir desse diário e também não cita nenhum; a carta pastoral de 2021, que percorre a história e igualmente não cita nenhum; a imprensa católica; a própria história do santuário; a literatura devocional que afirma a rejeição; e dezoito vídeos devocionais entregues a este projeto em 2026, nos quais todos os oradores afirmam uma proibição episcopal e nenhum nomeia um decreto, um número de protocolo ou uma referência de arquivo. A dissertação de 2016 acrescenta um zero verificado próprio: não encontrou cobertura dos fatos no Jornal do Commercio nem no Diário de Pernambuco entre agosto e novembro de 1936. Três arquivos resolveriam a questão e nenhum foi consultado aqui — o arquivo diocesano de Pesqueira, que guarda o manuscrito de Kehrle e não está on-line; os papéis da delegacia de polícia de Pesqueira e da chefia de polícia de Pernambuco, onde estaria uma ordem da prisão de outubro de 1936; e o acervo de Irmã Adélia doado ao Instituto RIC, no Recife, em julho de 2023.

[1] [3] [10] [15]

O juízo do bispo, 2021 — a carta pastoral 2 de outubro de 2021

Investigado — decisão favorável

Dom José Luiz Ferreira Salles CSsR, bispo de Pesqueira, que assina na Aldeia Guarda, Vila de Cimbres.

A carta intitula-se “A Diocese de Pesqueira e as presumíveis aparições de Nossa Senhora da Graça” — presumíveis, e a palavra pesa ao longo de todo o texto. Agindo “pela autoridade que nos confere o nosso ministério episcopal”, o bispo declara que nas aparições relatadas há “elementos, traços e sinais que abalizam e sinalizam a grande probabilidade do caráter sobrenatural” do que as duas jovens viveram; que as mensagens estão “em profunda consonância com as verdades da fé cristã”; que essa constatação de grande probabilidade, embora torne os fatos dignos de crédito, “não vincula ou obriga nenhum fiel a crer”; e que ele concede a permissão para que os fiéis continuem a devoção. A interpretação oficial fica reservada ao Magistério e ao bispo diocesano, e a carta diz expressamente que não esgota a possibilidade de decisões posteriores das instâncias eclesiais competentes. É um ato diocesano que constata uma grande probabilidade e permite um culto — não uma declaração de que as aparições estejam estabelecidas, nem um ato pontifício.

[3] [4]

Remessa a Roma sobre as aparições

Não há registo de que este passo tenha ocorrido

A Santa Sé. A carta pastoral de 2021 segue as normas da Santa Sé de 1978 para o discernimento de presumíveis aparições e reserva os pronunciamentos oficiais sobre o caso ao Magistério e ao bispo diocesano de Pesqueira.

Nada do que se encontrou indica que as aparições tenham sido remetidas a Roma ou julgadas ali. Pesquisado em agosto de 2026: o estudo da RBHR de 2023, que conclui que o culto se consolidou “sem grandes interferências institucionais da Cúria local ou da Cúria romana”; a carta pastoral de 2021, que percorre o caso longamente, cita as normas romanas, não relata nenhum ato romano sobre ele e chama a si mesma de a primeira resposta da Igreja; a imprensa católica, que apresenta o ato de 2021 como diocesano; e as variantes do título latino de um eventual documento curial, registradas como zero verificado no KEYWORDS.md deste projeto. Isto fica registrado como “nenhum registro encontrado” — uma afirmação sobre a evidência alcançada — e deliberadamente não como “o caso não chegou a esta etapa”, que seria uma afirmação sobre o caso em si. Resolvê-lo exigiria os registros do dicastério competente, que este projeto não viu; um estudo concluir que não houve interferência é compatível com um ato romano que não tenha interferido. Em 2026 fez-se mais um teste e o resultado foi o mesmo. Perguntada diante das câmeras, em maio de 2021, se a Santa Sé teria um processo sobre Cimbres, Ana Lígia Lira — que trabalhou nesses documentos mais do que qualquer pessoa fora da causa — respondeu que se diz que sim “nos bastidores”, e acrescentou imediatamente “mas eu não tenho provas disso, não tenho dados disso”. A própria pesquisadora da tradição relata o boato e recusa ter a evidência, que é exatamente o que este degrau já diz.

[1] [3] [31]

Roma — a causa de beatificação da Irmã Adélia, um objeto distinto Nihil obstat em 22–23 de fevereiro de 2024; fase diocesana de 10 de março a 13 de outubro de 2024; fase romana a partir de 17 de outubro de 2024

Ato da Igreja sobre matéria relacionada — não uma decisão sobre a aparição

O Dicastério para as Causas dos Santos e, na fase diocesana, a Diocese de Pesqueira.

Este degrau é sobre uma pessoa, não sobre os fatos de 1936. O nihil obstat do Dicastério abriu a causa de beatificação e canonização de Irmã Adélia — Maria da Luz Teixeira de Carvalho, a mais nova das duas videntes — o que lhe dá o título de Serva de Deus; a imprensa católica diverge sobre se o ato caiu em 22 ou em 23 de fevereiro de 2024. A fase diocesana abriu em 10 de março de 2024 e encerrou em 13 de outubro de 2024, e as atas seguiram para Roma, onde a causa corre. Uma causa examina a vida e a virtude de um candidato: nada nela é um juízo sobre as aparições, e manchetes do tipo “o Vaticano reconhece a aparição de Cimbres” a deturpam. A carta pastoral de 2021 já havia anunciado que o nihil obstat fora pedido e era aguardado, tratando a causa como matéria distinta dos fatos. O degrau está aqui porque é o único ato romano deste dossiê, e omiti-lo deixaria essa confusão sem resposta. As atas diocesanas foram entregues ao Dicastério em 17 de outubro de 2024 por uma delegação recebida na véspera na audiência papal: a superiora-geral e a provincial da congregação, o postulador Frei Jociel Gomes e o Prof. Dr. Carlos André Moura como presidente da comissão histórica e arquivística da causa — o mesmo historiador que assina o estudo acadêmico de 2023 no qual este conjunto de dados mais se apoia, o que convém que o leitor saiba. Nenhum milagre foi reconhecido na causa, e nenhuma das curas relatadas em Cimbres foi objeto de declaração eclesiástica alguma.

[7] [5] [6] [3] [22]

Sobre

Conjunto de dados em construção, compilado a partir de fontes públicas (ver as referências). As aparições são aqui registradas como fatos RELATADOS: o conjunto documenta quem relatou o quê e quando, e o que as autoridades eclesiásticas decidiram e quando — não afirma a alegação sobrenatural como fato. A mesma regra vale para as curas relatadas no local: o que é datável é que uma cura foi RELATADA, por quem e quando, ou que uma autoridade RECONHECEU alguma — e em Cimbres não se localizou nenhum reconhecimento de cura, de modo que aqui nenhuma cura é registrada como tendo ocorrido. O escopo vai da fundação colonial de Cimbres, passando pelos relatos de 1936–37 e pela resposta diocesana, até o santuário, a vida posterior das videntes e a causa de beatificação hoje em Roma; a história xukuru é citada apenas onde um fato datado aqui a exige e não é o objeto deste projeto. As fontes são escassas: boa parte da literatura é devocional e se recicla, várias datas repousam numa única fonte devocional e recebem a marca ?, e onde um livro ou um vídeo devocional é a única testemunha de algo, o conjunto nomeia a testemunha. Afirmações controversas são atribuídas a seus autores. Correções contra fontes primárias são bem-vindas.

O que é
Uma série de aparições marianas relatadas em 1936 (e, segundo alguns relatos, até 1937) por duas adolescentes no Sítio Guarda, perto da Vila de Cimbres, município de Pesqueira, Pernambuco, Brasil, atribuídas pela devoção a Nossa Senhora das Graças.[1] [2]
Videntes segundo os relatos
Maria da Conceição Silva (1920–1999), então com 16 anos, e Maria da Luz Teixeira de Carvalho (1922–2013), então com 13 — esta última tornou-se depois religiosa com o nome de Irmã Adélia.[1] [6]
Situação perante a Igreja
Nenhum julgamento diocesano formal das décadas de 1930–40 foi localizado: um estudo acadêmico de 2023 conclui que a devoção se consolidou 'sem grandes interferências institucionais da Cúria local ou da Cúria romana', enquanto a literatura devocional relata rejeição informal e silêncio imposto. O primeiro pronunciamento oficial veio em 2 de outubro de 2021, quando o bispo de Pesqueira, Dom José Luiz Ferreira Salles, publicou uma carta pastoral reconhecendo as 'presumíveis aparições', afirmando que apresentam 'grande probabilidade do caráter sobrenatural' e permitindo a devoção. Trata-se de um ato diocesano, não papal.[1] [4] [10]
O local hoje
Um santuário diocesano — o Santuário de Nossa Senhora das Graças, na Aldeia Guarda, Vila de Cimbres — com festa anual de romaria em 31 de agosto e uma escadaria de 365 degraus até a rocha. A vila e o santuário ficam dentro da Terra Indígena Xukuru demarcada, na Serra do Ororubá. O nonagésimo aniversário da primeira aparição relatada caiu em 6 de agosto de 2026.[8] [12] [26]
Curas relatadas
No local relatam-se curas e prodígios atribuídos a Nossa Senhora das Graças, e os peregrinos vão buscar a água da fonte. Nenhuma foi reconhecida por autoridade eclesiástica alguma: não se localizou nenhuma declaração de bispo ou de dicastério sobre uma cura em Cimbres, e a carta pastoral de 2021 não faz nenhuma. O testemunho de cura mais antigo que o estudo da UNICAP de 2016 consegue datar vem da romaria de 31 de agosto de 1985, e esse estudo afirma não dispor de testemunhos do próprio período das aparições; o diário de Kehrle sustenta que um registro mantido no Guarda em 1936 já reunia cerca de seiscentos, e esse registro não foi apresentado. Este conjunto de dados registra quem relatou o quê e quando. Não afirma que qualquer cura tenha ocorrido.[15] [3] [19]

Cronologia

Principais acontecimentos em ordem cronológica. Uma marca ? indica datas ainda não verificadas com uma fonte primária.

8 décadas sem acontecimentos registados (1680–1759)14 décadas sem acontecimentos registados (1770–1909)2 décadas sem acontecimentos registados (1950–1969) 167617621910194219782026
  1. 1676 ?

    Cimbres, Pesqueira, Brasil

    Funda-se uma missão oratoriana na Serra do Ororubá

    O Pe. João Duarte do Sacramento, da Congregação do Oratório, funda uma missão entre os Ararobá na Serra do Ororubá e lhe dá o nome de Nossa Senhora das Montanhas. Os Xukuru se incorporam ao aldeamento na década de 1690. Duas coisas desta cronologia começam aqui: a dedicação mariana do lugar, que é dois séculos e meio anterior a 1936 e pertence a outra devoção; e a aldeia indígena que virá a ser a Vila de Cimbres. A data de 1676 é a que a historiografia local dá e aqui não está verificada contra documento primário.[28] [15]

  2. 8 décadas sem acontecimentos registados (1680–1759)
  3. 17621762-04-03

    Cimbres, Pesqueira, Brasil

    Cimbres é elevada a vila

    O povoado é elevado à categoria de vila com o nome de Cimbres, a sexta de Pernambuco, com um termo que abrangia território hoje repartido entre mais de vinte municípios. Pesqueira, no vale, é feita vila em 13 de maio de 1836 e toma de Cimbres a sede do município; a partir de 1913 o município passa a se chamar definitivamente Pesqueira e Cimbres é um de seus distritos. Em 1936 Cimbres é um povoado que já fora cabeça da região e não era mais.[28]

  4. 14 décadas sem acontecimentos registados (1770–1909)
  5. 19101910-12-05

    Floresta, Pernambuco, Brasil

    Ergue-se a Diocese de Floresta

    A diocese que julgará os relatos de Cimbres é erigida como Diocese de Floresta, no sertão de Pernambuco; sua sede é transferida para Pesqueira e ela é renomeada em 2 de agosto de 1918. É uma diocese jovem, pobre e com pouco clero: em 1936 tem vinte e seis anos, e quem conduz a investigação é o secretário do bispo, não um canonista nem uma comissão.[11]

  6. 19181918-08-02

    Pesqueira, Pernambuco, Brasil

    A sé episcopal é transferida para Pesqueira

    A Diocese de Floresta (criada em 1910) é transferida para Pesqueira, incorporando, entre outras, as paróquias de Pesqueira e Cimbres; a Diocese de Pesqueira é a autoridade eclesiástica sobre todos os eventos posteriores desta cronologia.[1] [11]

  7. 19341934-01-13

    Pesqueira, Pernambuco, Brasil

    Adalberto Accioli Sobral é nomeado bispo, encerrando uma vacância de catorze meses

    Depois da morte do bispo José Antônio de Oliveira Lopes, em 24 de novembro de 1932, a sé permanece vaga por catorze meses. Adalberto Accioli Sobral é nomeado em 13 de janeiro de 1934 e governa Pesqueira até sua transferência, em 18 de janeiro de 1947. As aparições relatadas caem dois anos e meio depois de iniciado o seu episcopado, e todo ato e toda omissão eclesiástica do período 1936–37 são dele.[11]

  8. 19361936-08-06

    Sítio Guarda, Cimbres, Pesqueira, Brasil

    Primeira aparição relatada

    Maria da Conceição Silva (16) e Maria da Luz Teixeira de Carvalho (13) relatam ter visto uma mulher com um menino sobre um rochedo da Serra do Ororubá enquanto colhiam mamona; em diálogos relatados depois, a figura, perguntada sobre quem era, responde 'Eu sou a graça'. Segundo o relato do santuário, romeiros começam a chegar já no dia seguinte.[1] [4] [8]

  9. 19361936-08-15 ?

    Pesqueira, Brasil

    A Diocese de Pesqueira abre uma investigação

    Quando os relatos chegam à diocese, o bispo Dom Adalberto Accioli Sobral designa o seu secretário, padre José Kehrle, para investigar os eventos e elaborar um parecer sobre a credibilidade das narrativas, conforme o procedimento canônico. Transcrições devocionais datam o primeiro interrogatório registrado de Kehrle a Maria da Luz em 15 de agosto de 1936.[1] [9]

  10. 19361936-08-20

    Sítio Guarda, Cimbres, Pesqueira, Brasil

    Kehrle examina as videntes no monte

    O Pe. José Kehrle vai pessoalmente ao Sítio Guarda e realiza o primeiro exame no local, tendo antes enviado um bilhete com perguntas construídas sobre uma fórmula de exorcismo (“Quem pode mais que Deus?”) porque, por sua própria conta, temia um evento diabólico. Separa as meninas, interroga-as à parte e faz suas perguntas em alemão e em latim — línguas que nenhuma delas sabia ler — com as respostas devolvidas em português; os relatos falam de cerca de 123 perguntas nesse dia. Kehrle declarou nada ter visto ele mesmo. É este o método a partir do qual todo o caso é argumentado, tanto por seus defensores quanto contra seus céticos.[15] [1] [19]

  11. 19361936-08-31

    Sítio Guarda, Cimbres, Pesqueira, Brasil

    Grande aglomeração no local; clero dividido

    Numa data que, segundo as videntes, a própria aparição havia marcado, uma multidão se reúne no local — o santuário fala de mais de 5.000 romeiros; o relato de Kehrle, tal como narrado pela literatura devocional, de mais de 3.000. Kehrle comparece com o irmão, Pe. Luiz Kehrle, e com Mons. Elyseu Duarte Diniz; seu diário registra a mensagem “o Brasil está salvo, o comunismo não vem mais”. No mesmo dia Diniz, depois de interrogar as meninas separadamente, declara não acreditar em nada daquilo, primeiro sinal da divisão que o diário de Kehrle descreve entre clero e fiéis. Ione Paiva, a principal narradora da tradição, diz numa entrevista de 2025 que a palavra “comunismo” entra no registro pelas perguntas de Kehrle e não pelas mensagens relatadas; quem ler o material político deve levar isso em conta.[1] [8] [15] [29]

  12. 19361936-09-10

    Sítio Guarda, Cimbres, Pesqueira, Brasil

    O pároco e o frei interrogam as videntes; chama-se um médico

    O Pe. Manuel Marques, pároco de Cimbres, e Frei Estevão von Roettger OFM interrogam as videntes no monte, em latim e em alemão. Marques diz depois a Artur Teixeira, diante de testemunhas, que leve as meninas a Pesqueira para serem examinadas por um médico; o Dr. Lídio Paraíba examina as duas e atesta por escrito que o estado físico e mental de ambas não apresentava anormalidade. O atestado médico é a única peça documental não clerical que se relata ter sido produzida pela investigação de 1936, e não foi localizada.[15] [17]

  13. 19361936-10 ?

    Sítio Guarda, Cimbres, Pesqueira, Brasil

    Um segundo exame, encomendado pelo bispo, relata contra os fatos narrados

    O diário de Kehrle registra que em outubro o bispo Sobral enviou o superior franciscano junto com o Pe. Urbano de Carvalho, reitor do colégio, para examinar os fatos no local. Subiram o monte com as meninas, nada apareceu, concluíram que os relatos eram falsos e assim informaram ao bispo. Isso importa para descrever a investigação: a diocese não recebeu um parecer favorável, recebeu um favorável de seu secretário e um adverso de dois examinadores que enviou em seguida. Nenhum documento de qualquer dos dois exames foi localizado; ambos só são conhecidos pelo diário de Kehrle tal como impresso na literatura devocional. O mês é o que Kehrle dá; não consta o dia.[15] [19]

  14. 19361936-10-20

    Sítio Guarda, Cimbres, Pesqueira, Brasil

    A polícia destrói o cercado da fonte e prende o pai da vidente

    Um destacamento policial comandado por um sargento, agindo em nome do delegado regional de Pesqueira, destrói a cerca e a porta erguidas em torno da fonte e dá voz de prisão a Artur Teixeira — pai de Maria da Luz e dono da terra —, com ordem de levá-lo a Pesqueira e de lá à presença do chefe de polícia no Recife. Ele é ouvido pelo delegado regional, considerado sem culpa e solto na mesma noite. É esta a prisão que a própria carta pastoral diocesana de 2021 recorda; o diário de Kehrle fornece a data e a sequência. Quem a ordenou foi disputado na época: a cidade dizia que o bispo, e o bispo mandou Kehrle desmentir do púlpito da catedral, como boato. A ordem, se escrita, estaria nos papéis da delegacia de polícia de Pesqueira ou da chefia de polícia de Pernambuco, que este projeto não viu.[15] [3] [19]

  15. 19371937-02-26 ?

    Sítio Guarda, Cimbres, Pesqueira, Brasil

    A última aparição relatada no Sítio Guarda — e a divergência dos relatos a respeito dela

    O estudo da UNICAP de 2016, seguindo o diário de Kehrle, data a última aparição relatada no Sítio Guarda em 26 de fevereiro de 1937, com uma mensagem escrita que termina “Eu aparecerei em outro monte”; os relatos passam então para um lugar chamado Alagadiço, perto de Alagoinha, ainda na Diocese de Pesqueira, e Kehrle envia perguntas para lá por meio de Maria da Luz. Os relatos devocionais não concordam entre si: a série de vídeos narrada data o fim em 26 de dezembro de 1936, Ione Paiva diz fevereiro de 1937 com cerca de quarenta aparições ao todo, e o santuário conta trinta e nove depois da primeira. Uma data de 11 de fevereiro de 1937, que circula em resultados de busca, não foi encontrada no texto de nenhuma fonte alcançada. O conjunto de dados registra a divergência em vez de escolher entre elas.[15] [19] [29] [32]

  16. 19371937-06 ?

    Pesqueira, Brasil

    Kehrle consulta a Alemanha, e os dois investigadores são retirados de Pesqueira

    Sem certeza de que os fatos fossem de Deus, Kehrle escreve a Friedrich Ritter von Lama, na Alemanha — escritor e confidente da estigmatizada Therese Neumann —, pedindo-lhe que lhe apresente a questão; a resposta lhe chega em junho de 1937 e é relatada como favorável. Ele a encaminha ao bispo e recebe de volta uma carta que nada responde sobre as aparições e tudo sobre a autoridade: os que se opõem ao bispo “não poderão contar vitória”, pois quem não está com o bispo não está com a Igreja. Por essa mesma época Kehrle e Frei Estevão são notificados de suas transferências para fora de Pesqueira. A carta do bispo é citada na edição devocional dos papéis de Kehrle e é o mais próximo de uma posição episcopal escrita sobre o caso que se localizou para este período — e é uma carta particular sobre obediência, não uma decisão sobre os relatos. A correspondência entre Kehrle e von Lama é uma pista documental que não foi rastreada até nenhum arquivo.[15] [19]

  17. 19401940-06-12 ?

    Recife, Pernambuco, Brasil

    Maria da Luz entra para a vida religiosa

    Maria da Luz, apresentada pela Sra. Basinha Galindo, entra no postulantado das Religiosas da Instrução Cristã (Damas da Instrução Cristã) no Recife; a biografia do santuário data a entrada em 12 de junho de 1940, o início do noviciado em 14 de janeiro de 1941 e os votos temporários nos quais tomou o nome de Irmã Adélia em 14 de janeiro de 1943, enquanto a imprensa católica dá 1946 como o ano de sua profissão perpétua. Antes disso ela havia pedido a Kehrle que lhe impusesse, como penitência, o silêncio sobre as aparições — temia que a congregação não aceitasse uma vidente — e o guardou por quarenta e nove anos. Sua companheira Maria da Conceição permaneceu leiga. As datas de formação repousam apenas no relato do santuário; a leitura anterior desta entrada, “dezembro de 1940”, vinha de outra fonte devocional.[25] [9] [6] [1] [29]

  18. 1941

    Pesqueira, Brasil

    O parecer favorável de Kehrle é concluído — e nenhum julgamento se segue

    O Pe. José Kehrle conclui seu “Manuscripto”, um diário-relatório que se pronuncia favoravelmente sobre as aparições relatadas; ele se torna a fonte principal dos estudos posteriores. Nenhum juízo diocesano formal está documentado: o estudo acadêmico de 2023 sobre o caso conclui que o culto foi legitimado pelos devotos “sem grandes interferências institucionais da Cúria local ou da Cúria romana” e descreve estratégias de silenciamento por parte da hierarquia — Kehrle manteve seu parecer inédito por obediência. A literatura devocional (os Arautos do Evangelho) vai além e relata uma campanha de supressão que incluiu pressão policial e cerca de cinquenta anos de silêncio imposto às videntes e a Kehrle; essa caracterização é dela. O manuscrito nunca foi publicado como tal, mas duas edições devocionais hoje o levam ao prelo: o livro de Ione Paiva, que reproduz seu material ao lado dos escritos da própria Irmã Adélia, e “O Inquisidor de Cimbres” (2021), de Ana Lígia Lira, que segundo a autora é uma transcrição integral do diário junto com as cartas de Maria da Luz. Cotejar essas impressões com o exemplar do arquivo é a tarefa em aberto neste caso.[1] [10] [19] [16]

  19. 1942 ?

    Cimbres, Pesqueira, Brasil

    Uma imagem de Nossa Senhora das Graças é entronizada na capela

    Segundo a história do próprio santuário, uma imagem de Nossa Senhora das Graças doada por Odete Berardo é entronizada na capelinha que Arthur Teixeira de Carvalho, pai de Maria da Luz, havia construído perto do local. Fonte devocional única; data não verificada em outras fontes.[8]

  20. 2 décadas sem acontecimentos registados (1950–1969)
  21. 19781978-08-06

    Buíque, Pernambuco, Brasil

    Morre em Buíque o Pe. José Kehrle

    Kehrle — nascido em Rheinstetten, Alemanha, em 19 de maio de 1891, no Brasil desde 1909, ordenado em 1914, feito monsenhor em 1964 — havia sido transferido para Buíque em 1947, onde serviu como padre e como médico sem cobrar e ergueu uma capela, uma escola e uma maternidade, todas sob o título de Nossa Senhora das Graças. Morre ali em 6 de agosto de 1978, aniversário da primeira aparição relatada, e é sepultado na capela que construiu. Nunca publicou o relatório que escreveu em 1941; a coincidência da data é lugar-comum dos relatos devocionais e aqui é registrada como data, não como sinal.[23] [1] [15]

  22. 1985

    Cimbres, Pesqueira, Brasil

    Irmã Adélia rompe quarenta e nove anos de silêncio

    Diagnosticada com câncer de mama em 1984 e, segundo quem convivia com ela, com prognóstico curto depois da metástase, Irmã Adélia pede licença à superiora para contar à comunidade o que se passara em 1936 e junta-se em seguida a uma peregrinação da congregação ao Sítio Guarda — seu primeiro retorno. Depois disso abandona o tratamento e vive mais vinte e oito anos. Que tenha sido curada é o que relatam a congregação, sua companheira Irmã Viviane e sua secretária Ione Paiva, e o que a imprensa católica repete; aqui isso é registrado como relato, com quem o faz, e nenhum ato da Igreja o declarou. Deste ponto em diante começam a chegar peregrinações organizadas de centenas de pessoas, a primeira de Fortaleza, trazida por Frei Marcos Queiroz Câmara, e o caso volta a circular publicamente pela primeira vez desde 1937.[6] [8] [25] [29] [15]

  23. 19851985-08-31 ?

    Cimbres, Pesqueira, Brasil

    O relato datado mais antigo de uma cura atribuída ao local

    O relato de cura mais antigo que o estudo da UNICAP de 2016 consegue datar é o de Maria Eunice do Rego Barros, da romaria de 31 de agosto de 1985; o estudo afirma expressamente que não dispõe de testemunhos do próprio período das aparições e que os relatos começam aqui. Os demais relatos que ele reúne são datados de 1986 a 1989 e atribuídos a pessoas nomeadas. Contra isso está o próprio diário de Kehrle, que sustenta que um registro mantido no Guarda em 1936 já reunia cerca de seiscentos testemunhos — um registro que ninguém na literatura acessível apresentou. O que aqui se registra é que curas foram relatadas, por quem e quando: este conjunto de dados não afirma que qualquer cura tenha ocorrido, e nenhum bispo ou dicastério reconheceu alguma em Cimbres.[15] [19]

  24. 1986 ?

    Cimbres, Pesqueira, Brasil

    Uma declaração episcopal relatada no cinquentenário

    Ao tratar da política de Pesqueira em 2020, o Brasil de Fato afirma que no jubileu de 1986 da visão relatada o bispo Manuel Palmeira da Rocha “admitiu o testemunho das duas crianças como verdadeiro”. Não se localizou o texto de qualquer declaração desse tipo, e a carta pastoral diocesana de 2021 — que percorre toda a história — apresenta-se como a primeira resposta da Igreja. A afirmação é registrada como relatada, com quem a relata e a data; não é tratada como um ato da Igreja.[27] [3]

  25. 19881980–1993 ?

    Cimbres, Pesqueira, Brasil

    O local é decretado santuário — sob um bispo cujas datas não batem com o ano relatado

    A própria história do santuário afirma que o bispo Dom Manoel Palmeira da Rocha, de Pesqueira, decretou o local Santuário de Nossa Senhora das Graças em 20 de outubro de 1998, e a imprensa regional repete. Ele não pode tê-lo feito: Palmeira da Rocha governou Pesqueira de 14 de março de 1980 a 26 de maio de 1993, e o bispo em 1998 era Dom Bernardino Marchiò. Ione Paiva, que estava presente, diz em vez disso que ela e Irmã Adélia receberam de Palmeira da Rocha a licença de santuário em 1988 e que o decreto assinado por ele está reproduzido em seu livro. Ou o ano ou o bispo do relato recebido está errado. Este conjunto de dados situa o ato dentro do episcopado de Palmeira da Rocha, deixa a data em aberto e anota que o texto do decreto não foi alcançado — diz-se que há cópia impressa num livro que não é vendido.[8] [11] [30] [26]

  26. 19991999-01-17 ?

    Arcoverde, Pernambuco, Brasil

    Maria da Conceição Silva morre em Arcoverde

    A mais velha das duas videntes — nascida em Sanharó em 23 de fevereiro de 1920, filha de José Manoel da Silva e de Jesuína Maria da Conceição, e acolhida na família Teixeira de Carvalho por volta dos treze anos — morre em Arcoverde e é sepultada ali no Cemitério São Cristóvão. Deixou de relatar as aparições ainda em 1936, voltou para a família, foi casada pelo pai num casamento que não durou e viveu na pobreza; o santuário afirma que nenhuma causa de beatificação foi aberta por ela. A data repousa apenas na biografia do santuário e outras fontes devocionais dão 22 de janeiro; sua vida depois de 1936 é a parte menos documentada deste registro.[24] [31] [1]

  27. 20012001-04-30

    Pesqueira, Brasil

    É homologada a Terra Indígena Xukuru, que contém Cimbres

    A presidência brasileira homologa a demarcação da Terra Indígena Xukuru, de 27.555 hectares, na Serra do Ororubá (decreto publicado em 2 de maio de 2001). A Vila de Cimbres e o santuário ficam dentro desse território — a história posterior do santuário se desenrola em terra xukuru demarcada, cujo povo mantém ainda uma devoção mariana própria e mais antiga, a 'Mãe Tamain' (Nossa Senhora das Montanhas).[12] [13] [1]

  28. 20132013-10-13

    Recife, Pernambuco, Brasil

    Irmã Adélia morre no Recife

    Maria da Luz Teixeira de Carvalho — Irmã Adélia — morre no Recife aos 90 anos, na congregação em que entrara em 1940. Passara os últimos vinte e oito anos falando dos fatos de 1936, depois de quarenta e nove de silêncio, e trabalhara todo esse tempo em comunidades pobres do Recife. É a data à qual os atos da Igreja de 2024 estão ancorados: a fase diocesana de sua causa foi deliberadamente encerrada no seu décimo primeiro aniversário.[25] [6] [1]

  29. 20212021-10-02

    Aldeia Guarda, Cimbres, Pesqueira, Brasil

    Carta pastoral reconhece as 'presumíveis aparições'

    O bispo de Pesqueira, Dom José Luiz Ferreira Salles, assina na Aldeia Guarda uma carta pastoral sobre as 'presumíveis aparições de Nossa Senhora da Graça': declara que os eventos relatados apresentam 'elementos, traços e sinais que abalizam e sinalizam a grande probabilidade do caráter sobrenatural' da experiência, considera as mensagens 'em profunda consonância com as verdades da fé cristã', permite a devoção e reserva a interpretação dos eventos ao magistério da Igreja e ao bispo diocesano. A imprensa católica a descreve como a primeira declaração oficial da Igreja sobre o caso em 85 anos. Lida frente às normas que o Dicastério para a Doutrina da Fé publicaria três anos depois, esta carta tem já a forma do seu desfecho favorável ordinário: permite a devoção e fala da «grande probabilidade» de um carácter sobrenatural sem declarar nenhum. Isso aproxima-se do que o art. 17 das normas de 2024 chama um «Nihil obstat», e é a razão por que este degrau regista um juízo sobre a devoção e não sobre as aparições.[4] [2] [33]

    A lista de aparições marianas da Wikipédia em inglês dá 13 de outubro de 2021 para este ato — o aniversário de Fátima, e um dia natural para promulgar. A data aqui registada, 2 de outubro, é o dia em que a carta foi assinada em Aldeia Guarda segundo a notícia da imprensa católica citada. Assinatura e promulgação são atos distintos e ambas as datas podem estar certas; a divergência fica registada, não resolvida, e a própria carta resolvê-la-ia.

  30. 20232023-07-31

    Recife, Pernambuco, Brasil

    Os papéis de Irmã Adélia são entregues para a causa

    Ione Paiva, que os guardara por cerca de quatro décadas, doa formalmente os diários, as cartas, as fotografias e os objetos pessoais de Irmã Adélia ao Instituto das Religiosas da Instrução Cristã, no Recife, a serviço da causa de beatificação. Na entrevista de 2025 ela descreve seis caixas grandes, com mais de dez diários entre elas, e diz que os diários seguiram para Roma e que o material que lhe pediram para não imprimir ficou reservado ao Dicastério. Para um caso cujo problema central é que seus documentos estão inéditos e não localizados, esta é uma transferência de guarda datada e o segundo arquivo — depois do arquivo diocesano de Pesqueira — que seria preciso consultar para resolvê-lo.[21] [29]

  31. 20242024-02-22

    Roma / Pesqueira

    Nihil obstat para a causa de Irmã Adélia; ela se torna 'Serva de Deus'

    O Dicastério para as Causas dos Santos concede o nihil obstat para a abertura da causa de beatificação de Irmã Adélia (Maria da Luz), que recebe assim o título de Serva de Deus. As fontes divergem sobre o dia exato — 22 de fevereiro (festa da Cátedra de São Pedro, segundo a Canção Nova) ou 23 de fevereiro de 2024 (segundo outra imprensa católica). O ato diz respeito à causa da vidente, não às aparições em si.[7] [5]

  32. 20242024-10-13

    Pesqueira, Brasil

    Encerra-se a fase diocesana da causa de Irmã Adélia

    A fase diocesana do processo de beatificação e canonização de Irmã Adélia, aberta em 10 de março de 2024, é encerrada em 13 de outubro de 2024 — décimo primeiro aniversário de sua morte — e os atos são enviados a Roma, segundo a imprensa católica.[6]

  33. 20242024-10-17

    Roma

    As atas chegam a Roma e abre-se a fase romana da causa de Irmã Adélia

    Uma delegação entrega as atas diocesanas encerradas ao Dicastério para as Causas dos Santos, abrindo a fase romana: estão presentes a Irmã Eulália Maria, superiora-geral do Instituto das Religiosas da Instrução Cristã, a Irmã Cleonice Santos, provincial, o postulador Frei Jociel Gomes e o Prof. Dr. Carlos André Moura, presidente da comissão histórica e arquivística da causa. A delegação havia sido recebida na véspera na audiência geral do papa Francisco. A causa continua sendo sobre uma pessoa; nada neste ato toca os fatos de 1936.[22] [6]

  34. 20262026-08-06

    Aldeia Guarda, Cimbres, Pesqueira, Brasil

    Noventa anos: o santuário tal como está hoje

    O nonagésimo aniversário da primeira aparição relatada é marcado no santuário e coberto pela imprensa laica de Pernambuco. O que foi construído no local ao longo das décadas é modesto e em grande parte por doação: uma capela embaixo, uma escadaria de 365 degraus com corrimão até a rocha onde a figura relatada foi vista, muros de arrimo, abrigo para peregrinos e o Mirante do Cruzeiro, aberto em 2005 a 744 metros. A missa é celebrada ao ar livre ao lado da capela; a festa anual cai em 31 de agosto; o Pe. Mailson Régis de Queirós CSsR assumiu como reitor em janeiro de 2026. O local permanece dentro da Terra Indígena Xukuru demarcada.[26] [8]

Figuras-chave

Irmã Adélia (Maria da Luz Teixeira de Carvalho)

16 December 1922 – 13 October 2013 · Brasil

Vidente relatada, com 13 anos em 1936; entrou nas Religiosas da Instrução Cristã em 1940 e tomou o nome de Irmã Adélia; guardou silêncio sobre as aparições por quarenta e nove anos, falou publicamente a partir de 1985, trabalhou em comunidades pobres do Recife; declarada Serva de Deus em 2024[1] [6] [25]

Maria da Conceição Silva

23 February 1920 – 17 January 1999 · Brasil

Vidente relatada, com 16 anos em 1936; nascida em Sanharó e acolhida na família Teixeira de Carvalho; deixou de relatar as aparições ainda em 1936 e voltou para Arcoverde, onde viveu na pobreza e morreu. Nenhuma causa de beatificação foi aberta por ela, e sua vida depois de 1936 é a parte menos documentada deste registro[1] [24]

Fr. José Kehrle

19 May 1891 – 6 August 1978 · Alemanha / Brasil

Secretário de origem alemã da Diocese de Pesqueira; conduziu a investigação diocesana de 1936, interrogando as videntes em alemão e em latim, e assinou o “Manuscripto” favorável (1941), a fonte principal sobre os fatos. Nunca o publicou; foi transferido para Buíque em 1947 e ali morreu no aniversário da primeira aparição relatada[1] [23]

Dom Adalberto Accioli Sobral

1887–1951 · Brasil

Bispo de Pesqueira 1934–1947; ordenou a investigação. A literatura devocional relata que ele pessoalmente rejeitou o caso; o estudo acadêmico não registra nenhum julgamento formal seu em qualquer sentido[1] [11] [10]

Frei Estevão von Roettger, OFM

1877–1955 · Alemanha / Brasil

Franciscano que realizou interrogatórios complementares às videntes; relatos devocionais e da imprensa católica indicam que o seu diário atestou a autenticidade dos eventos[1] [4]

Dom José Luiz Ferreira Salles, CSsR

Brasil

Bispo de Pesqueira; autor da carta pastoral de 2 de outubro de 2021 que reconhece as 'presumíveis aparições' e requerente da causa de Irmã Adélia[4] [5]

Ione Maria Cavalcanti Paiva

Brasil

Professora e autora de “Aqui o Céu encontra-se com a Terra” (1.ª ed. 1987/1990; 10.ª ed. 2024), o livro que a maior parte da mídia sobre Cimbres narra. Secretária de Irmã Adélia desde 1985 e guardiã de seus papéis por quatro décadas, que doou ao Instituto RIC em 2023. Participante da devoção, não observadora independente dela — seu livro é o relato que a tradição faz de si mesma, e este conjunto de dados o cita como tal[19] [21] [29]

Ana Lígia Lira

Brasil

Jornalista com mestrado em história regional; autora de “O Diário do Silêncio” (2018) e de “O Inquisidor de Cimbres” (2021), este último apresentado pela autora como transcrição integral do diário de Kehrle e das cartas de Maria da Luz. Trabalhou sobre a documentação guardada pelas Damas da Instrução Cristã, em paralelo com Dom Rafael Maria Francisco da Silva OSB. Perspectiva devocional, declarada como tal[17] [16] [31]

Carlos André Silva de Moura

Brasil

Historiador da Universidade de Pernambuco e autor principal do estudo de 2023 sobre o diário de Kehrle, a fonte acadêmica mais sólida deste conjunto de dados. É também presidente da comissão histórica e arquivística da causa de beatificação de Irmã Adélia, e entregou as atas diocesanas em Roma em outubro de 2024 — registrado aqui porque quem pesa o estudo deve saber que seu autor ocupa um papel na causa[1] [22]

Dom Manuel Palmeira da Rocha

1919– · Brasil

Bispo de Pesqueira de 14 de março de 1980 a 26 de maio de 1993; o bispo sob o qual a devoção voltou a ser permitida depois de 1985 e a quem se atribui o decreto de santuário. A data que se costuma dar para esse decreto, 20 de outubro de 1998, cai cinco anos depois do fim de seu episcopado[11] [8] [30]

Organizações relacionadas

Desambiguação e nuances

Uma literatura obscura e majoritariamente devocional cerca este assunto; as distinções abaixo são as que mais frequentemente se perdem nela.

Aprovado para a peregrinação não é o mesmo que aprovado como aparição, e essa é a regra da Igreja, não desta página

Um santuário, uma imagem coroada, uma festa, indulgências, uma visita papal: é razoável ler tudo isso como a Igreja a dizer que a aparição aconteceu. Não é o que a Igreja diz estar a fazer, e desde 2024 di-lo por escrito. As «Normas para proceder no discernimento de presumíveis fenómenos sobrenaturais» do Dicastério para a Doutrina da Fé (17 de maio de 2024) estabelecem seis conclusões possíveis, e o art. 23 é explícito: «por regra, nem o bispo diocesano, nem as conferências episcopais, nem o Dicastério declararão que estes fenómenos são de origem sobrenatural», ainda que o Papa possa autorizar um procedimento especial. O desfecho favorável ordinário é agora o «Nihil obstat», que o art. 17 define como reconhecer «muitos sinais da ação do Espírito Santo» numa experiência espiritual «sem exprimir qualquer certeza sobre a autenticidade sobrenatural do próprio fenómeno». A apresentação do próprio documento acrescenta que a maioria dos santuários «nunca teve uma declaração oficial da natureza sobrenatural dos acontecimentos». A razão está no que é uma revelação privada. A revelação pública encerrou-se com os apóstolos, pelo que nenhuma aparição acrescenta um artigo de fé, e nem mesmo uma aprovada obriga alguém a crer — foi exatamente o que a Congregação para a Doutrina da Fé disse ao publicar em 2000 a terceira parte do segredo de Fátima. O que se pede a um bispo é uma questão pastoral: esta devoção é segura, está livre de erro doutrinal, dá bom fruto? Isso pode responder-se afirmativamente sem responder à questão histórica, e é o que costuma suceder. Os mesmos atos são concedidos a devoções que não têm aparição alguma por trás — Nossa Senhora do Rosário e Nossa Senhora do Carmo têm festa, imagens coroadas e basílicas, e não há aparição relatada para aprovar. Portanto esta página não está a recusar a aprovação; está a dizer quem deu qual, e sobre o quê. Onde um bispo se pronunciou sobre uma aparição, a escala di-lo com as palavras dele e marca o degrau como favorável: Lourdes 1862 e La Salette 1851 estão citados literalmente, Fátima 1930 remete para a sua carta pastoral. O que a escala se recusa a fazer é promover uma coroa a veredicto. Se o fizesse, um caso que um bispo examinou e apoiou pareceria igual a um caso sobre o qual ninguém nunca decidiu, porque ambos têm peregrinos; e o erro inverso viria com a mesma facilidade, lendo um ato romano contra os escritos posteriores de uma vidente como se Roma condenasse a aparição. Manter os objetos separados é a única coisa que faz o gráfico informar seja o que for. Onde as próprias fontes dizem que o reconhecimento da Igreja é «implícito», a página regista também essa palavra, e não a promove.[33]

Cimbres 1936 ≠ a Medalha Milagrosa (Paris, 1830)

'Nossa Senhora das Graças' é também o título brasileiro de Nossa Senhora das Graças da Medalha Milagrosa (Rue du Bac, Paris, 1830). A devoção de Cimbres usa o mesmo título — segundo os registros da investigação, porque a figura relatada respondeu 'Eu sou a graça' — mas é uma aparição relatada distinta, com história própria.[1]

O 'reconhecimento' de 2021 é diocesano, não uma aprovação vaticana das aparições

O ato de 2 de outubro de 2021 é uma carta pastoral do bispo de Pesqueira sobre 'presumíveis aparições' que afirma a 'grande probabilidade' do caráter sobrenatural. O ato vaticano de 2024 (o nihil obstat do Dicastério para as Causas dos Santos) diz respeito à causa de beatificação de Irmã Adélia, não às aparições — apesar de manchetes de imprensa como 'Vaticano reconhece aparição'.[4] [7]

Silêncio documentado ≠ condenação publicada

A tradição devocional fala de uma rejeição eclesial precoce de Cimbres. O que as fontes realmente mostram é mais estreito: nenhum decreto formal — negativo ou positivo — foi localizado para as décadas de 1930–40; o estudo acadêmico documenta a rejeição informal, a não publicação do parecer favorável de Kehrle e estratégias de silenciamento, e a literatura devocional acrescenta (por conta própria) pressão policial e décadas de silêncio imposto. Este conjunto de dados registra essa ausência em vez de inventar um julgamento.[1] [10]

Mãe Tamain ≠ Nossa Senhora das Graças de Cimbres

A devoção xukuru a Nossa Senhora das Montanhas, chamada 'Mãe Tamain', é anterior a 1936 e é a padroeira da paróquia local; é distinta da devoção da aparição de 1936, embora ambas partilhem a mesma montanha.[1] [12]

Uma cura relatada não é um milagre reconhecido

Em Cimbres relatam-se curas em quantidade, e elas são contadas no mesmo fôlego que os atos do bispo. Não são a mesma espécie de coisa. Uma cura entra neste conjunto de dados apenas como relato datado com quem o fez nomeado, ou como ato da Igreja que a reconheça — e em Cimbres não há tal ato, para cura alguma, por autoridade alguma. A recuperação de Irmã Adélia em 1985 é o caso exemplar: é central para a devoção, é o que sua congregação e sua secretária relatam, e nunca foi objeto de uma declaração. As curas estão além disso deliberadamente ausentes da escada de aprovação, que trata dos juízos sobre as aparições.[15] [6] [3]

A data habitual do decreto de santuário não pode estar certa como é contada

Quase todos os relatos, inclusive o do próprio santuário, datam o decreto de santuário em 20 de outubro de 1998 e o atribuem ao bispo Dom Manoel Palmeira da Rocha. Seu episcopado foi de 1980 a 26 de maio de 1993. Ione Paiva, que diz ter recebido a licença junto com Irmã Adélia e que o decreto assinado está impresso em seu livro, dá 1988. Alguma coisa no relato recebido está errada, e o conjunto de dados o diz em vez de repeti-lo.[8] [11] [30]

Os livros por trás dos vídeos, e por que importam mais do que os vídeos

O material devocional em vídeo sobre Cimbres é em grande medida a narração de quatro livros: “Aqui o Céu encontra-se com a Terra” (1987/1990, 10.ª ed. 2024), de Ione Paiva; “O Diário do Silêncio” (2018) e “O Inquisidor de Cimbres” (2021), de Ana Lígia Lira; e “Eu sou a Graça” (2016), de Dom Rafael Maria Francisco da Silva OSB — com o diário do Pe. Kehrle e o de Frei Estevão por trás de todos eles. Os livros também são devocionais, e dois dos quatro são de participantes; mas são citáveis, paginados e verificáveis de um modo que um vídeo não é, e o volume de Lira de 2021 diz imprimir o diário na íntegra. Onde este conjunto de dados repete algo que os vídeos dizem, ele diz quem disse.[19] [16] [17] [18]

Referências

33 fontes · 33 com cópia no Internet Archive. As fontes abrangem o espectro de perspectivas de forma deliberada; afirmações controversas são atribuídas aos seus autores.

  1. O processo inquisitorial das aparições marianas em Cimbres: uma análise do Diário do Padre José Kehrle (1936) · 🗄 arquivado 2024-07-11 Revista Brasileira de História das Religiões (ANPUH), XVI:46, 2023 — Moura & Lopes Neto · acadêmico Estudo acadêmico revisado por pares, a fonte mais sólida alcançada para este conjunto de dados; baseado no manuscrito de Kehrle de 1941 no arquivo diocesano.
  2. Aparições de Cimbres · 🗄 arquivado 2025-12-14 Wikipédia (pt) · enciclopédia
  3. Carta Pastoral: A Diocese de Pesqueira e as presumíveis aparições de Nossa Senhora da Graça (Orientações espirituais e pastorais) · 🗄 arquivado 2022-11-16 Diocese de Pesqueira — Subsídios Pastorais 1, Pesqueira, 2 October 2021 · oficial O próprio ato, publicado pela diocese que o emitiu — fonte primária para a redação, a data e o alcance da declaração de 2021. Confessional por natureza: é ao mesmo tempo o relato do caso feito pelo bispo e o seu juízo sobre ele.
  4. Bispo de Pesqueira reconhece 'presumíveis aparições' de Nossa Senhora em Cimbres · 🗄 arquivado 2025-12-10 ACI Digital · imprensa A agência de notícias católica em português da EWTN — um veículo confessional, citado aqui pela sua reportagem sobre o ato do bispo, não como juízo independente a respeito dele.
  5. Irmã Adélia, vidente de Cimbres, é serva de Deus · 🗄 arquivado 2025-07-11 ACI Digital · imprensa A agência de notícias católica em português da EWTN — um veículo confessional, citado aqui pela sua reportagem sobre o ato do bispo, não como juízo independente a respeito dele.
  6. Fase diocesana do processo de beatificação de irmã Adélia chega ao fim · 🗄 arquivado 2025-12-09 ACI Digital · imprensa A agência de notícias católica em português da EWTN — um veículo confessional, citado aqui pela sua reportagem sobre o ato do bispo, não como juízo independente a respeito dele.
  7. Irmã Adélia é reconhecida como 'Serva de Deus' pelo Vaticano · 🗄 arquivado 2026-02-13 Canção Nova Notícias · imprensa Mídia católica brasileira — um veículo confessional, citado pela sua cobertura de atos datados e não como avaliação independente.
  8. História do Santuário · 🗄 arquivado 2025-07-21 Santuário Nossa Senhora das Graças — Cimbres · web O relato do próprio santuário — perspectiva devocional e única fonte para várias datas (entronização de 1942, decreto de santuário de 1998). O site retorna 403 a clientes que não são navegadores; carrega com um User-Agent de navegador comum.
  9. Cimbres — Aparições de Nossa Senhora · 🗄 arquivado 2025-07-16 Salve Maria Imaculada · web Um site devocional, assinalado como tal: uma compilação que traz transcrições dos interrogatórios; usado apenas para datas de detalhe, sempre sinalizadas.
  10. As aparições em Cimbres — Um maternal aviso · 🗄 arquivado 2026-08-10 Revista Arautos do Evangelho (A revista dos Arautos do Evangelho — uma perspectiva devocional, citada como tal.) · imprensa
  11. Diocese of Pesqueira · 🗄 arquivado 2025-11-12 Catholic-Hierarchy.org · base de dados Uma base de dados de referência sobre dioceses e seus ordinários, compilada a partir dos avisos de nomeação publicados pela Santa Sé; útil para as datas episcopais, não um ato da Igreja em si. Citada aqui por uma coisa que a literatura devocional erra: o episcopado de Dom Manuel Palmeira da Rocha terminou em 26 de maio de 1993, o que não se concilia com a data de 1998 do decreto que o santuário informa.
  12. Xukuru — Povos Indígenas no Brasil · 🗄 arquivado 2026-05-20 Instituto Socioambiental · enciclopédia Uma organização de pesquisa independente que documenta territórios indígenas; citada pelo contexto xukuru, não pela alegação sobre a aparição.
  13. Caso Povo Indígena Xucuru e seus membros vs. Brasil — Resumo oficial da sentença de 5 de fevereiro de 2018 · 🗄 arquivado 2024-05-28 Corte Interamericana de Direitos Humanos (O resumo oficial da própria Corte sobre a sentença — primário para a data e o conteúdo da decisão.) · jurídico
  14. A vidente Irmã Adélia que viu Nossa Senhora das Graças em Cimbres, Pernambuco · 🗄 arquivado 2026-08-10 Aleteia · imprensa Mídia católica — um veículo confessional, citado pela sua cobertura de atos datados e não como avaliação independente.
  15. Maria, Mariana na Serra do Ororubá – PE (1936-2016) · 🗄 arquivado 2026-08-24 Múcio Rodrigues Barbosa de Aguiar Neto — dissertação de mestrado em Ciências da Religião, Universidade Católica de Pernambuco (UNICAP), Recife, 2016 · acadêmico Orientada pela Prof.ª Dr.ª Sylvana Maria Brandão de Aguiar. Uma dissertação universitária de mestrado, e a narrativa acadêmica mais completa da sequência de 1936–37 alcançada para este conjunto de dados: reconta os fatos a partir do diário do Pe. Kehrle tal como impresso no livro de Ione Paiva, e seu terceiro capítulo reúne os testemunhos de cura. De tom simpático e dependente de uma edição devocional para seu material primário — é um estudo do relato que a tradição faz de si mesma, não uma verificação independente dele. Publicada comercialmente em 2018 como “Aparições e milagres de Nossa Senhora em Cimbres: entre a fé e as ciências” (Novas Edições Acadêmicas).
  16. O Inquisidor de Cimbres: a história do padre que recebia flores de Nossa Senhora · 🗄 arquivado 2026-08-24 Ana Lígia Lira — Juazeiro do Norte: Editora Apascentar, 2021, 296 pp., ISBN 978-65-995525-2-6 · livro Pesquisa devocional, e o item mais consequente desta bibliografia: a autora afirma que o livro transcreve na íntegra o diário do Pe. José Kehrle e as cartas de Maria da Luz. Se isso se sustentar, o “Manuscripto” de 1941 sobre o qual todo este caso repousa — guardado no arquivo diocesano de Pesqueira e fora da internet — existe impresso. Citado aqui como pista a ser cotejada com o arquivo, não como o arquivo. A loja da própria editora estava inacessível em agosto de 2026; o link vai por uma base de dados de livros.
  17. O Diário do Silêncio: o alerta da Virgem Maria contra o comunismo no Brasil · 🗄 arquivado 2022-06-13 Ana Lígia Lira — Editora Ecclesiae, 2018, 252 pp., ISBN 978-85-84911-04-2 · livro Perspectiva devocional, de uma jornalista com mestrado em história regional que trabalhou sobre a documentação guardada pelas Damas da Instrução Cristã. O subtítulo enuncia o enquadramento do livro — as aparições como alerta contra o comunismo — e esse enquadramento é da autora. O site da editora devolve 403 a clientes que não sejam navegadores. Uma quarta edição foi lançada em Pesqueira.
  18. Eu sou a Graça: as aparições de Nossa Senhora das Graças em Pernambuco · 🗄 arquivado 2026-04-15 Dom Rafael Maria Francisco da Silva OSB — Editora Ecclesiae, 2016, 352 pp., ISBN 85-84910-34-4 · livro Beneditino do Mosteiro de São Bento de Olinda, doutor em mariologia pelo Marianum de Roma; o contraponto teológico ao trabalho histórico de Lira, tendo os dois autores pesquisado a mesma documentação em paralelo. Devocional e confessional por concepção. O link vai pelo aviso de lançamento publicado pelo veículo do Santuário Nacional de Aparecida, já que a página da editora bloqueia robôs.
  19. Aqui o Céu encontra-se com a Terra · 🗄 arquivado 2026-06-07 Ione Maria Cavalcanti Paiva — Recife: Gráfica Barreto, 1990 · livro O relato escrito subjacente que a maior parte da mídia sobre Cimbres narra. Sua autora foi secretária de Irmã Adélia desde 1985, guardou seus papéis por quatro décadas e escreveu a pedido dela; o livro reproduz material do diário de Kehrle ao lado das mensagens da própria Adélia. Devocional no sentido mais forte — o livro de uma participante, distribuído gratuitamente em vez de vendido — e a fonte que a dissertação da UNICAP de 2016 cita como primária. Toda citação deste conjunto de dados que passe por ele fica marcada como tal. Uma primeira edição saiu em 1987/1988 e uma décima, revista e ampliada, em maio de 2024; a dissertação de 2016 cita a impressão de 1987, que é a paginação seguida por suas citações.
  20. Irmã Adélia — publicações e biografia (site oficial da causa) · 🗄 arquivado 2026-06-07 Instituto das Religiosas da Instrução Cristã (Instituto RIC) / Rede Damas Educacional · web O site da congregação que promove a causa de beatificação — parte interessada, citada pela bibliografia que lista e pelos atos que relata, não como avaliação deles.
  21. Cerimônia de doação de registros históricos de irmã Adélia ao Instituto é celebrada · 🗄 arquivado 2026-08-10 Instituto das Religiosas da Instrução Cristã, 2023 · web O relato da própria instituição que recebeu a doação — primário quanto à data e ao conteúdo, confessional quanto ao seu significado.
  22. Processo de beatificação e canonização de Irmã Adélia avança no Vaticano com entrega de documentos e encontro com o Papa Francisco · 🗄 arquivado 2026-04-16 Associação Nacional de Educação Católica do Brasil (ANEC), 2024 · imprensa Uma associação católica de educação que noticia uma congregação de sua rede — confessional, citada pelos atos datados e pelos nomes dos responsáveis pela causa.
  23. Pe. Joseph Kehrle · 🗄 arquivado 2026-01-07 Santuário Nossa Senhora das Graças — Cimbres · web A página biográfica do santuário — devocional, e internamente imprecisa (imprime o ano de nascimento dele como 1981). Usada para os postos e as datas que dá quando coincidem com outros relatos, e sinalizada quando não.
  24. Maria da Conceição Silva · 🗄 arquivado 2026-08-24 Santuário Nossa Senhora das Graças — Cimbres · web A página biográfica do santuário dedicada à vidente mais velha — a única fonte alcançável que dá seu local de nascimento, seus pais, sua data de morte e sua sepultura; devocional, e fonte única para todos esses dados.
  25. Irmã Adélia — biografia e datas · 🗄 arquivado 2026-08-24 Santuário Nossa Senhora das Graças — Cimbres · web A página biográfica do santuário, e a lista alcançável mais precisa das datas de sua formação religiosa (postulantado, noviciado, votos). Devocional; as datas de formação não estão confirmadas de forma independente.
  26. Aparição de Nossa Senhora das Graças em Cimbres completa 90 anos de devoção · 🗄 arquivado 2026-08-10 Diario de Pernambuco, 1 August 2026 — Adelmo Lucena · imprensa Um diário regional laico, e um dos poucos veículos não confessionais a cobrir o caso; citado pela configuração atual do santuário e pela romaria. Repete a data de 1998 do próprio santuário sem conferi-la.
  27. A saga da eleição que não acabou em Pesqueira (PE): o cacique Xukuru, a santa e o TSE · 🗄 arquivado 2025-12-26 Brasil de Fato, 14 December 2020 · imprensa Um veículo independente de esquerda, que escreve sobre a política de Pesqueira e não sobre a devoção; citado apenas pelo seu relato de uma declaração episcopal de 1986 e pela distinção que traça entre os romeiros do santuário e a devoção xukuru a Mãe Tamain.
  28. Pesqueira (Pernambuco) · 🗄 arquivado 2025-12-24 Wikipédia (pt) · enciclopédia Usada apenas para a cronologia colonial e municipal de Cimbres e de Pesqueira, onde concorda com a historiografia local; não é usada para nada relativo às aparições.
  29. Aparições de Nossa Senhora em Cimbres — Irmã Adélia, Serva de Deus (Entre 3 Atos #020, com Ione Paiva) · 🗄 arquivado 2026-09-07 Jornada Infinita (YouTube) · vídeo Comentário devocional, assim rotulado, gravado no convento das Damas da Instrução Cristã no Recife — uma entrevista longa com a autora do principal livro da tradição. Citado apenas pelo que a própria Ione Paiva afirma, como posição atribuída, nunca como evidência de que o afirmado tenha acontecido. Transcrição preservada no arquivo do projeto (legendas automáticas, limpas); os nomes próprios nela não são confiáveis.
  30. Aparição de Cimbres e as profecias de Nossa Senhora para o Brasil (Ep. #252, com Ione Paiva) · 🗄 arquivado 2026-09-27 Anima Podcast (YouTube) · vídeo Comentário devocional, assim rotulado. Seu enquadramento — as mensagens relatadas lidas como profecia para o Brasil — é de quem fala e aqui é registrado apenas como o que a tradição sustenta. Citado pela datação que Ione Paiva faz do decreto de santuário, que difere da do santuário. Transcrição preservada no arquivo do projeto.
  31. Live com Ana Lígia Lira — Aparições de Nossa Senhora das Graças em Cimbres (May 2021) · 🗄 arquivado 2026-09-07 Felipe Rinaldo Queiroz (YouTube) · vídeo Comentário devocional, assim rotulado. Citado por duas coisas que a autora diz sobre a própria pesquisa: o arquivo em que trabalhou e — perguntada se Roma tem processo sobre Cimbres — sua resposta de que se diz que sim “nos bastidores”, mas “não tenho provas disso, não tenho dados disso”. Transcrição preservada no arquivo do projeto.
  32. Aparições de Nossa Senhora da Graça de Cimbres — série em capítulos (playlist, chapters 1–11, 13, 14) · 🗄 arquivado 2026-09-21 rezar e amar (YouTube), c. 2023 · vídeo Comentário devocional, assim rotulado: uma narração capítulo a capítulo cujo primeiro capítulo nomeia as próprias fontes — os livros de Dom Rafael Maria e de Ana Lígia Lira e, por trás deles, os papéis de Kehrle e de Frei Estevão. O capítulo 12 está ausente da playlist tal como publicada; os capítulos 11 e 13 deixam uma lacuna que cobre os fatos entre meados de setembro de 1936 e o fim das aparições relatadas. Transcrições preservadas no arquivo do projeto.
  33. Norms for Proceeding in the Discernment of Alleged Supernatural Phenomena (17 May 2024) · 🗄 arquivado 2026-07-24 Dicastery for the Doctrine of the Faith, Holy See · oficial O procedimento em vigor na Igreja para julgar aparições relatadas, vigente desde 19 de maio de 2024; o seu art. 27 substitui integralmente as normas de 25 de fevereiro de 1978. Lido na íntegra para este conjunto de dados. É citado pela regra que enuncia e não por algo que decida sobre este caso: não é aplicado retroativamente, e nenhum caso desta cronologia foi julgado ao seu abrigo.