Cronologia de Olavo de Carvalho (1947–2022): vida e obra
Uma cronologia aberta e referenciada a fontes de Olavo de Carvalho — filósofo autodidata e polemista, professor do Curso Online de Filosofia e referência intelectual central da Nova Direita brasileira; antes jornalista e, brevemente, astrólogo profissional.
🌐 Tradução do inglês escrita pelo assistente, sem revisão humana; a página em inglês é a versão de referência.
Sobre
Conjunto de dados em elaboração, compilado a partir de fontes públicas (veja as referências). As afirmações contestadas — sobretudo sua influência sobre o governo Bolsonaro, a causa de sua morte e os episódios de sua trajetória inicial — são atribuídas a seus autores, nunca afirmadas na voz deste site. As datas não verificadas com uma fonte primária estão sinalizadas. Correções com base em fontes primárias são bem-vindas.
Quem
Olavo Luiz Pimentel de Carvalho — filósofo autodidata e polemista, a partir de 2009 professor do Curso Online de Filosofia (COF); antes jornalista e astrólogo profissional por volta de 1979–1982[1][9][29]
Nascimento
29 de abril de 1947, Campinas, São Paulo, Brasil[1][9][40]
Morte
Na noite de 24 de janeiro de 2022, num hospital da região de Richmond, Virgínia (EUA), aos 74 anos; anunciada pela família na madrugada de 25 de janeiro. A causa foi publicamente contestada — veja a cronologia[1][2][4][8]
Residência
Cidadão brasileiro; residente nos Estados Unidos (região de Richmond, Virgínia) de 2005 até sua morte; sepultado no St. Joseph's Cemetery, Petersburg, Virgínia[9][1][39]
Condecorações
Medalha do Pacificador (Exército Brasileiro, 25 de agosto de 1999); Comendador da Ordinul naţional Pentru Merit da Romênia (por decreto do presidente Emil Constantinescu, 5 de dezembro de 2000); Medalha Mérito Santos Dumont (Força Aérea Brasileira, 20 de julho de 2001); Grã-Cruz da Ordem de Rio Branco (2019 — contestada, veja a cronologia). Os dias e meses das duas brasileiras são os do currículo dele; a data romena é a do decreto.[1][55][86][10][23]
Família
Casado com Roxane Andrade de Souza; oito filhos e dezoito netos por ocasião de sua morte[1][9]
Cronologia
Principais acontecimentos em ordem cronológica. Uma marca ? indica
datas ainda não verificadas com uma fonte primária.
19471947-04-29
Campinas, SP, Brasil
Nasce em Campinas, São Paulo
Nasce Olavo Luiz Pimentel de Carvalho. Os obituários registram que teve pouca escolaridade formal e que se descrevia como autodidata.[1][9][40]
1954c. 1947–1954 ?
A doença e o corpoBrasil
Doença na infância — seu próprio relato
Sua história de origem mais repetida no curso: doente desde o nascimento e acamado durante os sete primeiros anos com febre constante, curado depois súbita e inexplicavelmente por volta dos sete anos, indo direto para a escola em seguida (contado, entre outros lugares, nas aulas de 9 de outubro de 2010 e 20 de abril de 2013). Numa aula de 16 de janeiro de 2010 acrescentou que nascera com um tumor na traqueia nunca diagnosticado, que ainda carregava aos sessenta e poucos anos; numa aula de c. 2020 ligou seu enfisema de diagnóstico tardio a uma operação pulmonar de décadas antes. Tudo isso é seu próprio testemunho retrospectivo, via as transcrições comunitárias, não verificado contra o áudio — registrado aqui como testemunho, não como prontuário médico. Uma segunda linha de seu próprio testemunho descreve a condição em si, duas vezes. Em 10 de agosto de 2009 disse ter nascido com um tumor na traqueia e uma bronquite infecciosa quase fatal por sete anos — embora quinze dias depois tenha afirmado que ninguém sabia o que ele tinha, uma hesitação que convém registrar e não alisar. De novo em seu programa de 14 de abril de 2010 — oito anos antes da cirurgia e doze antes de sua morte — disse ter nascido com um tumor na traqueia, cujo tamanho comparou ao de uma laranja. Na mesma passagem afirmou que fumava desde os quinze anos, três maços por dia havia mais de quarenta anos. Ambas são declarações suas em transmissões transcritas por máquina e nenhuma é um registro médico; a primeira é o relato em primeira pessoa mais antigo até agora encontrado da condição congênita que a cirurgia de 2018 removeria, e é muito anterior às disputas que se seguiram à sua morte.[37][76]
1966 ?
Juventude comunistaSão Paulo, Brasil
Breve filiação ao Partido Comunista Brasileiro (PCB)
Um perfil da BBC Brasil construído sobre uma entrevista presencial (Fellet, dezembro de 2016) afirma 'Entre 1966 e 1968, militou no Partido Comunista'; o historiador Gilberto Calil registra uma breve passagem pelo PCB nos anos 1960, sem datas exatas. A datação repousa sobre a lembrança dele próprio, tal como relatada pelo entrevistador, e por isso a marca permanece. No curso ele mesmo delimitou o período: em 1964 era um estudante secundarista de vaga simpatia esquerdista, ainda não militante, e recordou ter entrado no partido 'para arrumar confusão' e ter passado vinte anos tirando de si aquela influência (aulas de 2009 e 2014, segundo as transcrições comunitárias).[56][29][41][37]
19771977-02
O jornalismo e a imprensaSão Paulo, Brasil
Primeiras colaborações na Folha de S.Paulo
As duas Wikipédias datam de fevereiro de 1977 seu primeiro texto na Folha de S.Paulo (no caderno Folhetim, sobre A Flauta Mágica). Outras fontes recuam o início de seu jornalismo — a Gazeta do Povo diz que começou aos 17 anos na Folha da Manhã; Calil diz que passou a escrever em grandes jornais em 1967. As fontes não conciliam essas versões, e podem estar descrevendo funções diferentes. Seu próprio relato no curso: trabalhando desde os 14 anos para aliviar o fardo da mãe, e entrando no jornalismo aos 17 justamente porque a jornada legal de cinco horas deixava tempo para estudar (aula de 13 de novembro de 2010, entre outras), com o registro profissional obtido depois por tempo de serviço.[40][41][9][37]
1979
A astrologia e a busca esotéricaSão Paulo, Brasil
Cofunda a Escola Júpiter de Astrologia
Trabalhou profissionalmente como astrólogo c. 1979–1982, cofundando a escola e sua Revista de Astrologia Júpiter e colaborando num curso de extensão universitária de astrologia na PUC-SP; Calil (2021) informa que a escola tinha cerca de 140 alunos por volta de 1980. Mais tarde abandonou e repudiou a astrologia. Seu próprio relato no curso: astrólogo profissional por cerca de dois anos, com uns 5.000 mapas interpretados — psiquiatras lhe mandavam horóscopos de pacientes — e a escola fechando por volta de 1980; largou a atividade depois de julgar as técnicas pouco sérias.[41][40][29][9][37]
1980 ?
A astrologia e a busca esotéricaA filosofia e o ensinoSão Paulo, Brasil
Primeiro livro: A Imagem do Homem na Astrologia
A data de 1980 corresponde a uma brochura de 38 páginas (Ed. Júpiter), nascida do curso de astrologia de 1979 na PUC-SP. O currículo do próprio Olavo abre sua lista de 'Livros publicados' com três títulos de 1983 (Speculum) — o que explica o 'primeiro livro, 1983' da Agência Brasil: as duas datas descrevem coisas diferentes (uma apostila de curso e seus primeiros livros propriamente ditos). A edição de 1980 só é atestada por listagens do comércio livreiro, e por isso a marca permanece.[41][1][55]
1982 ?
A astrologia e a busca esotéricaO tradicionalismo e a tariqaBrasil
Entra no meio tradicionalista / perenialista
Segundo Calil (2021), por volta de 1982 ele ingressou num grupo esotérico da 'Tradição'. A história do tradicionalismo brasileiro de Sedgwick, revisada por pares (2021), documenta o arco: um interesse pelo tradicionalismo desde 1977, depois de ganhar a antologia de Jacob Needleman The Sword of Gnosis; a conferência de Michel Veber sobre Guénon na Escola Júpiter em 1980 e uma nova série em 1981; sua própria tradução de La Métaphysique orientale, de Guénon (A Metafísica Oriental, Escola Júpiter, 1981); um artigo na revista New Age Planeta (n.º 107, agosto de 1981) que chama Veber de 'meu professor' — no qual escreveu também que Veber estudara sob a orientação pessoal de Guénon, o que Sedgwick observa ser impossível, pois Veber tinha quatro anos quando Guénon deixou a França em 1930; a fundação de um Instituto de Estudos Tradicionais; e o primeiro artigo tradicionalista a sair num grande jornal brasileiro, 'Moralidade sem Deus?' (Jornal da Tarde, 27 de fevereiro de 1982). Ele também levou seguidores para A Tradição, a organização de Omar Ali Shah, e rompeu com ela depois de concluir que seu líder era um 'con-man' (Sedgwick, citando o termo que ele usou) — uma disputa pública que chegou à polícia. Datação aproximada para o próprio ingresso no grupo; todas as caracterizações são desses estudiosos.[29][30][75]
1984 ?
O tradicionalismo e a tariqaBrasil
Envolvimento com o islã sufi (a Maryamiyya de Frithjof Schuon)
Calil (2021) afirma que ele se converteu ao islã em 1984, adotou o nome Sidi Mohammad Ibrahim e montou uma tariqa própria, que se dissolveu em poucos meses. Sedgwick (2021) documenta a sequência a partir da correspondência com Lings: depois de procurar Marco Pallis, Carvalho e alguns de seus seguidores se corresponderam com Martin Lings, que explicou ser 'entrar no islã' a preparação apropriada para a tariqa maryami — e foi o que fizeram. As cartas de Lings o tratam por 'Sidi Muhammad' a partir de junho de 1985; foram depositadas no tribunal estadual de São Paulo em 1990 como prova num processo movido por um ex-seguidor, que Carvalho venceu. Sedgwick o situa na conferência tradicionalista de 1985 em Lima, onde Lings estava presente, mas marca essa presença como deduzida, e não documentada; registra que em 1986 Carvalho levou um grupo de brasileiros a Bloomington, Indiana, onde Schuon o nomeou muqaddam (representante sufi) para o Brasil. O próprio Carvalho disse depois que havia 'entrado' no islã, e não se convertido, no sentido de Guénon. Sobre a saída, Sedgwick é apenas relativo — 'em poucos anos' ele se desencantou, contando a um entrevistador ter descoberto que Schuon apoiava um rival pela liderança da Maryamiyya brasileira e havia endossado boatos contra ele —, o que converge com seu próprio relato no curso: conheceu Schuon em 1986, foi feito muqaddam à chegada, ficou cerca de um ano e meio, provocou a própria expulsão, situando a saída por volta de 1987–88 (segundo as transcrições comunitárias). Mais tarde renegou os livros do período, por refletirem 'mais um dever de obediência' a Schuon do que seu próprio pensamento.[29][30][75][37]
1986
O tradicionalismo e a tariqaA filosofia e o ensinoSão Paulo, Brasil
Publica Fronteiras da Tradição, seu primeiro livro além da astrologia
Conferências de seu período de ensino tradicionalista — várias delas dadas primeiro na Editora Astrociência, no Rio de Janeiro — são publicadas como Fronteiras da Tradição (São Paulo: Nova Stella, 1986), segundo Sedgwick (2021) seu primeiro livro sobre tema que não a astrologia. Suas referências são 'quase sem exceção' os grandes autores tradicionalistas; o livro defende uma religião ortodoxa como moldura exotérica da prática esotérica e adverte contra as organizações pseudoiniciáticas, citando A Tradição como exemplo. O volume reimprime ainda o artigo de 1982 no Jornal da Tarde.[75]
19871987-03 ?
A filosofia e o ensinoRio de Janeiro, Brasil
O curso que o currículo dele chama de começo do seminário
Seu currículo registra um curso chamado “Introdução à Vida Intelectual”, ministrado de março de 1987 a março de 1989 no Instituto Sto. André, no Rio de Janeiro, e acrescenta que, sob o nome de Seminário Permanente de Filosofia e Humanidades, ele “prossegue até hoje” em São Paulo. Essa é a afirmação dele próprio de uma linha de ensino ininterrupta, e é a única origem datada que o seminário tem: nenhum registro independente de uma fundação foi encontrado, e a ficha da organização mantém a data sem verificação. Ela convive, mais do que colide, com o “ensinando desde 1989” que ele dá no curso on-line: o curso do Rio termina em março de 1989 e o seminário rebatizado assume dali em diante, de modo que as duas autodatações marcam pontos de partida diferentes. A frase que sustenta a afirmação não é datada, como o resto do documento: as seções do currículo foram revistas em momentos diferentes, e portanto “até hoje” data de quando aquele parágrafo foi mexido pela última vez. A lista de apostilas internas de curso — quarenta e dois fascículos sob o nome Seminário Permanente — é o único outro vestígio do curso ali.[55][37]
1994
A filosofia e o ensinoA astrologia e a busca esotéricaRio de Janeiro, Brasil
Publica A Nova Era e a Revolução Cultural
Sobre Gramsci e Fritjof Capra (Instituto de Artes Liberais); os obituários o tratam como o livro que o estabeleceu como polemista conservador.[40][9][29]
1995
A filosofia e o ensinoRio de Janeiro, Brasil
Publica O Jardim das Aflições
Subtitulado 'de Epicuro à ressurreição de César' (Diadorim); reeditado mais tarde, e origem do título do documentário de 2017.[40][9]
1996
A filosofia e o ensinoRio de Janeiro, Brasil
Publica Aristóteles em Nova Perspectiva
Sua leitura de Aristóteles pela 'teoria dos quatro discursos' (Topbooks); o ano e a editora repousam sobre uma única fonte terciária.[40]
1996
A filosofia e o ensinoRio de Janeiro, Brasil
Publica O Imbecil Coletivo
Sua polêmica contra a intelectualidade brasileira ('atualidades inculturais brasileiras'); Calil (2021) observa que alcançou circulação significativa e o tornou figura pública.[9][29][41]
19991999-08-25 ?
A política e a influência atribuídaBrasil
Recebe a Medalha do Pacificador (Exército Brasileiro)
Seu currículo data a medalha em 25 de agosto de 1999 e aponta o Comando do Exército Brasileiro como autoridade que a concedeu. Maria Cristina Fernandes, no Valor Econômico em abril de 2019, situa-a no mesmo ano de uma palestra que ele fez para uma plateia militar e atribui-a ao então ministro do Exército, general Gleuber Vieira, que — segundo ela — também lhe escrevera elogiando seu trabalho como “inteligente, prudente, equilibrado e de bom senso”. Ela não nomeia a palestra; a única militar que o currículo dele data em 1999 é “Reparando uma injustiça pessoal”, no Clube Militar do Rio de Janeiro, em 31 de março. O resumo de carreira do obituário da Agência Brasil registra a medalha sem data.[1][55][88]
O ano está no obituário da Agência Brasil e as circunstâncias no Valor Econômico; o dia exato, 25 de agosto de 1999, vem do currículo dele e não foi conferido em boletim do Exército.
2000
A filosofia e o ensinoA política e a influência atribuídaPorto Alegre, RS, Brasil
Fala no 13º Fórum da Liberdade
Sua aparição gravada mais antiga que se conservou. O tema da edição era o quinto centenário brasileiro — 'Mil anos: o Brasil em perspectiva' — e ele sustentou que um país que refletia sobre quinhentos anos de história havia reduzido a pergunta a uma discussão sobre a política econômica do momento. Chamou essa distância de paralaxe, tomando o termo da fotografia, e a aplicou à classe letrada, e não a um indivíduo. Olívio Dutra, então governador do Rio Grande do Sul, havia falado da mesma tribuna, e Carvalho respondeu a ele pelo nome ao mesmo tempo em que o chamava de honesto. A gravação não informa o número da edição; ele é fixado pela própria lista de edições do Fórum.[80][78]
20002000-12-05
A política e a influência atribuídaRomênia
Feito Comendador da Ordinul naţional Pentru Merit da Romênia
O decreto 581, de 5 de dezembro de 2000, assinado pelo presidente Emil Constantinescu e referendado pelo primeiro-ministro Mugur Isărescu, confere a Ordinul naţional Pentru Merit a uma lista de agraciados brasileiros e romenos “em sinal de apreço pela contribuição dada ao desenvolvimento das relações romeno-brasileiras”. No grau de Comandor, entre um colecionador de arte e um cônsul honorário, está “domnului Olavo de Carvalho, profesor universitar” — uma descrição que o decreto fornece e que não aparece em lugar nenhum do currículo dele. O decreto foi publicado no Monitorul Oficial I n.º 648, de 12 de dezembro de 2000, e a imprensa romena voltou a citá-lo ao noticiar sua morte em janeiro de 2022. O currículo registra a mesma condecoração e a mesma data, e documenta a ligação romena por trás dela: uma comunicação no congresso Latinité et Nouvel Ordre Mondial, em Cluj-Napoca, em julho de 1998, entrevistas de rádio e de imprensa em Bucareste no fim de 1998, e uma conferência sobre filósofos brasileiros do século XX na Casa de América Latina, em Bucareste, em 8 de setembro de 1999.[86][87][55]
20012001-07-20 ?
A política e a influência atribuídaBrasil
Recebe a Medalha Mérito Santos Dumont (Força Aérea Brasileira)
Registrada sem data no resumo de carreira do obituário da Agência Brasil. O próprio currículo dele a data em 20 de julho de 2001 e aponta o Comando da Aeronáutica como autoridade que a concedeu.[1][55]
O ano está no obituário da Agência Brasil; o dia exato, 20 de julho de 2001, vem do currículo dele e não tem confirmação independente.
2002
A política e a influência atribuídaO jornalismo e a imprensaBrasil
Funda o site Mídia Sem Máscara
Um site de crítica de mídia contra o que descrevia como viés esquerdista da imprensa brasileira; Calil (2021) o trata como sua principal plataforma ideológica de 2002 até sair do ar por volta de 2017.[29][40][41][92]
O domínio .org foi registrado em 24 de julho de 2002 e o site já servia conteúdo em 11 de agosto, o que constitui um limite independente sobre o ano de fundação, e não uma repetição dele.
2002
A filosofia e o ensinoO jornalismo e a imprensaCuritiba e São Paulo, Brasil
Grava o Curso História Essencial da Filosofia — já sua quinta edição
Um curso de história da filosofia em oito sessões, gravado em vídeo pela editora É Realizações, que vai dos pré-socráticos ao advento do cristianismo. Ele mesmo o data nas gravações e diz já tê-lo lecionado quatro vezes, a primeira no Rio em 1993 — de modo que esta é a quinta edição de um curso já com uma década, não um curso novo. É ministrado ao vivo e presencialmente, na mesma sala que seu Seminário de Filosofia, que ele menciona reunir-se no dia seguinte: o seminário existia, portanto, no Brasil três anos antes de ele emigrar. As gravações são a exposição sistemática mais completa de sua leitura dos filósofos antes de o Curso Online de Filosofia começar em 2009, e a coleção impressa delas derivada vai até 2006.[77]
2002
A política e a influência atribuídaA filosofia e o ensinoPorto Alegre, RS, Brasil
Fala no 15º Fórum da Liberdade, sobre o futuro da democracia
Sobre o tema da edição, 'Os desafios da democracia no século XXI'. Expôs três perigos para a democracia: a hegemonia e o estado ampliado de Gramsci, vendidos com o nome de sociedade civil organizada; a extensão da democracia para além do domínio político e jurídico, que segundo ele a transforma no seu contrário; e um terceiro que ele mesmo nomeou, o economicismo liberal. A gravação não informa o número da edição e é anterior à eleição presidencial de outubro — as perguntas da plateia se referem aos candidatos daquele ano como ainda em disputa.[81][78]
2004
A filosofia e o ensinoO jornalismo e a imprensaPorto Alegre, RS, Brasil
Debate com Eduardo Bueno sobre cultura e desenvolvimento no 17º Fórum da Liberdade
O mediador nomeia a edição do palco. Bueno tratou do século XVI; Carvalho, do presente, sustentando que a definição constitucional brasileira de cultura — tudo aquilo que dá testemunho de um modo de existência — coloca a cultura nas antípodas do cultivo e do culto, e que nenhum surto de criatividade filosófica da história veio depois de um surto econômico. Nomeou Mário Ferreira dos Santos como um filósofo de porte mundial que o Brasil havia deixado fora de catálogo.[82][78]
2005
A filosofia e o ensinoO jornalismo e a imprensaVirgínia, EUA
Muda-se para os Estados Unidos
Estabeleceu-se na região de Richmond, Virgínia, onde viveu até a morte. O ano aparece de forma consistente em obituários e perfis — todos secundários — e ele próprio o confirma no ar: respondendo em 8 de outubro de 2007 a um ouvinte que acabara de sair do Brasil, diz que está aqui há dois anos, o que situa a mudança no segundo semestre de 2005 e é a única datação em primeira pessoa encontrada até agora. Na mesma resposta diz que a sua primeira visita aos Estados Unidos foi em 1986, quando já era um homem adulto, casado e pai de vários filhos — o ano em que o material tradicionalista o situa em Bloomington.[9][1][10][40][99]
2005
A política e a influência atribuídaPorto Alegre, RS, Brasil
Divide a tribuna com Oded Grajew no 18º Fórum da Liberdade
Anunciado do palco como a décima oitava edição, sobre 'A cultura do trabalho', com o jurista cingalês-australiano Suri Ratnapala e com Oded Grajew, um dos fundadores do Fórum Social Mundial, contra cujos encontros de Porto Alegre este Fórum foi fundado. Grajew se retirou antes da vez de Carvalho. Carvalho descreveu um ciclo de setenta anos de intervenção estatal nas relações de trabalho e em seguida reformulou o debate como uma assimetria de forças, e não como uma disputa entre programas — nomeando o industrial Jorge Gerdau e um punhado de empresários de um lado e, do outro, as FARC, o Foro de São Paulo, a União Europeia, a ONU e as grandes fundações norte-americanas. Meses depois emigrou.[83][78][79]
20052005-09-15 ?
A política e a influência atribuídaArlington, VA, EUA
Primeira palestra datada para uma plateia de Washington, na Atlas Foundation
Quatro meses depois de se instalar na Virgínia, seu currículo registra uma palestra intitulada “Brazilian left: from victory to defeat to victory again” na Atlas Foundation for Economic Studies, em Arlington, Virgínia. Seu currículo em inglês dá a mesma data a uma palestra na “Atlas Economic Research Foundation”, em Washington D.C., e acrescenta uma segunda palestra oito dias depois, no Center for Latin American Studies da Universidade de Georgetown, em 23 de setembro de 2005, que o currículo em português omite por completo. Os dois documentos são dele; nenhum programa, reportagem ou gravação de qualquer das duas ocasiões foi encontrado.[55][90]
20062006-02-19 ?
A política e a influência atribuídaArlington, VA, EUA
A tese do Foro de São Paulo, apresentada no Intelligence Summit
Seu currículo registra uma palestra intitulada “Neocommunist rise: The São Paulo Forum and the Strategical Unity of the Latin-American Left” no Intelligence Summit 2006, em Arlington, Virgínia, em 19 de fevereiro de 2006 — a apresentação datada mais antiga de sua tese sobre o Foro de São Paulo para uma plateia dos Estados Unidos que qualquer documento dele registre. A ocasião em si está documentada de forma independente: a ABC News, ao noticiar em 14 de fevereiro de 2006 que ali seriam divulgadas gravações de Saddam Hussein, descreveu “uma reunião não governamental — chamada Intelligence Summit 2006 — neste fim de semana em Arlington, Va.”, o que situa o congresso no fim de semana de 17 a 19 de fevereiro. O que não está documentado fora dos papéis dele é que ele estivesse na programação. Seu currículo em inglês data a mesma palestra em 19 de fevereiro de 2007, em Washington D.C. — mais um lembrete de que um currículo não pode resolver uma questão sobre si mesmo.[55][89][90]
O congresso é datado e localizado por fontes externas; a presença dele na programação repousa no seu próprio currículo, cuja versão em inglês data a mesma palestra um ano depois.
20062006-09-12 ?
A política e a influência atribuídaWashington, DC, EUA
“Towards a diagnosis of the Latin American political situation”, na America's Future Foundation
A última das três palestras nos Estados Unidos que seu currículo data, e a única em que os seus dois currículos concordam: ambos a situam na America's Future Foundation, em Washington D.C., em 12 de setembro de 2006. Com a palestra da Atlas de setembro de 2005 e a comunicação do Intelligence Summit de fevereiro de 2006, ela marca a outra metade da emigração — o polemista brasileiro virando conferencista sobre a América Latina para plateias americanas —, poucos meses antes de o True Outspeak começar a ir ao ar. Nada além dos documentos dele atesta qualquer uma das três.[55][90]
20062006-12-04
O jornalismo e a imprensaA política e a influência atribuídaEUA (online)
Começa o programa de rádio online True Outspeak
O primeiro episódio foi ao ar em 4 de dezembro de 2006 — preservado, com o áudio do próprio programa e uma transcrição ('estamos inaugurando o nosso programa'), numa coleção do Internet Archive; Calil (2021) confirma o programa. Foi transmitido no BlogTalkRadio até 2013, segundo a Wikipédia em inglês.[43][29][40]
2007 ?
A filosofia e o ensinoO jornalismo e a imprensaRegião de Richmond, Virgínia, EUA
Um aluno mora na casa e descreve a semana de trabalho
O relato de Ítalo Marsili, contado anos depois num podcast: chegou com pouco mais de vinte anos, com passagem só de ida e sem dinheiro, depois de ter falido, e informou errado o horário do voo — Carvalho foi ao aeroporto oito horas antes, esperou, voltou para casa, descobriu o horário real da chegada e voltou para buscá-lo. No terreno havia uma construção grande que abrigava o escritório e a biblioteca, dividida em literatura, teologia e filosofia. A casa vivia de uns 200 dólares da coluna do Jornal do Brasil; Marsili diz que quase não comia e que começou a fumar para tapar o buraco. A semana tinha uma forma: conversava-se até as sete da manhã e a casa dormia de dia; às quartas Carvalho lia em voz alta para todos, no escritório, o artigo de jornal daquela semana e discutiam; às segundas Marsili organizava as perguntas dos ouvintes num arquivo para o programa de rádio. É um testemunho, e de uma pessoa só, dado muito depois: a semana de trabalho que descreve é corroborada pelas transmissões; a pobreza não é corroborada em nenhum outro lugar.[85]
O ano é situado pelo que o relato descreve — a coluna do Jornal do Brasil e o programa semanal de rádio na internet com perguntas dos ouvintes —, e não por nenhuma data dada nele.
20072007-04 ?
A filosofia e o ensinoO jornalismo e a imprensaSão Paulo, Brasil (ensinado a partir dos Estados Unidos)
Ensinando o Brasil por videoconferência a partir dos Estados Unidos
Segundo seu próprio relato nas transmissões de True Outspeak de abril de 2007: o Seminário de Filosofia que mantinha no Brasil desde pelo menos 2002 já alcançava São Paulo por videoconferência a partir dos Estados Unidos, sediado na É Realizações, e ele anunciou uma sessão para o dia 18 daquele mês. Em fevereiro de 2007 situou o ensino numa linha mais longa — cursos 'durante 20 anos', que dizia continuar por videoconferência — e ouvintes escreviam como alunos. O que mudou após a emigração de 2005 foi, portanto, a entrega e não o ensino: o Curso Online de Filosofia de 2009 industrializou uma operação que já havia cruzado o Atlântico. Registrado como autotestemunho de transmissões transcritas por máquina, não como registro institucional.[76]
20072007-07-07
O jornalismo e a imprensaA política e a influência atribuídaEUA (online)
Seu canal no YouTube é criado
A própria página Sobre do canal registra 'Joined Jul 7, 2007' — uma fonte primária que contradiz a afirmação da Wikipédia em português de um lançamento em 2015 (2015 talvez reflita o início do uso regular, mas nenhuma fonte o sustenta). O canal ultrapassou um milhão de inscritos até sua morte.[52][41]
20082008-04 ?
A filosofia e o ensinoColonial Heights, Virgínia, EUA
Cursos presenciais na Virgínia, com alunos vindos do Brasil de avião
Ao lado do ensino online, dava cursos presenciais curtos na sua própria casa na Virgínia, e suas transmissões anunciam quatro deles: filosofia política nas duas últimas semanas de abril de 2008; o método na filosofia, de 29 de setembro a 4 de outubro de 2008; uma introdução à obra de Eric Voegelin, de 27 de abril a 2 de maio de 2009, que descreve como repetição do ano anterior; e filosofia da ciência na segunda metade de maio de 2010. A inscrição passava por um único intermediário no Paraná, localizável por telefone, e ele apresentava a taxa como parcelável e deliberadamente modesta. Os alunos eram brasileiros que viajavam aos Estados Unidos: em fevereiro de 2009 diz aos inscritos no curso sobre Voegelin que tirem o visto o quanto antes, avisando que a entrada ficara apenas um pouco mais fácil. As duas operações não ficaram separadas por muito tempo — em maio de 2010 conta que a última aula do curso de filosofia da ciência foi ao ar no sábado como sessão do seminário online. Autotestemunho colhido de transmissões transcritas por máquina, parafraseado; as datas são os anúncios dele, não um registro institucional, e nenhum número de presença é dado.[76]
Anunciado em várias transmissões para 'as duas últimas semanas de abril' de 2008; os dias exatos daquele primeiro curso não são informados. Os três cursos seguintes da série trazem datas completas.
20082008-08-04 ?
A filosofia e o ensinoOnline (da Virgínia, EUA)
seminariodefilosofia.org entra no ar — como arquivo, não como curso
Abre o site no ar, no meio do programa, descrevendo-o como uma divisão de seu próprio site. Sua razão de ser é o acervo antigo: havia anos recebia pedidos de gravações e apostilas de seus cursos velhos, e diz que esse material soma mais de vinte anos de aulas — umas filmadas, outras em áudio, outras transcritas em apostilas, a maioria nunca corrigida por ele e portanto provisórias. Os assinantes pagam uma taxa mensal, cinco ou seis materiais entram por mês e o do mês anterior passa a um arquivo que continua baixável mediante o compromisso de não redistribuí-lo. O curso ao vivo viria sete meses depois. Autotestemunho de uma transmissão transcrita por máquina, parafraseado.[76]
20082008-09-24 ?
A filosofia e o ensinoSão Paulo, Brasil (dada por videoconferência desde a Virgínia)
Última aula presencial do Seminário de Filosofia anunciada no ar
Depois de deixar o Brasil em 2005, o Seminário de Filosofia não parou: funcionava como uma aula mensal noturna na sede da sua editora, na Vila Mariana, em São Paulo, que ele dava por videoconferência desde a Virgínia, com inscrição por um telefone brasileiro. Anunciou dezesseis sessões desse tipo no seu programa entre abril de 2007 e esta, e depois não anunciou mais nenhuma — sete semanas depois de o site do Seminário entrar no ar e cinco meses e meio antes de o curso online começar. A ausência é medida, não suposta: ele continuou fazendo anúncios exatamente desse tipo, de eventos presenciais no Brasil com linha telefônica, vinte e sete vezes depois desta data, e nunca mais para uma aula do Seminário. O que o registro mostra é que ele parou de anunciá-lo, não que tenha sido encerrado; nenhuma transmissão diz que acabou. Autotestemunho colhido de transmissões transcritas por máquina, parafraseado.[76]
2009
A filosofia e o ensinoA política e a influência atribuídaEUA
Funda o Inter-American Institute for Philosophy, Government, and Social Thought
Fundado no fim de 2009 (seu domínio na web foi registrado em 10 de dezembro de 2009 e operou como uma 501(c)(3) da Virgínia, segundo registros do IRS); Olavo foi seu presidente. Ele mesmo anunciou o encerramento em 29 de novembro de 2018 ('Fechei o Interamerican...'), noticiado pela imprensa dias depois.[44][45][46][93]
20092009-03-14
A filosofia e o ensinoOnline (da Virgínia, EUA)
Primeira aula do Curso Online de Filosofia (COF)
O curso de filosofia online, semanal e pago, que ministrou até sua morte — 585 aulas ao longo de treze anos. Um índice feito por alunos e a Wikipédia em inglês datam a primeira aula de 14 de março de 2009. Em 9 de março anunciou-o como um curso de cinco anos que começaria no sábado seguinte às três da tarde, horário de Brasília, e já vinha chamando-o de curso de cinco anos no ar desde pelo menos janeiro; perguntado por que não uma sexta ou um sábado à noite, disse que não ia tirar das pessoas a noite de sair. O corpus de transcrições comunitárias do curso é público (veja as referências); este projeto o cita apenas por número de aula e data. Suas próprias transmissões emolduram de perto o lançamento: em 9 de março de 2009 anunciou a primeira aula para 'sábado que vem, dia 14', e uma semana depois relatou que esperavam cerca de cem pessoas e apareceram mais de quatrocentas, o que derrubou o provedor de streaming e obrigou a ampliar a banda. O início havia escorregado cinco meses — prometido para 'mês que vem' em dezembro de 2008, depois 'fevereiro, março no mais tardar' em janeiro, depois 'uma semana, dez dias no máximo' no fim de fevereiro — e o formato entregue foi uma transmissão para membros com uma linha telefônica brasileira aberta, e não o arranjo por Skype que descrevera em outubro de 2008. A segunda aula veio uma semana depois e só então se firmou em quinzenas; em abril disse que tentava torná-lo semanal e ainda não conseguia, alcançou uma sequência semanal ininterrupta a partir de julho, e em 1º de agosto teve isso confirmado da plateia, quando um aluno reclamou que o curso já não era de quinze em quinze dias.[36][40][37][76]
20092009-08-17 ?
A filosofia e o ensinoOnline (da Virgínia, EUA)
A Mente Revolucionária em 550 páginas, e por que ia devagar
Perguntado no ar sobre o andamento do livro, responde que já escreveu 550 páginas e mal chegou à metade do assunto, porque cada parte traz seu próprio problema de documentação. A limitação que alega é o tempo, e a lista é um instantâneo de sua semana cinco meses depois do início do COF: tem de fazer o programa, cuidar do Seminário de Filosofia e escrever artigos de jornal, o que lhe deixa um ou dois dias para o livro — bem mais devagar do que esperava, e acrescenta que já não tem o fôlego de antes, quando uma noite sentado rendia setenta páginas. Autotestemunho de uma transmissão transcrita por máquina, parafraseado; o livro não havia aparecido até sua morte.[76]
20102010-02-22 ?
O jornalismo e a imprensaA filosofia e o ensinoVirgínia, EUA
Diz que já tem o green card, com o que termina a restrição do visto
Ele menciona primeiro de passagem, ao se despedir — já tem o seu green card, e o país que deixou lhe foi roubado. Transmissões posteriores de 2010 completam o quadro: foi admitido como estrangeiro residente de habilidade extraordinária, a categoria que, segundo diz, se dá aos grandes cientistas; custou-lhe quatro anos de trabalho e muitíssimos documentos; descreve-se como estrangeiro e não como imigrante, mas residente permanente; e usa o cartão ao argumentar a favor da lei de imigração do Arizona. A aula de 7 de novembro de 2009 delimita a concessão pelo outro lado: ele estava então ainda com visto de jornalista, chamando-se prisioneiro do Tio Sam, e havia pedido à imigração uma autorização para viajar sem ainda tê-la recebido — de modo que a restrição sob a qual saiu do Brasil em 2005 termina dentro das quinze semanas que vão daquela aula a esta transmissão. Duas cautelas a acompanham. Os números são retóricos: a mesma história traz mil páginas de documentos em agosto de 2010 e duas mil em outubro, sempre dentro de um argumento contra a imigração ilegal. E ele nunca reivindica mais do que a residência: em abril de 2011 diz claramente que não é cidadão americano. Autotestemunho colhido de transmissões e aulas transcritas por máquina, parafraseado e datado por elas; nenhum registro de imigração foi procurado ou visto, e nenhuma transmissão data a concessão em si.[76][37]
20102010-10-30
O retorno católicoOnline (da Virgínia, EUA)
Aponta o Padre Paulo Ricardo como seu confessor pessoal
Na aula de 30 de outubro de 2010 ele descreveu o padre Paulo Ricardo de Azevedo como seu confessor pessoal; um ano antes (28 de novembro de 2009) chamara-o do único padre do Brasil em quem confiava, e em maio de 2010 relatou a visita recente do padre à sua casa na Virgínia. Em 19 de julho de 2010 deu o relato que está por trás disso: não se confessaria com padres de cuja ordenação não tivesse certeza, e resolveu esperar por um padre em quem confiasse — um período que ele não data em anos, mas no início daquilo que chama a confusão na Igreja. As transmissões nomeiam o padre desde 4 de junho de 2007 e trazem três participações dele no ar durante 2009, uma delas no estúdio. Não é uma narrativa de conversão, e o corpus resiste a ser transformado nisso: um ano antes da declaração sobre o confessor, ele dizia aos seus alunos, no presente, que vai à igreja, recebe os sacramentos e sai correndo, e que já tivera ocasiões de se confessar em que o conselho do padre lhe pareceu idiota, perguntando apenas se estava absolvido (aulas de 28 de novembro de 2009 e de 31 de outubro de 2009). Em janeiro de 2007 disse que era católico e sempre fora. Ao longo desses mesmos meses atacou com severidade crescente a hierarquia da Igreja no Brasil. O que aqui se data é o que ele disse, no ar e em aula; nenhum estado espiritual é afirmado, e a origem de qualquer retorno — circulam relatos de uma visita por volta de 2006 — permanece não verificada e é contada de modo diferente por fontes simpáticas e hostis.[37][76][58]
20112011-01-24 ?
A política e a influência atribuídaO tradicionalismo e a tariqaOnline (da Virgínia, EUA)
Anuncia o debate com Dugin seis semanas antes de ele abrir
Conta a seus ouvintes que um grupo de alunos seus na Bahia está organizando um debate pela internet entre ele e Aleksandr Dugin, que descreve como o autor da estratégia eurasiana e uma espécie de guru de Putin — e como um homem de talento extraordinário e grande cultura, intelectualmente digno de todo respeito. O formato é fixado antes da data: por escrito, num site montado para isso, com o texto reproduzido em seu próprio site, na Mídia Sem Máscara, no do Inter-American Institute e onde Dugin escolher. A pergunta é quais forças disputam o poder mundial e qual o papel dos Estados Unidos nisso. Não há data marcada, mas disseram-lhe que Dugin já está escrevendo seu primeiro texto. Autotestemunho, parafraseado; o debate abriu em 4 de março.[76]
20112011-03-04
A política e a influência atribuídaO tradicionalismo e a tariqaOnline
Começa o debate escrito com Aleksandr Dugin
O debate Carvalho–Dugin sobre 'Os EUA e a Nova Ordem Mundial' correu online de 4 de março a 31 de julho de 2011, quando ambos publicaram suas conclusões; o site anfitrião teria sido acessado por cerca de 200 mil pessoas de mais de trinta países. Sedgwick (2021) o lê como um debate sobre política global, e não sobre doutrina: Dugin o iniciou acreditando debater com um tradicionalista brasileiro e terminou decepcionado, enquanto Carvalho não demonstrou interesse em pontos de convergência — 'the debate, then, was not really about Traditionalism at all'.[33][11][75]
20112011-04-20 ?
O jornalismo e a imprensaA política e a influência atribuídaOnline (da Virgínia, EUA)
True Outspeak para sem despedida
O último episódio preservado na captura da série que o arquivo tem termina como todos os outros — o tempo acabou, até a semana que vem, muito obrigado — e anuncia um curso cinco semanas adiante, num local mais barato escolhido para reduzir o custo dos alunos. Não há despedida nele nem nos nove anteriores, e um intervalo inexplicado de cinco semanas fica logo atrás, entre 16 de fevereiro e 23 de março, o maior de toda a série. O silêncio pesa menos do que parece: nos 201 episódios ele explica uma semana perdida exatamente uma vez, em maio de 2010, de modo que calar depois de um intervalo é hábito seu, não um sinal. O intervalo está no programa e não na captura — a numeração de quem publicou os vídeos vai até o #210 com dez números ausentes, todos eles num intervalo de datas longo demais, e ao longo destas cinco semanas a numeração é contínua. A Wikipédia em inglês faz o programa correr até 2013; a captura da playlist pública contém 201 episódios e para aqui. Registra-se como propriedade daquilo que sobreviveu, não como data de encerramento: o corpus não contém declaração de intenção, nem despedida, nem retrospectiva, e se continuou em outro lugar isso não é resolvido pelo material que este projeto possui.[76]
2012
A política e a influência atribuídaO tradicionalismo e a tariqaCampinas, SP, Brasil
O debate com Dugin é publicado como Os EUA e a Nova Ordem Mundial
Edição em português do debate (VIDE Editorial, trad. Giuliano Moraes); ainda vendida pela livraria oficial do Seminário de Filosofia.[33][35]
2013
A filosofia e o ensinoO jornalismo e a imprensaRio de Janeiro, Brasil
Publica O Mínimo que Você Precisa Saber para Não Ser um Idiota
193 artigos de imprensa de 1997–2013, organizados por Felipe Moura Brasil (Record). Um best-seller: a Wikipédia em inglês cita c. 320.000 exemplares; o Poder360 informa 400.000 somados a O Imbecil Coletivo até 2019 — os números divergem.[17][40][2]
2016 ?
A filosofia e o ensinoEuropa
Os alunos do curso realizam o primeiro encontro europeu do seminário
Um encontro de estudantes brasileiros do Curso Online de Filosofia residentes ou de passagem pela Europa, com Carvalho conectado dos Estados Unidos. Perguntado sobre o exílio, a resposta dada foi que quem falava havia escapado à desintegração que causou em Soljenítsin porque ainda tinha a família e um público de milhares na própria língua, e que o exílio de que um filósofo realmente precisa é temporal e não geográfico — sair da própria época para vê-la com os olhos de outra. O ano vem do próprio título da gravação; nela não se anuncia data alguma.[84]
Duas coisas sobre esta fonte, e ambas a limitam. A gravação não traz identificação de falantes, e é um encontro de grupo que se abre com um anfitrião apresentando os participantes pelo nome — de modo que a resposta acima é atribuída ao evento e não a Carvalho, que é o seu anfitrião e o seu autor mais provável, mas que a transcrição sozinha não permite estabelecer como o falante. E a transcrição é a pior da coleção: Soljenítsin sobrevive como «lula só flores». À espera de uma passagem sobre o áudio com atribuição de falantes (archive#62).
2017 ?
A política e a influência atribuídaO jornalismo e a imprensaOnline
Mídia Sem Máscara sai do ar
Segundo Calil (2021), o site operou de 2002 a 2017.[29]
Calil dá 2002–2017. O site ainda estava servindo em 3 de janeiro e 4 de setembro de 2018, de modo que a data final dele é antecipada em pelo menos um ano; o encerramento cai entre setembro de 2018 e 2021. Ambas as posições ficam registradas em vez de reconciliadas.
20172017-03-23
A filosofia e o ensinoRichmond, VA, EUA
Estreia o documentário O Jardim das Aflições
O longa de estreia de Josias Teófilo sobre a vida e o pensamento de Olavo, batizado com o nome do livro de 1995, foi exibido pela primeira vez na Virginia Commonwealth University, com Olavo presente. Uma exibição de outubro de 2017 na UFPE foi interrompida — episódio que veículos simpáticos descreveram como repressão violenta (atribuído; o link desse relato não está verificado). O filme teve estreia limitada nos cinemas brasileiros de 31 de maio a 1º de junho de 2017 (Brasília, Porto Alegre, Rio, São Paulo), segundo a própria editoria de notícias datada do AdoroCinema — o que contradiz a etiqueta '2015' na página do filme no AdoroCinema.[42][18][51]
20182018-03
A doença e o corpoRegião de Richmond, Virgínia, EUA
Pneumonia quase fatal; cirurgia remove o tumor congênito da traqueia
Em março de 2018, uma pneumonia que, segundo ele, 'quase o matou' o internou por cerca de um mês, e os cirurgiões removeram o cisto congênito da traqueia que a infecção havia inflamado (suas próprias publicações de 23–26 de março, espelhadas pelo arquivo de fãs; noticiado pelo Boletim da Liberdade). Seu relato mais completo veio em abril de 2021: nascido com um tumor na traqueia que ficou latente até romper a traqueia aos 71 anos, uma operação de emergência no hospital da VCU com remoção do tumor e reconstrução traqueal, e sequelas recorrentes que voltaram a interná-lo — dois dias em fevereiro de 2020, de novo no início de 2021. Esta é a 'operação antiga' da lembrança em sua aula de c. 2020, e o mesmo tumor congênito que descrevera numa aula de janeiro de 2010 — o ponto em que seu próprio relato, o registro das aulas e a cobertura da imprensa se encontram.[62][64][65][66]
20182018-10-28
A política e a influência atribuídaRio de Janeiro, Brasil
A mesa de Bolsonaro na noite da vitória exibe O Mínimo
Em sua transmissão ao vivo na noite da eleição, Jair Bolsonaro manteve sobre a mesa uma Bíblia, a Constituição, uma biografia de Churchill e O Mínimo que Você Precisa Saber para Não Ser um Idiota — amplamente lido pela imprensa como sinal do status de Olavo como referência intelectual do governo que entrava (essa leitura é da imprensa).[25][26]
20182018-11
A política e a influência atribuídaBrasília, Brasil
Ernesto Araújo é nomeado chanceler; a imprensa atribui a escolha a Olavo
A Fox News (14 de novembro de 2018) e outros veículos noticiaram que Bolsonaro escolheu o diplomata pouco conhecido depois de Olavo o recomendar. A atribuição de escolhas ministeriais a Olavo — Araújo no Itamaraty, Ricardo Vélez Rodríguez e depois Abraham Weintraub na Educação — é uma caracterização da imprensa e da academia (Calil 2021; a Gazeta do Povo o chama de 'guru' dos ministros), que o próprio Olavo alternadamente assumiu e desmentiu.[24][29][10]
20192019-01-01
A política e a influência atribuídaBrasília, Brasil
O governo Bolsonaro toma posse com ministros rotulados de 'olavistas'
Acadêmicos e comentaristas (Calil 2021; Castro Rocha 2021) descrevem os ministérios da Educação e das Relações Exteriores como compostos por recomendação de Olavo; a imprensa rotineiramente o rotulou de 'guru' ou 'ideólogo' do governo — título que ele rejeitou publicamente e que o estudioso Mark Sedgwick também considera exagerado. Sedgwick (2021), citando uma entrevista ao Estado de S. Paulo de 24 de novembro de 2018, registra os detalhes: ofereceram a Carvalho o ministério da Educação, que ele recusou, recomendando em seu lugar o velho amigo Ricardo Vélez Rodríguez, e recomendou o diplomata de carreira Ernesto Araújo — que compartilhava seu interesse pelo tradicionalismo — para chanceler.[29][31][32][30][75]
20192019-04-30
A política e a influência atribuídaBrasília, Brasil
Recebe a Grã-Cruz da Ordem de Rio Branco
Decreto publicado em edição extra do Diário Oficial da União em 30 de abril de 2019, dando-lhe o grau mais alto da ordem ao lado de autoridades de Estado; Flávio e Eduardo Bolsonaro receberam o grau inferior de Grande Oficial no mesmo decreto. Um projeto de lei na Câmara dos Deputados buscou depois anular a concessão por contrariar as regras da ordem — a condecoração permaneceu contestada.[10][23][20]
20192019-12-19 ?
O jornalismo e a imprensaA política e a influência atribuídaOnline
Lançamento do jornal online Brasil Sem Medo
Anunciado em 6 de dezembro de 2019 e no ar desde 19 de dezembro de 2019, com Olavo como figura de proa — noticiado de forma independente por Metrópoles e Gazeta do Povo; o site consta do registro do Wayback em 26 de dezembro de 2019.[47][48][2]
A data de 19 de dezembro é o lançamento anunciado em 6 de dezembro, não uma entrada no ar atestada. Três redações noticiaram o plano de forma independente naquele dia — Metrópoles, Gazeta do Povo e Poder360, nenhuma com crédito de agência — e todas as três dão o dia 19 prospectivamente. O domínio foi registrado em 25 de novembro de 2019 e algo já era servido nele em 6 de dezembro, o que uma captura não distingue de uma página de anúncio. O que está firmemente atestado é o anúncio.
20202020-11-11
A política e a influência atribuídaBrasil
A Justiça confirma R$ 2,9 milhões devidos a Caetano Veloso
O Consultor Jurídico noticiou que fracassou seu recurso contra as multas diárias acumuladas mais R$ 65 mil por danos morais, por se recusar a apagar publicações de 2017 nas redes sociais sobre o músico Caetano Veloso que a Justiça considerou difamatórias. Em 2024, a CartaCapital noticiou que seus herdeiros foram notificados da dívida.[22][21]
20212021-07-08
A doença e o corpoBrasil
Volta ao Brasil para tratamento: os meses do InCor
Depois da operação de bexiga incompleta nos EUA em maio de 2021 — dois tumores removidos, uma segunda cirurgia necessária, por seu próprio relato —, voou para o Brasil no início de julho. Sua única razão declarada: 'a medicina brasileira é melhor que a americana' (publicação de 9 de julho). Passando mal durante o voo, deu entrada no InCor (Hospital das Clínicas, USP) em 8 de julho com isquemia cardíaca, segundo o boletim do hospital, e em 13 de julho passou por uma cirurgia de emergência de três horas por obstrução uretral, revisando a operação de maio (o boletim indica 13 de julho; alguns resumos posteriores dizem 15 de julho). Recebeu alta no dia 18 e foi reinternado em 9 de agosto: a imprensa noticiou infecção urinária, sepse, UTI e hemodiálise intermitente, enquanto uma nota da família de 19 de agosto negou infecção e UTI — uma contradição documentada entre a comunicação do entorno e o registro hospitalar que prefigura a disputa de janeiro sobre a causa da morte. Permaneceu internado em São Paulo até o fim de outubro ('doenças temíveis me submeteram a uma complexa sucessão de cirurgias', publicação de 26 de outubro).[67][68][69][70][63][2]
20212021-11-17
A doença e o corpoVirgínia, EUA
Volta aos Estados Unidos após o tratamento no Brasil
Voltou aos EUA em 17 de novembro de 2021, após quatro meses internado em São Paulo (Folha PE; a cronologia do obituário do Poder360).[71][2]
20212021-12-28
A política e a influência atribuídaVirgínia, EUA (online)
A ruptura com o governo, em suas próprias palavras datadas
Começou, em seu próprio relato, no dia em que Sérgio Moro deixou o governo: se ele fosse mesmo o guru do governo, 'nada disso teria acontecido' — Bolsonaro nunca lhe pedira conselho (24 de abril de 2020, noticiado no mesmo dia pelo Correio Braziliense). Ao longo de 2020–21 seu alvo foi a ala militar: o ataque público ao Gen. Ramos na crise de Weintraub (maio–junho de 2020), e 'é óbvio que os generais nunca apoiaram o presidente', em defesa do chanceler Ernesto Araújo quatro dias antes da queda de Araújo (março de 2021) — cada caracterização é dele. Em dezembro de 2021, semanas antes de morrer, chamou a tentativa de reeleição de Bolsonaro de briga perdida em declarações ao vivo (20 de dezembro) e disse que votaria em Bolsonaro apenas 'por falta de alternativas' (28 de dezembro). A reportagem póstuma do Metrópoles de que ele 'morreu ressentido' com a família Bolsonaro coroa o mesmo arco.[72][73][74][4]
20222022-01-15
A doença e o corpoVirgínia, EUA
Anunciado o diagnóstico de COVID-19; as aulas do curso são suspensas
Uma mensagem em seu canal no Telegram datada de 15 de janeiro de 2022 anunciou o diagnóstico e o cancelamento das aulas de seu curso. Alguns veículos internacionais datam o anúncio de 16 de janeiro — pequena discrepância que as fontes deixam em aberto.[12][27][9]
20222022-01-24
A doença e o corpoO retorno católicoRegião de Richmond, Virgínia, EUA
Morre no hospital, aos 74 anos
A nota da família, publicada em suas contas nas redes sociais na madrugada de 25 de janeiro, disse que ele morreu 'na noite de 24 de janeiro' e não deu causa alguma; nenhuma causa oficial de morte foi jamais divulgada. A causa foi publicamente contestada: sua filha Heloísa — publicamente afastada do pai havia anos — disse que ele 'morreu de Covid'; seu médico pessoal, Ahmed Youssif El Tassa, declarou que a morte resultou de insuficiência respiratória aguda causada por enfisema pulmonar, condição crônica, associada a insuficiência cardíaca congestiva, pneumonia bacteriana por Staphylococcus aureus resistente à meticilina e infecção generalizada, e que 'não teve relação com a COVID'; veículos críticos apontaram o diagnóstico de COVID anunciado dias antes e sua minimização pública da pandemia. Suas próprias aulas haviam relatado um histórico pulmonar de toda a vida — acamado nos sete primeiros anos e, numa aula de c. 2020, décadas de enfisema assintomático após uma antiga operação no pulmão (segundo as transcrições comunitárias). Cada posição é de seu autor; este site não arbitra entre elas.[1][2][4][5][8][19][28][12][14][37]
20222022-01-25
A política e a influência atribuídaBrasília, Brasil
Bolsonaro decreta um dia de luto oficial nacional
O decreto de 25 de janeiro de 2022 declarou luto oficial em todo o Brasil 'em sinal de pesar pelo falecimento do Professor Olavo Luiz Pimentel de Carvalho'; Bolsonaro o chamou de 'um dos maiores pensadores da história do nosso país'. Foi apenas o segundo decreto de luto de seu mandato.[6][7][3]
20222022-01-26
O retorno católicoPetersburg, VA, EUA
Sepultamento no St. Joseph's Cemetery, Petersburg, Virgínia
Enterrado em 26 de janeiro de 2022 no cemitério de St. Joseph, Petersburg, Virgínia, após um velório de caixão fechado; o ofício junto ao túmulo foi conduzido pelo padre Gino Rossi, pároco da igreja católica de St. Joseph em Petersburg. Noticiado do cemitério no mesmo dia por Mariana Sanches para a BBC News Brasil, e prospectivamente pela Folha de S. Paulo, que tinha o horário pela funerária. Os dois relatos dão 16h e 15h e são lidos aqui como sequência — o velório às três, o sepultamento às quatro — e não como um conflito.[49][50][39]
20222022-07
A política e a influência atribuídaRio de Janeiro / Curitiba, Brasil
Homenagens póstumas: a medalha da Biblioteca Nacional, depois Curitiba
Em julho de 2022, a Medalha — Ordem do Mérito do Livro, da Biblioteca Nacional, o homenageou postumamente; sua viúva, Roxane, a recebeu (o arquivo do lado da família a mostra na cerimônia em 2 de julho). A lista de homenageados daquele ano foi ela própria contestada: escritores recusaram publicamente suas medalhas por causa de outros homenageados da mesma leva, e a cobertura crítica que confirma a homenagem devolveu sua morte à disputa sobre a causa na mesma frase. Em 25 de abril de 2023, a Câmara Municipal de Curitiba realizou uma sessão de homenagem póstuma e encaminhou a concessão de cidadania honorária.[59][60][61]
20232023-09
A política e a influência atribuídaBrasil
Herdeiros são notificados pela dívida judicial com Caetano Veloso
No início de setembro de 2023 a Justiça notificou seus herdeiros dos R$ 2,9 milhões devidos a Caetano Veloso — noticiado pelo NSC Total (5 de setembro) e pelo Bahia Notícias (6 de setembro); o artigo da CartaCapital consta do registro do Wayback em 5 de setembro de 2023. O conjunto de dados registrava antes 2024, erro introduzido por uma reportagem posterior relacionada.[53][54][21]
Nenhum acontecimento corresponde. Limpe a busca ou reative uma narrativa.
Os filósofos que ele referenciou
Os vinte filósofos mais tratados no Curso Online de Filosofia, pela presença medida no corpus de 585 aulas. Cada página traz a vida e a obra do pensador e o registro de quais aulas o tratam.
Filósofo grego, discípulo de Platão e tutor de Alexandre da Macedônia, fundador do Liceu em Atenas. Seus tratados conservados cobrem lógica, física, biologia, metafísica, ética, política, retórica e poética, e moldaram boa parte da filosofia antiga, medieval e moderna.
Recepção no COF: presente em 422 arquivos; 189 aulas o tratam.
Filósofo, matemático e cientista francês, frequentemente descrito como fundador da filosofia moderna. Criou a geometria analítica, formulou a primeira versão moderna do dualismo mente-corpo e propôs um método de dúvida sistemática como fundamento do conhecimento.
Recepção no COF: presente em 261 arquivos; 102 aulas o tratam.
Filósofo ateniense, discípulo de Sócrates e mestre de Aristóteles, fundador da Academia. Seus diálogos, que puseram em circulação temas como a teoria das Formas, a imortalidade da alma e a cidade justa, estão entre os textos fundadores da filosofia ocidental.
Recepção no COF: presente em 315 arquivos; 114 aulas o tratam.
Filósofo, economista e revolucionário alemão, autor (com Friedrich Engels) do Manifesto Comunista e de O Capital. Sua teoria da história, sua crítica da economia política e o movimento político que inspirou marcaram profundamente os séculos XIX e XX.
Recepção no COF: presente em 322 arquivos; 105 aulas o tratam.
Frade dominicano, teólogo e filósofo, principal figura da escolástica do século XIII. Sua síntese entre a filosofia aristotélica e a doutrina cristã, exposta sobretudo na Summa theologiae e na Summa contra gentiles, tornou-se referência central da tradição católica.
Recepção no COF: presente em 242 arquivos; 82 aulas o tratam.
Filósofo alemão, figura central da filosofia moderna, que passou toda a vida em Königsberg. Sua 'filosofia crítica', exposta nas três Críticas, propôs que a razão humana é legisladora tanto do conhecimento da natureza quanto da moralidade.
Recepção no COF: presente em 222 arquivos; 75 aulas o tratam.
Filósofo ateniense que nada escreveu, conhecido pelos testemunhos de Platão, Xenofonte e Aristófanes. Sua prática de interrogar concidadãos sobre as virtudes e sua condenação à morte por impiedade fizeram dele figura fundadora da ética filosófica ocidental.
Recepção no COF: presente em 182 arquivos; 57 aulas o tratam.
Metafísico e escritor francês, principal formulador da corrente 'tradicionalista' ou 'perenialista' do século XX. Escreveu sobre metafísica oriental, simbolismo, iniciação e crítica do mundo moderno; converteu-se ao Islã e viveu seus últimos vinte anos no Cairo.
Recepção no COF: presente em 118 arquivos; 32 aulas o tratam.
Filósofo alemão, principal expoente do idealismo alemão pós-kantiano. Elaborou um sistema que abrange lógica, filosofia da natureza e filosofia do espírito, com influência duradoura sobre a filosofia, a teoria política e a historiografia dos séculos XIX e XX.
Recepção no COF: presente em 168 arquivos; 32 aulas o tratam.
Filósofo francês, um dos principais metafísicos franceses do século XX e representante da corrente 'philosophie de l'esprit'. Professor na Sorbonne e no Collège de France, desenvolveu uma ontologia da participação no ser articulada na tetralogia La dialectique de l'éternel présent.
Recepção no COF: presente em 93 arquivos; 30 aulas o tratam.
Filósofo e crítico cultural alemão, formado como filólogo clássico, que publicou intensamente pelas décadas de 1870 e 1880. É conhecido por suas críticas radicais à moral, à religião e à filosofia europeias tradicionais, e por conceitos como a vontade de poder, o eterno retorno e o Übermensch. Sua carreira produtiva terminou abruptamente com o colapso mental de 1889; boa parte do que depois circulou sob seu nome foi moldada postumamente pela administração do espólio nas mãos de sua irmã Elisabeth.
Recepção no COF: presente em 156 arquivos; 39 aulas o tratam.
Polímata alemão — filósofo, matemático, jurista e diplomata — considerado um dos grandes racionalistas do século XVII. Desenvolveu o cálculo diferencial e integral de forma independente de Newton e formulou um sistema metafísico centrado nas mônadas e na harmonia pré-estabelecida. Passou a maior parte da carreira a serviço da casa de Hanôver.
Recepção no COF: presente em 144 arquivos; 17 aulas o tratam.
Filósofo, tradutor e jornalista brasileiro, autodidata e deliberadamente fora da universidade, que construiu um sistema a que chamou 'filosofia concreta' e o publicou ao longo das décadas de 1950 e 1960 como a Enciclopédia de Ciências Filosóficas e Sociais. Quantos volumes ela afinal teve é matéria de disputa: 45, 48 e 'mais de 50' estão todos impressos, cada número com uma fonte diferente e um modo diferente de contar. Traduziu do alemão, do francês e do inglês, passou pelo meio anarquista paulistano em meados dos anos 1940 e não ocupou cargo docente algum — 'Nunca ocupei nenhum cargo em nenhuma escola, por princípio', disse de si mesmo em 1976. Caiu no esquecimento depois de sua morte, em 1968, e vem sendo reeditado desde o fim dos anos 1990 por várias casas, sobretudo a É Realizações, cujo programa de reedições foi dirigido por Olavo de Carvalho até ser reatribuído em 2018 ou antes.
Recepção no COF: presente em 141 arquivos; 20 aulas o tratam.
Bispo de Hipona e um dos pensadores cristãos mais influentes de todos os tempos, ponte entre a filosofia antiga e o pensamento medieval. Professor de retórica convertido ao cristianismo ascético em 386, deixou mais de cinco milhões de palavras de escritos que conservamos, entre eles as Confissões e A Cidade de Deus.
Recepção no COF: presente em 136 arquivos; 19 aulas o tratam.
Filósofo político germano-americano, formado em Viena, que fugiu do nazismo em 1938 e fez carreira nos Estados Unidos e em Munique. Buscou uma filosofia abrangente do homem, da sociedade e da história, e ficou conhecido pela análise dos movimentos políticos modernos como 'gnosticismo'. Suas obras principais incluem A Nova Ciência da Política e a série Ordem e História.
Recepção no COF: presente em 132 arquivos; 26 aulas o tratam.
Matemático de formação e fundador da fenomenologia, movimento que marcou toda a filosofia continental do século XX. Fez carreira em Halle, Göttingen e Freiburg, onde teve Heidegger como sucessor. De origem judaica, passou os últimos anos excluído da vida universitária alemã sob o regime nazista.
Recepção no COF: presente em 107 arquivos; 24 aulas o tratam.
Figura central da filosofia europeia do século XX, autor de Ser e Tempo (1927) e renovador da pergunta pelo sentido do ser. Discípulo e sucessor de Husserl em Freiburg, influenciou o existencialismo, a hermenêutica e a desconstrução. Seu envolvimento com o nazismo — reitorado de 1933–34 e filiação ao partido até 1945 — permanece objeto de controvérsia.
Recepção no COF: presente em 99 arquivos; 28 aulas o tratam.
Escritor e metafísico suíço-alemão, principal expoente da escola perenialista (tradicionalista) no século XX, ao lado de René Guénon e Ananda Coomaraswamy. Iniciado no sufismo na Argélia em 1933, dirigiu a partir da Europa — e, depois de 1980, de Bloomington (Indiana) — a ordem que ficou conhecida como Maryamiyya, e escreveu dezenas de livros sobre metafísica, religião comparada e arte sacra. As descrições de sua vida aqui seguem sobretudo o site de seu espólio e o historiador do tradicionalismo Mark Sedgwick.
Recepção no COF: presente em 55 arquivos; 14 aulas o tratam.
Filósofo, ensaísta e líder intelectual espanhol, formado no neokantismo alemão e criador da 'razão vital' ('eu sou eu e minha circunstância'). Catedrático de metafísica em Madri e fundador da Revista de Occidente, tornou-se conhecido mundialmente com A Rebelião das Massas. Exilou-se com a Guerra Civil e retornou à Espanha após a Segunda Guerra Mundial.
Recepção no COF: presente em 82 arquivos; 7 aulas o tratam.
Poeta, pensador político e 'pai da língua italiana', autor da Divina Comédia, síntese poética da cultura medieval. Participou ativamente da vida cívica de Florença até ser condenado ao exílio em 1302, e escreveu no desterro suas grandes obras em prosa e o poema que o imortalizou. Morreu em Ravena em 1321.
Recepção no COF: presente em 83 arquivos; 6 aulas o tratam.
Filósofo judeu helenístico de Alexandria, que leu o Pentateuco alegoricamente e em termos da filosofia grega, e cujo Logos se tornou uma ideia de sustentação para a teologia cristã posterior. Quase nada da sua vida está firmemente datado: uma única embaixada ancora toda a biografia, e as obras de referência divergem em trinta anos quanto ao seu nascimento.
Crítico literário, antropólogo e filósofo da religião franco-americano; professor em Stanford desde 1981 e membro da Académie française desde 2005. É conhecido pela teoria mimética: o desejo é tomado de empréstimo a um modelo em vez de ser autônomo, a rivalidade que ele produz move a violência coletiva, e as sociedades arcaicas descarregavam essa violência por um mecanismo de bode expiatório que ele lia como aquilo que os Evangelhos expõem. Michel Serres, ao responder a seu discurso de recepção em 2005, chamou-o de 'o novo Darwin das ciências humanas' — um superlativo aqui registrado como de Serres, dito numa cerimônia de louvor.
Recepção no COF: presente em 12 arquivos; 2 aulas o tratam.
Suas próprias doutrinas
Conceitos que Olavo de Carvalho nomeou e ensinou como seus. Esta seção é EXPOSIÇÃO, não endosso: cada verbete diz o que ele afirmou, onde e quando o expôs e a quem creditou. O projeto não toma posição sobre se algo disso é verdadeiro, exatamente como as páginas dos filósofos registram suas leituras sem arbitrá-las. Os resumos são palavras do próprio projeto; as formulações dele são parafraseadas, não reproduzidas, e os poucos termos técnicos citados são cunhagens suas. Onde a data de uma aula não está verificada, o verbete o diz, e onde ele revisou uma doutrina, a revisão é mostrada em vez de alisada numa versão única.
Extraído do corpus de transcrições comunitárias do curso (585 aulas) e da coleção de vídeos. Um terço das exposições mais completas está em arquivos que o projeto de transcrição não revisou e que não trazem data alguma, de modo que alguns verbetes abaixo citam uma aula sem data — isso é uma propriedade do corpus, não uma omissão daqui. O painel é um trabalho em andamento e é revisto contra as transcrições à medida que chega material novo (ADR-0005): a ausência de um verbete não prova que ele não tivesse tal doutrina, e os verbetes já presentes são corrigidos quando o corpus os contradiz.
As doze camadas da personalidade
Um esquema de doze exigências que estruturam uma vida humana, da tomada de posse do próprio corpo até o estar diante da eternidade. Cada camada é um tipo distinto de interesse capaz de organizar a existência inteira de uma pessoa, e ele sustenta que a maioria dos adultos estaciona na oitava, a crise da maturidade.
1O corpo
2O círculo dos instintos
3As relações sociais e a linguagem
4Os sentimentos consolidados historicamente
5A autoafirmação
6A vida prática
7A cidadania
8A crise da maturidade
9A personalidade intelectual
10A força social conformadora
11A consciência histórica
12O destino final
De onde vem: Construído em seu curso de Astrocaracterologia (1990–92) a partir das doze casas do zodíaco, tomadas como um circuito ideal de desenvolvimento e enxertadas na psicologia pulsional de Szondi — à qual, segundo ele, faltava qualquer dimensão biográfica. Ele afirma três vezes que o esquema não depende da astrologia: concebeu-o justamente para isolar aquilo que um horóscopo não é capaz de descrever.
Filiação: O que faz uma pessoa passar de uma camada a outra, na aula dedicada ao esquema, é material simbólico: quem não tem cultura com que pensar não consegue articular o que a crise da maturidade está fazendo com ele, e por isso não consegue sair dela — o próprio esforço de articulação é o que o leva para o outro lado. Ele coloca a personalidade intelectual do outro lado dessa crise e acrescenta que o que começou como o problema privado de uma pessoa se torna útil para outras justamente porque articulá-lo dá voz a quem não podia. Essa aula é também a prova mais forte da sua insistência repetida em que o esquema não depende da astrologia: em toda a sua extensão não se menciona uma única vez a astrologia, nem o zodíaco, nem Szondi.
Ele a revisou: Apresentado como sequência evolutiva em 2010 e 2014, e depois corrigido numa aula posterior: não se trata de um desenvolvimento ideal, mas da estrutura real da existência humana, com as doze exigências pressionando todas ao mesmo tempo. Ele passou então a distinguir a camada que a pessoa ocupa da etapa que pesa sobre ela. É por isso que o diagrama mostra doze exigências simultâneas.
Ele credita a:GuénonHegelAquinas
Onde a expõe
aula 83 do curso — 2010?
aula 253 do curso — 2014?
uma aula de 133 minutos dedicada ao esquema — entre nov. de 2010 e abr. de 2011?
Os eus e a imortalidade da alma
Uma distinção entre o eu que sente e age agora, o eu que os outros conhecem, o eu montado a partir da vida lembrada e, por baixo deles, um eu substancial permanente — que ele identifica sem rodeios com a alma imortal, chamando os outros três de meras funções dela. O argumento pela imortalidade passa por esse quarto termo.
Sobre a contagem: Circula com frequência como 'os cinco eus'. Ele diz QUATRO: buscas por 'cinco eus', '5 eus' e 'quinto eu' não retornam nada em todo o corpus, enquanto 'eu substancial' retorna mais de cem ocorrências, de modo que a ausência é real e não um artefato de busca. Um quinto termo só aparece caso se conte o 'Eu Sou' eterno, que ele introduz como o fundamento que constitui o quarto por concessão — não como mais um item da série.
Ele credita a:DescartesLavelleAquinasPlatoGuénon
Onde a expõe
aula 86 do curso — o cabeçalho diz dez. de 2010 — contestado?
aula 112 do curso — 2011?
Conhecimento por presença
Abaixo da percepção, da memória e da teoria há um conhecimento anterior, não representativo, que consiste em a realidade estar simplesmente presente a quem conhece. Ele o chama a forma mais exata de conhecimento justamente por não poder ser convertido num pensamento que se possua. Sua função é explicar como alguém chega a corrigir um quadro de referências por dentro dele: sem esse conhecimento, argumenta, uma filosofia poderosa hipnotizaria por completo os seus adeptos e nenhuma escola conseguiria revisar a si mesma.
Filiação: Ele nomeia Suhrawardī e a Philosophy of Illumination do persa — mas diz ter apreendido a coisa antes de lê-lo, que Suhrawardī empregava a expressão não exatamente no sentido dele, e a atribuição só aparece sete meses depois de ele começar a usar o termo. O canal ele mesmo declara: não Suhrawardī diretamente, mas os capítulos de Henry Corbin em En Islam Iranien. Guénon nunca coocorre com a doutrina e Mullā Ṣadrā não aparece em lugar algum do corpus, de modo que a identificação escolástica com o ʿilm ḥuḍūrī é glosa deste projeto, não dele. Ele também erra a data de Suhrawardī, situando-o no século IX numa aula posterior depois de o ter datado corretamente no século XII numa aula anterior.
Ele credita a:LavelleSuhrawardī (via Corbin)
Onde a expõe
aula 107 do curso — 2011-05-28✓
aula 133 do curso — 2011-12-03✓
aula 8 do curso — a mais antiga — 2009-05-23✓
Paralaxe cognitiva
Um deslocamento entre o eixo da experiência vivida de um pensador e o eixo de sua construção teórica — ver uma coisa enquanto se teoriza outra. Ele reivindica o fenômeno como descoberta sua e insiste que se trata de um defeito cognitivo, e não de hipocrisia ou mentira.
De onde vem: O caso desenvolvido é anterior à exposição do termo no curso: ele mesmo assinala que já o dera em O Jardim das Aflições (1995) — Marx anuncia uma filosofia materialista e entrega outra cuja substância real é a ação humana, na qual a natureza entra apenas como matéria-prima. Daí generaliza que uma filosofia construída sobre uma paralaxe não é tanto falsa quanto irrealizável, de modo que seu autor acaba fazendo uma terceira coisa que nem ele nem seus leitores sabem nomear.
Filiação: Toma a palavra da fotografia, onde a paralaxe é a divergência entre o visor e a objetiva: o que você enquadra não é o que o filme registra. O uso mais antigo localizado é público e não pedagógico, e aplica o termo a uma classe e não a um pensador: no Fórum da Liberdade de 2000 ele diagnosticou como paralaxe, como um abismo entre a vida e a consciência, o fato de um país que celebrava quinhentos anos de história estar discutindo a política econômica daquele mês. Daí ele tira o corolário que conservará: todos os que participam do debate raciocinam a partir da posição de quem decide, e raciocinar a partir de uma posição que não é verdadeiramente a sua é o que significa alienação. O remédio que propôs foi um método autobiográfico: que os intelectuais perguntassem não por que o Brasil deu errado, mas por que eles próprios deram errado.
Ele a revisou: Ele o restringiu, até 2013, à autorrefutação performativa estrita — aquela em que o ato de dizer algo contradiz o que é dito —, excluindo explicitamente a mera autocontradição, a mentira e a propaganda, e apresentando o estreitamento como correção do uso que se vinha fazendo do termo que cunhara.
Ele credita a:MarxDescartesKant
Onde a expõe
Fórum da Liberdade, Porto Alegre — o termo aplicado à classe letrada — 2000✓
aula 40 do curso, com Marx como exemplo desenvolvido — 2010-01-09✓
aula 219 do curso — a definição já restringida — 2013-09-07✓
um curso anunciado com esse nome, Virgínia — anunciado em jun. de 2007 para set. de 2007?
aula 51 do curso — sobre o exemplo já estar no livro de 1995 — 2010-03-27✓
A teoria dos quatro discursos
Seu quadro de análise mais empregado: quatro espécies de discurso — poético, retórico, dialético e analítico — graduadas pela certeza que podem sustentar, que ele trata como uma única escala e não como quatro disciplinas separadas. A ordem é uma dependência, não uma preferência: ele a chama de sequência natural da educação humana, em que se aprende a imaginar e exprimir o mundo antes de discutir a conduta, e se discute a conduta antes de demonstrar o que quer que seja. Leu o corpus aristotélico nessa ordem e sustentava que a lógica de Aristóteles se torna ininteligível assim que é amputada de sua retórica.
Ele credita a:AristotleAquinas
Onde a expõe
aula 167 do curso — 2012-08-11✓
aula 82 do curso — 2010-11-06✓
O círculo de latência
A faixa de possibilidades disponíveis a uma pessoa ou a uma sociedade num dado momento — o que não é atual, mas poderia vir a sê-lo sem quebra de continuidade. Ele o emprega para argumentar que julgar uma vida ou uma situação histórica exige saber o que estava realmente aberto a ela.
Ele credita a:AristotleAquinasLavelle
Onde a expõe
aula 48 do curso — 2010-03-06✓
uma aula do curso intitulada com o nome do conceito — sem data no corpus?
O método da confissão
O procedimento que ele chamava de núcleo de sua filosofia: o trabalho filosófico parte de um relato honesto do próprio estado real de conhecimento e de motivação, e não de uma posição adotada para argumentar. Ele o funda no exame socrático e na confissão agostiniana.
Ele credita a:Socrates
Onde a expõe
aula 45 do curso — 2010-02-13✓
aula 97 do curso — 2011-03-12✓
O horizonte de consciência
O limite daquilo que uma dada consciência consegue sequer apreender — que ele chama de conceito fundamental de sua filosofia e usa para explicar por que duas pessoas podem estar diante da mesma evidência e registrar mundos diferentes.
Ressalva: Próximo do uso que Lucien Goldmann faz do termo, proximidade que ele não reconhece.
Onde a expõe
aula 116 do curso — 2011-07-30✓
aula 217 do curso — 2013?
A teoria do Império
O império é a ideia recorrente da história do Ocidente, e ele rastreia suas transmutações da queda de Roma até a expansão americana — cada desabamento seguido de alguém montando o seguinte. Sua definição é a parte que sustenta o resto: um império é uma organização supranacional que não federa nações, mas reúne forças de dentro delas, e por isso pode operar contra os interesses do próprio país que o abriga.
De onde vem: Exposta em O Jardim das Aflições (1995), do qual ele diz que grande parte é uma história das transmutações da ideia de império — grande parte, não o todo: o livro é subtitulado um ensaio sobre o materialismo e a religião civil, e nessas mesmas páginas está o exemplo desenvolvido da paralaxe cognitiva. Chama-o o único livro cuja estrutura literária pôde compor deliberadamente, como uma peça musical.
Ressalva: Observa que sua análise converge com o Império de Antonio Negri, escrito da direção política oposta, e não trata essa convergência como constrangedora. Diz também que a narrativa do livro para no império americano e que tudo o que veio depois exigiu o trabalho posterior — veja os três projetos de dominação global.
Ele credita a:Aristotle
Onde a expõe
aula 82 do curso — o panorama de sua própria filosofia — 2010-11-06✓
aula 32 do curso — sobre a unidade de sua própria obra — 2009-11-14✓
aula 427 do curso — o império como organização supranacional — sem data no corpus?
aula 482 do curso — o uso da teoria no conflito cultural — sem data no corpus?
Os três projetos de dominação global
A continuação da tese do Império, e o quadro pelo qual é mais conhecido fora da filosofia: as forças que hoje disputam o poder mundial não são uma única conspiração, mas três projetos distintos de dominação global — que ele denomina provisoriamente o russo-chinês, o ocidental e o islâmico —, de peso comparável, às vezes aliados e às vezes em choque. Insiste em que ninguém pode dizer qual prevalecerá, nem mesmo quem os dirige.
De onde vem: Apresenta-o como a continuação de O Jardim das Aflições, cuja narrativa para no império americano: o debate de 2011 com Aleksandr Dugin é, em suas palavras, o complemento próprio do livro, levando a análise até o presente.
Ele a revisou: A nomenclatura muda ao longo do corpus. Em 2009 enumera primeiro o projeto comunista e chama o terceiro apenas de globalista; em 2013 os mesmos três já são 'os três globalismos'; e cerca de 2020 acrescenta uma observação, não uma correção: que o projeto ocidental está se desmontando sozinho e os outros dois recolhem o ganho.
Ressalva: Rejeita a leitura dos 'donos do mundo' que seu próprio público costuma extrair disto: o sentido de uma disputa a três é que ninguém está no controle. Insiste ainda que 'anglo-americano' é um nome errado para o projeto ocidental.
Onde a expõe
aula 36 do curso — a enumeração dos três projetos — 2009-12-12✓
o debate com Aleksandr Dugin, seção 'Três projetos de poder em disputa' — 2011-03-07?
aula 218 do curso — sobre o debate como complemento do livro — 2013-08-31✓
aula 212 do curso — sobre não se saber qual vai vencer — 2013-07-20✓
A tripla intuição
Em todo ato de conhecimento captam-se ao mesmo tempo três coisas que não podem ser separadas: o próprio ato, a coisa conhecida e as condições que tornam o ato possível. Seu modelo é a visão: nunca se vê um objeto sem ver também a luz, e a luz que mostra o objeto é a mesma que chega ao olho. Sustenta que é sobre essa conexão que repousa o edifício inteiro da lógica, pois uma certeza disponível apenas em palavras jamais poderia sustentar uma demonstração.
De onde vem: Data a ideia de uma discussão com a tese de que não há realidade fora da linguagem humana, e a chama, na mesma frase, de uma de suas grandes descobertas e de uma das coisas pior escritas que produziu — um rascunho que circulou como apostila e nunca virou livro.
Filiação: Construiu-a para fundamentar o que chama de seu intuicionismo radical, e toma o simbolismo quase universal da luz e do sol como conhecimento por indício de que a estrutura não é invenção sua, mas uma descrição.
Ele credita a:AristotleAquinas
Onde a expõe
aula 82 do curso — o panorama de sua própria filosofia — 2010-11-06✓
aula 159 do curso — sobre fundamentar o intuicionismo radical — 2012-06-16✓
aula 219 do curso — a formulação mais completa — 2013-09-07✓
O metacapitalismo
Um nome para o capital que ultrapassou o mercado de onde saiu: empresas grandes o bastante para deixar de aceitar o veredito do mercado e querer o Estado em seu lugar. Usa-o para sustentar que hoje a revolução mundial é promovida pelos muito ricos, e não contra eles, e que a economia daí resultante — um Estado forte cercado por meia dúzia de gigantes associados — é o arranjo que ele chama de fascista, seja qual for o sistema que o país declare.
Ressalva: É uma caracterização econômica, não um aporte técnico; não a apresenta como contribuição à economia nem nomeia nenhum economista que esteja corrigindo.
Onde a expõe
True Outspeak, episódio 1 — ele a chama de sua famosa teoria — 2006-12-04?
aula 490 do curso — sobre quem promove hoje a revolução mundial — sem data no corpus?
aula 397 do curso — sobre quem financia o movimento — sem data no corpus?
A mentalidade revolucionária
Não uma posição política, mas um transtorno mental com estrutura, que segundo ele já dura quatro séculos: uma mente que inverte o sentido do tempo, tomando um futuro prometido como causa do presente; inverte a relação sujeito-objeto, de modo que a teoria diz à realidade o que ela deve ser; e inverte a responsabilidade moral, de modo que o dano causado em nome da promessa é cobrado de quem resistiu. Distingue-a nitidamente da paralaxe cognitiva, que é um defeito de percepção e não uma inversão já formada.
De onde vem: Remonta a investigação aos trabalhos de Joseph Gabel sobre a falsa consciência, lidos décadas antes de começar, e diz que Gabel estava na pista certa sem levá-la até o fim.
Ele credita a:Marx
Onde a expõe
aula 40 do curso — as três inversões, com Marx como caso desenvolvido — 2010-01-09✓
aula 16 do curso — sobre Gabel e a origem da investigação — 2009-07-25✓
True Outspeak, episódio 123 — menciona uma tese lisboeta sobre ela — 2009-06-08?
Os patamares da filosofia A teoria dos patamares
A filosofia avança por patamares e não por escolas: certas coisas, uma vez vistas, não podem deixar de ser vistas, e raciocinar abaixo delas não é discordar, mas regredir. Seu exemplo constante é a distinção aristotélica entre forma e matéria. A afirmação é normativa, não histórica: ninguém tem o direito de argumentar abaixo de um patamar. E um patamar superado não fica com isso cancelado: subir a um mais alto, diz ele, de maneira alguma nega o valor nem a importância atual dos que ficam abaixo — o que ele sustenta mesmo para um modelo cuja premissa fundadora acabou de qualificar de simplesmente falsa.
Ressalva: Perguntado em aula pela lista de patamares, admitiu que valeria a pena tê-la e não a produziu. Não existe um inventário geral — mas para um campo existe: na sessão inaugural do curso de 2002 ele nomeia os três modelos da história da filosofia, rejeita cada um e depois enumera o que cada um torna, ainda assim, ilícito ignorar. É a doutrina aplicada a um domínio inteiro em vez de afirmada, e é a única aplicação desse tipo no corpus.
Onde a expõe
Curso História Essencial da Filosofia, aula 5 — a formulação geral, com patamares nomeados: o ápeiron de Anaximandro, o argumento do Mênon e a distinção entre falar e saber — 2002?
Curso História Essencial da Filosofia, aula 3 — «a minha famosa teoria dos patamares», onde ele a nomeia como sua — 2002?
Curso História Essencial da Filosofia, aula 1 — a doutrina aplicada à historiografia da própria filosofia — 2002?
aula 31 do curso — a definição e o exemplo aristotélico — 2009-11-07✓
aula 182 do curso — pedem-lhe a lista e ele não a dá — 2012-12-01✓
O sujeito da história A teoria do sujeito da história
A história é sempre e apenas a história de agentes que agem, e a maioria dos sujeitos sobre os quais os historiadores escrevem não pode agir. O Brasil, sustenta, não tem história: é o cenário onde uma acontece, pois uma unidade jurídico-territorial nunca fez nada. A condição que, segundo ele, ninguém havia pensado em enunciar é a continuidade no tempo: uma ação que se esgota dentro de uma só vida nunca entra na história. Qualifica-se um corpo capaz de formar seus sucessores para prosseguirem um programa iniciado antes de eles nascerem.
Sobre a contagem: A lista de espécies muda conforme a ocasião. Em 2009 nomeia a Igreja católica, a maçonaria, o partido comunista e as famílias dinásticas; em 2010, as grandes religiões, as sociedades iniciáticas, as dinastias e o partido comunista; em 2011 substitui a quarta pelas entidades espirituais — Deus, os anjos e os demônios — e afirma que não há outras. As quatro mostradas aqui são o registro humano, no qual todas as versões concordam.
De onde vem: Diz que precisava resolver essa questão antes de poder perguntar se o conhecimento histórico explica alguma coisa das divisões que tentava descrever, e chama o resultado de uma teoria da história inteiramente nova, que julga correta e irrefutável.
Filiação: As dinastias são o caso que ele mais desenvolve e o que mais pesa em sua escrita política: famílias aristocráticas ou plebeias conscientes da durabilidade dos próprios interesses, que pegam as crianças desde o berço e as criam para continuar um programa — os Bourbon e os Tudor e, na leitura dele, os Rockefeller e os Rothschild. O que torna uma dinastia um agente é a fidelidade aos mentores mortos. Trata então o círculo de Bilderberg como um consórcio dessas dinastias, e não como uma organização, e é assim que esta doutrina faz o trabalho que a política dele lhe pede.
Ressalva: A quarta espécie, na versão mais completa, não é humana: conta Deus, os anjos e os demônios como agentes históricos pelo mesmo critério, já que também perduram e agem. Registrado como afirmação sua. Ele próprio diz ainda que a teoria tem um problema: nunca conseguiu aplicá-la num livro que fosse inteiramente de história.
Onde a expõe
aula 32 do curso — exposta como uma seção de sua própria filosofia — 2009-11-14✓
aula 78 do curso — os quatro agentes e o critério de continuidade — 2010-10-09✓
aula 99 do curso — as dinastias e o Bilderberg como consórcio delas — 2011-03-26✓
O teste da contraditória ambígua
Um teste que propõe para enunciados que não são nem claramente verdadeiros nem claramente falsos — 'estou aqui', 'A é igual a A' —, em que a resposta muda conforme o sentido em que se tomam os termos. Trata-o como um exercício prático de perceber em que sentido se os está de fato usando.
Ressalva: O verbete pior documentado deste painel, e o diagrama mostra seus EXEMPLOS, não a doutrina. Chega por um ouvinte que o nomeia entre suas contribuições originais, diz ter aplicado o teste a enunciados próprios e pergunta se o exercício pode ser generalizado — sua objeção é que até agora se sustenta, mas nada garante o caso seguinte. A resposta é que a exposição geral existe e está perdida em alguma apostila dele, e que o que circulou foi apenas um resumo com alguns exemplos. Ele não responde à objeção, de modo que o diagrama deixa esse ramo aberto em vez de fechar uma generalização que o corpus não contém.
Onde a expõe
True Outspeak, episódio 78 — a pergunta do ouvinte e sua resposta — 2008-06-30?
O imbecil coletivo
Sua cunhagem mais citada e, segundo ele próprio, não um insulto sobre inteligência. O imbecil coletivo não é feito de imbecis: são pessoas normais e às vezes muito capazes que, por solidariedade corporativa ou conveniência política, adotam cacoetes de linguagem que as impedem de pensar e que, fazendo isso juntas, se imbecilizam umas às outras.
Filiação: Dois hábitos que ele destaca como o mecanismo em funcionamento. Ao primeiro dá o seu velho nome retórico, argumentum ad ignorantiam, na forma que o Brasil lhe deu: o que eu nunca ouvi falar não existe, dito com ar de superioridade — e que ele, depois de uma década de polêmica jornalística, classificou como o argumento com que mais vezes se deparou. O segundo é uma inversão do pedantismo. Pedantismo significa exibir em público um conhecimento que não se tem; aqui, diz ele, pedante é ter o conhecimento, e exigir do interlocutor que conheça o assunto é tomado como uma tentativa de humilhá-lo. O que então ocupa o lugar dos deveres abandonados da inteligência é a polidez: um debate culto passa a significar aquele em que todo mundo diz bobagens educadamente.
Ressalva: Nunca o chama de teoria, e aqui também não é apresentado assim: o livro é uma coletânea de exemplos da vida intelectual brasileira, reunidos desde o fim dos anos oitenta. Está neste painel porque ele define o mecanismo de forma explícita e volta a ele como conceito.
Onde a expõe
aula 10 do curso — o mecanismo definido — 2009-06-13✓
Fórum da Liberdade, Porto Alegre — os dois hábitos, no painel sobre cultura e desenvolvimento — 2004✓
O imbecil juvenil
Uma observação mais do que uma teoria, e uma que seus leitores adotaram como categoria de trabalho: o adolescente que julga estar se rebelando mira a autoridade mais fraca à mão — pais que o amam e fariam qualquer coisa por ele — enquanto se submete inteiramente à mais forte, os pares que não. Põe abaixo dela o mecanismo: uma necessidade neurótica de afeto que produz dependência do grupo, e diz que a linguagem política e moral dessa pessoa é adorno sobre um motivo bem mais tosco.
Sobre a contagem: Não é uma idade. Ele é explícito: há imbecis juvenis de sessenta e de setenta anos; o ensaio descreve uma condição que as pessoas carregam até a velhice, não uma etapa que se deixa para trás.
De onde vem: Um artigo curto — diz que conseguiu resumir tudo em uma lauda e meia — publicado em seu próprio site e depois posto à frente de O Mínimo que Você Precisa Saber para Não Ser um Idiota (2013). Em aula, cita-o como se cita uma referência, três vezes ao longo de quatro anos, em vez de reexplicá-lo.
Filiação: Liga-o à literatura americana sobre a pressão dos pares, que segundo ele lá enche milhares de livros e no Brasil não existe. É também o exemplo a que recorre para definir a contradição existencial.
Ressalva: Nunca a chama de teoria, e aqui também não é uma. Ganha seu lugar como observação descrita com um rastro de recepção pouco comum: os alunos a devolvem a ele sem que a mencione, ao longo de todo o curso — um pai que pergunta como impedir que seus filhos pequenos se tornem imbecis juvenis, um aluno que a liga ao seu diálogo com o teólogo Carlos Josaphat —, usando a expressão como categoria e não como título.
Onde a expõe
aula 4 do curso — a pressão dos pares, citando seu próprio artigo — 2009-04-18✓
aula 80 do curso — um aluno a liga ao diálogo com Josaphat — 2010-10-23✓
aula 221 do curso — um pai pergunta como evitá-lo — 2013-09-21✓
aula 224 do curso — a conferência de lançamento, sobre a necessidade neurótica de afeto — 2013-10-19✓
A contradição existencial
Uma contradição que não está entre dois enunciados, mas dentro de uma vida: alguém cuja existência se apoia numa autoridade que ao mesmo tempo tenta solapar — o que, sustenta, significa que o solapamento não é inteiramente sério, porque o ataque pressupõe aquilo que ataca. Contrapõe-a à mera contradição lógica, que segundo ele qualquer autor comete por distração e que é coisa de adolescente sair caçando.
Filiação: Seu exemplo é o imbecil juvenil: o garoto valente diante de pais que o amam e subserviente diante do grupo de pares que não.
Onde a expõe
aula 229 do curso — a definição, frente à contradição lógica — 2013-11-30✓
O direito como garantia
Sua posição em filosofia do direito: que o direito deve ser entendido como garantia — um limite que protege a pessoa — e não como um comando emitido por quem detém o poder. Toma-a como consequência dos quatro discursos, já que o que um texto jurídico pode estabelecer depende da espécie de discurso que ele é.
De onde vem: Exposta numa apostila sua, 'O que é o direito', que nunca transformou em livro próprio.
Filiação: O ponto deste painel com maior respaldo externo, e o único cujo desenvolvimento é de outra pessoa: Luiz Vergílio Dalla-Rosa transformou-o numa tese de doutorado e num livro publicado, O Direito como garantia: pressupostos de uma teoria constitucional (América Jurídica, 2002). Ele descreve a tese como partindo de sua apostila e como sua própria posição aprofundada por outra mão.
Ressalva: A reivindicação de paternidade é dele. Este projeto não leu o volume de Dalla-Rosa e não arbitra quanto dele lhe cabe; a atribuição é registrada como afirmação sua, não como achado.
Ele credita a:Aristotle
Onde a expõe
True Outspeak, episódio 99 — nomeia a tese e sua editora — 2008-12-08?
aula 186 do curso — corrige de qual dos livros de Dalla-Rosa se trata — 2013-01-05✓
aula 452 do curso — 'uma tese minha que ele aprofundou' — sem data no corpus?
As três constantes da história As constantes da história
Três tendências, diz ele, valem ao longo de todo o registro humano e nunca foram desmentidas: a população sempre cresce; as culturas separadas se aproximam umas das outras até a intercomunicação total; e o poder se integra para cima, destruindo o poder mais alto os poderes intermediários com a ajuda da população de baixo. A globalização não é uma quarta coisa acrescentada a essas. É o que acontece quando quem tem meios para agir compreende as três primeiras, momento em que um processo que apenas acontecia passa a ser deliberado e planejado — de modo que, diz ele, a globalização é de certo modo o nome da própria história humana.
De onde vem: Atribui cada constante a outro e reivindica para si apenas a montagem: a primeira a Malthus, a segunda ao geógrafo Ellsworth Huntington em The Mainsprings of Civilization, a terceira a Bertrand de Jouvenel em Du Pouvoir. Faz questão de dizer que o Huntington em questão não é Samuel Huntington, o do choque de civilizações, que ele toma por descendente dele.
Filiação: Jouvenel é aquele a que ele volta sempre, e trata Du Pouvoir como a resposta permanente à história como história da liberdade de Benedetto Croce: nos últimos quatro ou cinco séculos a autoridade estatal sai sempre fortalecida e o cidadão de baixo sempre enfraquecido, e sempre a pretexto de democratizar. Todo nivelamento, nessa leitura, produz uma hierarquia pior, porque quem distribui o poder está por esse mesmo fato acima de todos aqueles entre os quais o distribui. A terceira constante é ainda onde uma segunda doutrina começa em vez de terminar: o crescimento do poder é a premissa a partir da qual ele constrói a diferença de poder como constitutiva da espécie, que tem aqui a sua própria ficha. O crédito pelo crescimento do poder pertence a esta.
Ressalva: Em outros lugares ele é severo com esse mesmo tipo de busca. Civilização, diz, é uma figura de linguagem e não um conceito científico, de modo que quantificar sobre civilizações é aplicar medição a uma metáfora; e afirma sem rodeios que não acredita ser possível nenhuma interpretação de conjunto do processo histórico. As constantes são portanto oferecidas como regularidades observadas do registro humano, e não como uma lei que o explique — uma distinção que ele mantém e que esta ficha mantém junto com ele.
Onde a expõe
Fórum da Liberdade, Porto Alegre — no debate posterior à sua palestra — 2000✓
aula 22 do curso — a exposição mais completa, com a globalização como um processo que se torna consciente e depois voluntário — 2009-09-05✓
Os três inimigos da democracia Os inimigos da democracia
Sustenta que a democracia nunca pôde ser definida senão contra alguma coisa, e que essa coisa mudou três vezes: contra o antigo regime, quando a constituição do poder passou a ser um problema de todos; contra o totalitarismo moderno, que tornou a livre circulação do conhecimento uma exigência que Jefferson não teria como imaginar; e agora contra a pseudodemocracia, já que o totalitarismo acabou como ideia e só sobrevive sob outros nomes. Três coisas então a ameaçam, e as três chegam vestidas com o vocabulário dela mesma.
De onde vem: O terceiro ele mesmo nomeia — 'o que eu chamo de economicismo liberal' — e o descreve como uma versão invertida do determinismo econômico marxista: a crença de que liberalizar a economia liberaliza automaticamente todo o resto. Seu contraexemplo foi a China, que segundo ele vinha havia dez anos recebendo economia de mercado enquanto o governo ficava mais repressivo, e que a economia de mercado estava enriquecendo o bastante para comprar mais armas.
Filiação: O primeiro inimigo é a sua leitura de Gramsci: a hegemonia é a fabricação de um consenso tão completo que ninguém se lembra de que algum dia foi discutido, e o estado ampliado é o partido-estado com outro nome, de modo que transferir a administração pública para a sociedade civil organizada realiza a ideia totalitária soando como o seu contrário. Para o segundo recorre a Georges Bernanos — a democracia não é o contrário da ditadura, e sim a sua causa — e o ilustra com a democracia cultural, que primeiro distribui os valores mais altos a todos e depois deixa que os beneficiários decidam que os mais baixos são os mais altos.
Ressalva: Expôs três e disse que deixava os demais para outra vez, de modo que a lista é explicitamente parcial e não fechada. Nas perguntas da plateia acrescentou mais dois de passagem: a medicalização da sociedade e a ideia de que algum órgão internacional deva decidir essas coisas — a doutrina liberal, disse, formou-se combatendo o estado nacional e se encontra indefesa diante do Leviatã mundial que agora vai se formando.
Onde a expõe
Fórum da Liberdade, Porto Alegre — 'Os desafios da democracia no século XXI' — 2002✓
A cultura não vem depois do desenvolvimento
Contra a ideia de que um país deve primeiro enriquecer e depois adquirir uma alta cultura, sustenta que a cultura é a orientação de uma vida em direção àquilo pelo que vale a pena viver, e portanto uma condição da inteligência e não um dos seus enfeites. Cultura, na sua etimologia, significa cultivo e culto ao mesmo tempo: algo que melhora e algo a que se deve devoção. Ambos apontam para além de qualquer estado de coisas, na direção do que Platão chamava de bem supremo. A definição constitucional brasileira — tudo aquilo que dá testemunho de um modo de existência — ele coloca nas antípodas exatas, porque um modo de existência é um fato e não um valor.
De onde vem: Ele o levanta contra Um Departamento Francês de Ultramar, de Paulo Arantes, que pergunta por que cinquenta anos da faculdade de filosofia da USP não produziram nenhum filósofo e responde que antes é preciso alcançar certo patamar de desenvolvimento. A réplica de Carvalho é histórica: nenhum grande surto de criatividade filosófica veio jamais depois de um surto econômico. Atenas produziu a Academia em meio à decadência socioeconômica e a uma inflação desenfreada; as maiores contribuições da escolástica vieram da Irlanda e da Inglaterra quando faltavam cinco séculos para a Inglaterra ser uma potência; o idealismo alemão chegou quando a Alemanha ainda não era um país.
Filiação: Toma o bem supremo de Platão e a consequência psicológica de Viktor Frankl, cuja observação no campo de concentração — que saíam bem os que tinham algo a que servir — ele trata como prova de que a perda do sentido da existência está no fundo das neuroses. O que ocupa o lugar dele ele descreve como um amor à insignificância: Mário Ferreira dos Santos fora de catálogo enquanto se acumulam as teses sobre sambistas, e a cultura entendida ao mesmo tempo em três sentidos degradados — diversão, produto comercial e propaganda partidária.
Ressalva: Ele fala do Brasil e diz isso, e o argumento é feito de uma tribuna financiada pelos industriais de quem era o Fórum — o estudo desse Fórum como instituição registra o seu financiamento empresarial exatamente nesse período. Os exemplos históricos são oferecidos como contracasos a uma dependência afirmada, e não como demonstração de que a pobreza produz filosofia, o que ele não afirma.
Onde a expõe
Fórum da Liberdade, Porto Alegre — o painel sobre cultura e desenvolvimento, em debate com Eduardo Bueno — 2004✓
O ciclo do intervencionismo
Descreve a intervenção estatal nas relações de trabalho como um circuito fechado que funciona no Brasil desde Vargas, no qual cada volta cria a condição da seguinte. O governo intervém para proteger os empregados; os encargos descapitalizam as empresas; as empresas recorrem ao governo em busca de socorro; o socorro é pago com mais impostos; mais impostos elevam os preços e reduzem o poder de compra; a falta exige novos programas sociais; os programas exigem mais impostos. A sua tese não é que algum passo específico esteja errado, mas que setenta anos disso deveriam ter bastado para se tirar a conclusão, e que não tirar uma conclusão da própria experiência é um defeito de vista e não de informação.
De onde vem: Exposto no Fórum da Liberdade de 2005, num painel sobre a cultura do trabalho, contra Oded Grajew — um dos fundadores do Fórum Social Mundial, cujos encontros de Porto Alegre este Fórum foi criado para responder. Grajew havia se retirado antes da vez dele, o que Carvalho comentou.
Filiação: Em seguida sustentou que o próprio debate estava mal montado: a discussão brasileira imita conservadores contra trabalhistas dentro de uma ordem constitucional assentada, quando a pergunta real é quais forças se enfrentam. Do lado liberal contou o industrial Jorge Gerdau e um punhado de empresários do Rio Grande do Sul; do outro, as FARC, o MIR chileno, o Foro de São Paulo com o que ele estimou em oitenta e quatro organizações membros, a União Europeia, a ONU e as fundações Ford, Rockefeller e MacArthur. É o argumento com que está construído o seu trabalho posterior sobre os projetos globais, cinco anos antes de ele o formular no exterior.
Ressalva: A segunda metade é um conjunto de afirmações de fato, várias verificáveis e uma que não resiste à verificação. Ele disse que uma declaração assinada por Lula em 2002, pouco antes de ele se tornar candidato, isentava as FARC e acusava o governo colombiano de terrorismo de Estado. As FARC não são nomeadas em nenhuma das dezenove declarações finais do Foro de São Paulo que se conservam, e a declaração de 2002 tem data posterior à vitória de Lula na eleição. O ciclo exposto acima é o seu argumento estrutural e se sustenta ou cai independentemente disso.
Onde a expõe
Fórum da Liberdade, Porto Alegre — 'A cultura do trabalho', com Suri Ratnapala e Oded Grajew — 2005✓
A filosofia como projeto
A filosofia não nasceu pronta — e ele sustenta que todo o resto decorre de dizê-lo. O que não nasce pronto não pode ter aparecido como estrutura consumada, mas apenas como projeto ou ambição a realizar; e seus fundadores tinham de saber que o era, ou a discussão filosófica nunca teria tomado a forma que tem, validando e invalidando doutrinas por partes onde uma religião chamaria o mesmo movimento de heresia. Daí ele extrai uma única conclusão de método: só há uma maneira cientificamente válida de contar a história da filosofia, como a sucessão das etapas da consecução de um projeto original — e das tentativas de alterá-lo, impugná-lo ou substituí-lo. Apresenta os três princípios como apodíticos e não empíricos, estabelecidos antes de abrir qualquer história da filosofia, em vez de inferidos de uma.
Ressalva: Afirma que o método satisfaz a exigência hegeliana de unidade de movimento sem o erro de Hegel de impor unidade a acontecimentos que não a têm — porque onde os fatos dão apenas a unidade de um problema, de uma confusão ou de um enigma, é isso o que fica registrado. Se escapa ou não à objeção não é algo que este projeto julgue.
Onde a expõe
Curso História Essencial da Filosofia, aula 1 — os três princípios, a consequência para o método e as três condições de todo projeto humano — 2002?
Contra «um homem do seu tempo» O senso da eternidade
Chamar alguém de homem do seu tempo lhe parece uma grandíssima bobagem — e diz que quem o diz acredita estar fazendo história enquanto faz exatamente o contrário da história. Ninguém pode ser exclusivamente do seu tempo; se cada um o fosse, não haveria história alguma. Seu caso é Brentano, um filósofo do século XIX cujo próprio século se infere por sinais indiretos enquanto Aristóteles está nele por toda parte: uma influência de dois mil anos pesando mais do que uma contemporânea. O que torna a história possível é, em vez disso, uma capacidade que ele chama de senso da eternidade — poder pôr a cabeça para fora do próprio tempo e julgá-lo inteiro, a mesma faculdade pela qual alguém julga a própria vida e diz que deu um rumo errado a ela. Sem ela somos uma gota d’água num rio, incapaz de ver para onde ele vai.
Filiação: O termo é anterior ao curso de 2002 e ele o credita em outro lugar: lendo Hugo de São Vítor na aula 33, toma «o senso da eternidade» do comentário de Michel Veber sobre o segundo grau da hierarquia taoísta inferior, e o chama de o primeiro grau que uma pessoa tem de atingir — o que permite à inteligência entrar em relação efetiva com a estrutura da realidade, fora da qual há apenas impressões que passam e construções culturais ainda mais evanescentes do que elas. Numa aula posterior sem data ele o chama de sua mensagem final no documentário feito sobre ele, e diz que O Jardim das Aflições o ilustra estruturalmente. Reaparece ao longo do corpus em vez de ficar numa única sessão.
Ressalva: Duas coisas impedem que isto seja uma simples rejeição da situação histórica, e ambas são dele. Ele observa que a frase nunca é usada para Stálin ou Hitler, porque chamá-los de homens do seu tempo equivaleria a conceder que fomos nós que os produzimos, e ninguém quer arcar com essa responsabilidade. E exige o contrário da indiferença ao próprio momento: toda a sua vida intelectual e pessoal, diz ele, tem de se desenrolar dentro de uma consciência alerta da situação real em que você vive — você tem de saber onde e quando está vivendo. O que ele rejeita não é estar situado, mas a sua falsificação: ser o homem do dia, da semana ou do mês, com uma visão do mundo limitada àquilo de que se fala naquele momento.
Onde a expõe
Curso História Essencial da Filosofia, aula 1 — incluindo o pedido de que os seus futuros biógrafos nunca escrevam isso a seu respeito, e o reductio de que, se só existe história, então não existe história — 2002?
aula 31 do curso — você não precisa ser um homem do seu tempo, mas precisa saber onde e quando está vivendo — 2009-11-07✓
aula 33 do curso — o senso da eternidade atribuído a Michel Veber sobre a hierarquia taoísta, ao lado de Hugo de São Vítor — 2009-11-21✓
aula 273 do curso — «homem do seu tempo» e «filho do seu tempo» tratados juntos — 2014-12-06✓
uma aula posterior sem data — o senso da eternidade como a sua mensagem final no documentário, ilustrado por O Jardim das Aflições — Sem data no corpus: o arquivo é um dos 332 à espera de revisão e não traz data de cabeçalho. É colocado depois do documentário, de que ele fala.?
Teratologia intelectual A teratologia intelectual
Cunhagem sua, e ele a introduz como tal: o estudo das alterações falhadas do projeto filosófico — falhadas não por acidente nem por incompetência, mas porque o próprio enunciado da alteração já anunciava algo impossível de fazer, e quem a formulou não percebeu. Seu exemplo trabalhado é o historicismo que acaba de dissecar: uma doutrina que serra o galho em que está sentada, ou que corta os próprios pés para andar melhor.
Onde a expõe
Curso História Essencial da Filosofia, aula 1 — o termo introduzido, com o historicismo autorrefutante como caso — 2002?
A diferença de poder A fenomenologia do poder / a diferença de poder
Que a diferença imensurável de poder entre os membros da espécie não é um arranjo político, mas um elemento constitutivo da própria espécie. Ele chega a isso unindo dois autores: a constatação de Jouvenel em Du Pouvoir de que o poder sempre aumenta, e Ibn Khaldun sobre a autoridade profética, que — diz ele três vezes — foi o que o pôs nessa linha de investigação. Conta então que foi procurar saber se o mesmo existe nos animais, e conclui do contraste que o máximo de violência de um ser humano para com outro é sempre estatal — nenhum criminoso, gangue ou assassino mata tanta gente quanto um governo —, de modo que a ordenação jurídica da sociedade acompanha o aumento do morticínio, inclusive nas democracias modernas.
Sobre a contagem: As aulas 79 e 115 carregam ambas desacordos de data não resolvidos no corpus — o cabeçalho da 79 diz 2012 contra um índice, nomes de arquivo e uma sequência circundante que apontam todos para 2010 —, de modo que ambas entram como não verificadas. A cadeia corre de ponta a ponta apenas na aula 70; a zoologia, a licença para matar e a conclusão estatal não aparecem em nenhum outro arquivo.
De onde vem: Ele conta isso como um momento de descoberta, e o chama de o estalo. Lendo Jouvenel sobre o crescimento do poder ao lado de Ibn Khaldun sobre a autoridade profética, os dois bateram juntos e lhe deram a afirmação constitutiva. Chega à mesma conclusão por uma segunda via independente em outro lugar, através de Raskólnikov e não de Jouvenel, e ali a nomeia como sua: um dos temas da sua filosofia política, o tema da diferença de poder.
Ressalva: Duas coisas que esta ficha registra como dele e não julga. A primeira é uma afirmação factual sobre os animais: que os zoólogos conhecem apenas cerca de mil e duzentas espécies nas quais um membro mata outro da mesma espécie, que os gorilas resolvem por demonstração e os lobos pela posição do rabo, e que homo homini lupus difama portanto o lobo. A segunda é uma ressalva que ele acrescenta à conclusão e que é fácil deixar cair: a diferença entre democracia e ditadura nessa medida ele a chama de muito relativa e quantitativa — real, mas não profunda o bastante para assinalar uma diferença de essência.
Ele credita a:Bertrand de Jouvenel, Du PouvoirIbn Khaldun
Onde a expõe
aula 70 do curso — o relato da descoberta de ponta a ponta: Jouvenel, Ibn Khaldun, o estalo, a zoologia e a conclusão estatal — 2010-08-14✓
aula 111 do curso — a diferença de poder como componente estrutural e permanente da vida humana — 2011-06-25✓
aula 79 do curso — a formulação mais sistemática: o poder como capacidade de ação, e dois argumentos de que a diferença é inabolível — 2010-10-16?
aula 115 do curso — nomeia-a como um dos temas da sua própria filosofia política, alcançada através de Raskólnikov — 2011-06-23?
Os livros, em ordem
Os livros em ordem de primeira edição. Viveu de escrever desde antes de completar dezoito anos e publicou por quarenta, e o formato dessa produção é em si um argumento: uma década de astrologia e simbolismo, uma rajada de livros pequenos saídos do instituto que dirigia, as polêmicas que o tornaram um nome público, um curso vendido em trinta e dois volumes e, no fim, uma coluna de jornal reunida em dez tomos enquanto já ensinava da Virgínia. As reedições aparecem apenas quando o livro mudou de editora, de título ou de formato; nos demais casos a primeira edição representa a obra.
Títulos por ano, primeira edição; uma série de vários volumes conta uma vez por volume quando os anos dos volumes são conhecidos. Os anos vazios são desenhados, não omitidos.
Astrologia, simbolismo e os anos tradicionalistas 1980–1987
Trabalhou como astrólogo profissional por volta de 1979–1982 e continuou escrevendo sobre simbolismo depois de abandonar a prática. O primeiro título são apostilas de curso e não um livro comercial, e a sequência vai da técnica para a crítica dela.
1980A Imagem do Homem na Astrologiaapostila de cursoJvpiter, São Paulo
Apostilas para o curso de Astrologia Clínica da PUC-SP, ministrado de abril a agosto de 1979 sob Juan Alfredo César Müller — o psicólogo a quem o seu currículo atribui mais de dez anos da sua formação. Trinta e oito páginas. Ausente do próprio currículo, que começa a lista em 1983.
1983Questões de Simbolismo AstrológicolivroSpeculum, São Paulo
1983Universalidade e AbstraçãolivroSpeculum, São Paulo
1983O Crime da Madre Agnes, ou: A Confusão entre Espiritualidade e PsiquismolivroSpeculum, São Paulo
1985Astros e SímboloslivroNova Stella, São Paulo
1986O Profeta da Paz: Estudos sobre a Interpretação Simbólica da Vida do Profeta Mohammedlivrounpublished
Ganhou um prêmio e nunca foi publicado, e ele explica por quê. No ar, em 2007, diz que o regulamento do concurso prometia publicar o vencedor; o júri lhe disse que, como o seu livro não era um livro islâmico, não podiam publicá-lo, e lhe deram o equivalente em dinheiro — dinheiro que ele usou numa viagem que queria fazer. Ele mesmo data o episódio em «86, 87» e nomeia como entidade premiadora a Al-Azhar, na Arábia Saudita. Dois anos depois conta de novo, mais brevemente, com as palavras do júri assim: não é um livro islâmico ortodoxo, não podemos aprovar todo o seu conteúdo, mas é o que ganhou. Em outros lugares descreve a obra como uma exegese simbólica de alguns ahadith do Profeta, e como um estudo sobre as origens do Islã. Mais tarde ainda a renega: um dos seus dois primeiros estudos, já não representativo do seu pensamento, precisando de muita revisão porque se apoiara em Idries Shah, a quem passou a julgar um charlatão completo. De modo que a ausência de editora não é uma lacuna do registro: pelo relato dele, nunca houve edição a encontrar.
1987Fronteiras da TradiçãolivroNova Stella, São Paulo
Seu CV o data em 1987; alguns catálogos e esta cronologia diziam antes 1986. Uma segunda fonte agora concorda com o CV e acrescenta a editora — Nova Stella, São Paulo, 1987 —, de modo que 1987 é seguido aqui com o desacordo ainda registrado em vez de apagado.
O Instituto de Artes Liberais 1992–1994
Livros curtos publicados através do instituto de artes liberais que fundou no Rio e dos seus selos associados. É aqui que as doutrinas que o painel registra foram fixadas por escrito pela primeira vez.
1992Símbolos e Mitos no Filme "O Silêncio dos Inocentes"livroInstituto de Artes Liberais / Stella Caymmi, Rio de Janeiro
1992Os Gêneros Literários: Seus Fundamentos MetafísicoslivroInstituto de Artes Liberais / Stella Caymmi, Rio de Janeiro
1993O Caráter como Forma Pura da PersonalidadelivroAstroscientia / Instituto de Artes Liberais, Rio de Janeiro
1994A Nova Era e a Revolução Cultural: Fritjof Capra & Antonio GramscilivroInstituto de Artes Liberais / Stella Caymmi, Rio de Janeiro
Duas edições no primeiro ano, fevereiro e agosto. Reeditado pela Vide em quarta edição em 2014.
1994Uma Filosofia Aristotélica da CulturalivroInstituto de Artes Liberais / Stella Caymmi, Rio de Janeiro
As polêmicas, e os livros que lhe deram um nome 1995–1998
Quatro anos em que se tornou uma figura nacional. O Imbecil Coletivo chegou a uma sexta edição em menos de dois anos após a publicação.
1995O Jardim das Aflições: De Epicuro à Ressurreição de César — Ensaio sobre o Materialismo e a Religião CivillivroDiadorim, Rio de Janeiro
Terceira edição Vide, 2015; outra edição em 2019. O documentário homônimo (dir. Josias Teófilo) é de 2017.
1996O Imbecil Coletivo: Atualidades Inculturais BrasileiraslivroFaculdade da Cidade / Academia Brasileira de Filosofia, Rio de Janeiro
Lançado no Teatro da Faculdade da Cidade em 22 de agosto de 1996 com uma conferência sobre a situação presente da cultura brasileira. Sexta edição já em maio de 1998.
1996Aristóteles em Nova Perspectiva: Introdução à Teoria dos Quatro DiscursoslivroTopbooks, Rio de Janeiro
A exposição da teoria dos quatro discursos. Precedida por uma edição do Instituto de Artes Liberais em 1994; reeditada pela Vide em 2013.
1997Como Vencer um Debate sem Precisar Ter Razão: A "Dialética Erística" de Arthur Schopenhauer — Texto e Comentáriosedição / anotaçãoTopbooks, Rio de Janeiro
O texto de Schopenhauer com o seu comentário.
1997O Futuro do Pensamento Brasileiro: Estudos sobre o Nosso Lugar no MundolivroFaculdade da Cidade, Rio de Janeiro
1998A Longa Marcha da Vaca para o Brejo & Os Filhos da PUC: O Imbecil Coletivo IIlivroTopbooks, Rio de Janeiro
Dividido e retitulado postumamente como a série O Que Restou do Imbecil (Vide, a partir de 2020).
1998O Exército na História do Brasiledição / anotaçãoBiblioteca do Exército / Fundação Odebrecht
Quatro volumes, edição bilíngue português/inglês. Foi o editor de texto, não o autor.
O curso impresso 2002–2006
Os anos em que chegou às livrarias o seu ensino, e não a sua polêmica — e os anos em que ele saiu do Brasil.
2002Coleção História Essencial da Filosofiade um cursoÉ Realizações, São Paulo
Trinta e dois volumes publicados entre 2002 e 2006 pela É Realizações, a partir do curso de mesmo nome; também editados em vídeo. Não se encontrou uma lista de anos por volume, de modo que a faixa conta a série uma única vez em 2002 e sub-representa 2003–2006 — a mesma distorção que a série Terráqueo carregou até que os anos dos seus volumes fossem fornecidos.
2006A Dialética Simbólica — Ensaios ReunidoscoletâneaÉ Realizações, São Paulo
Segunda edição, como Estudos Reunidos, Vide 2015.
A Vide Editorial, e a coluna reunida 2011–2019
Ensinando o curso online da Virgínia enquanto a Vide reeditava a obra antiga e reunia a coluna de jornal em Cartas de um Terráqueo ao Planeta Brasil — dez volumes, a série mais longa da bibliografia.
2011Maquiavel ou A Confusão DemoníacalivroVide Editorial, São Paulo
2012A Filosofia e seu InversolivroVide Editorial, São Paulo
2012Os EUA e a Nova Ordem MundialdebateVide Editorial, São Paulo
O debate com Aleksandr Dugin, do qual é coautor com ele.
2013Visões de Descartes: Entre o Gênio Mau e o Espírito da VerdadelivroVide Editorial, São Paulo
2013O Mínimo que Você Precisa Saber para Não Ser um IdiotacoletâneaRecord, Rio de Janeiro
Organizado por Felipe Moura Brasil a partir de 193 artigos escritos entre 1997 e 2013; seu livro mais vendido por larga margem. Edição especial, Record, 2017.
2013Cartas de um Terráqueo ao Planeta BrasilsérieVide Editorial, São Paulo
Dez volumes, 2013–2019, reunindo a coluna de jornal: Apoteose da Vigarice (2013), O Mundo Como Jamais Funcionou (2014), A Fórmula para Enlouquecer o Mundo (2014), A Inversão Revolucionária em Ação (2015), O Império Mundial da Burla (2016), O Dever de Insultar (2016), Breve Retrato do Brasil (2017), Os Histéricos no Poder (2018), O Progresso da Ignorância (2019) e A Cólera dos Imbecis (2019). O seu próprio currículo, que para em 2018, vai até o volume VIII.
Depois do currículo, e depois da sua morte 2020–2022
Além do horizonte do seu próprio registro. A Vide continuou publicando material de cursos e reeditando as polêmicas antigas em novos arranjos; este degrau se apoia na editora e em listas secundárias, e não em nada escrito por ele, e é a parte menos assentada da sequência.
2020O Que Restou do ImbecilsérieVide Editorial, São Paulo
O Imbecil Coletivo II de 1998 dividido e retitulado: A Longa Marcha da Vaca para o Brejo (vol. I) e O Imbecil Juvenil (vol. II), ambos de 2020, com O Leão e os Ossos vindo em seguida como vol. III em 2021 — 560 páginas, reunindo artigos do ano 2000. Sua própria lista cronológica ainda marcava, em maio de 2021, esse terceiro volume como a sair, o que o delimita ao segundo semestre daquele ano, meses antes da sua morte.
2020Mário Ferreira dos Santos: Guia para o Estudo da Sua Obrade um cursoVide Editorial, São Paulo
A partir do curso homônimo. Vinha preparando os inéditos de Mário Ferreira dos Santos a pedido da família desde pelo menos a redação do currículo.
2022O Foro de São Paulo: A Ascensão do Comunismo Latino-AmericanocoletâneaVide Editorial, São Paulo
Coletânea póstuma dos seus escritos sobre o Foro de São Paulo, publicada no ano da sua morte.
O trabalho de imprensa
Onde escreveu, mais do que o que escreveu. O trabalho de imprensa é a maior parte da sua produção e a parte que nenhum índice cobre: entrou numa redação antes de completar dezoito anos e ainda entregava uma coluna aos setenta. Os períodos são dados quando alguma fonte os indica; uma lista de artigos avulsos seria uma seleção sem nada que a justificasse.
Empresa Folha da Manhãrepórter, copy desk, credenciado no palácio do governo estadualdesde antes de completar dezoito anos
A Gazeta · Jornal da Tarde · Jornal da Semana · Aqui São Paulosubeditor, secretário de redação, redatoros anos de São Paulo
Folha de S. Paulocolaborador, a partir do caderno literário Folhetima partir de fevereiro de 1977
O Globo · Jornal do Brasil · Zero Hora · Tribuna da Imprensacolunistaos anos do Rio e depois
Mídia Sem Máscarafundador e editor2002–2014, depois retomado
Diário do Comércioa coluna Mundo Realaté 2016
Construída a partir do seu próprio currículo, que é primário e também imperfeito: é um documento em camadas cujas seções foram atualizadas em momentos diferentes — a seção de carreira ainda o apresenta como colunista de jornais que havia deixado anos antes —, sua numeração pula, e ele omite o primeiro livro e outro premiado que o próprio currículo menciona na sua seção de prêmios. Onde discorda de outras fontes, a ficha diz isso em vez de escolher em silêncio. Tudo o que é posterior a 2018 fica além do horizonte do próprio currículo e se apoia no catálogo da editora e em listas secundárias, de modo que está marcado como o degrau mais fraco que é. O trabalho de artigos não é enumerado: ele publicou na imprensa por décadas e não existe nenhum índice confiável disso, então as colunas são dadas como períodos e não como uma lista de peças que seria arbitrária.
Narrativas paralelas
A cronologia lida como narrativas paralelas: uma linha por faixa, uma coluna por década, e em cada célula o número de acontecimentos dessa faixa nessa década. Um acontecimento que pertence a várias narrativas é contado em cada uma, pelo que as linhas somam mais do que o total de acontecimentos. Selecione um número para ir a essa década na cronologia.
Estas faixas são uma leitura editorial de uma vida contestada, não um fato neutro: as correntes são as que ele mesmo nomeou como sua formação — numa aula de 2012 chamou de seu grande pecado ter passado 'trinta e tantos anos absorvendo todas as influências' (segundo as transcrições comunitárias) — mais os papéis públicos que o registro documenta. As faixas servem de recipiente para acontecimentos datados, nunca de afirmação de que as correntes pesem o mesmo. Deixados de fora como faixas, deliberadamente: a vida familiar (privada; aparece apenas onde já é pública), a pesquisa interna do corpus de transcrições (projeto próprio) e o ecossistema da Nova Direita brasileira ao seu redor (assunto distinto, de pessoas vivas).
62 acontecimentos em 8 faixas, 1954–2023 · 86 atribuições a faixas, porque um acontecimento pode pertencer a mais de uma narrativa. As lacunas são mostradas como cortes explícitos, nunca comprimidas. 1 acontecimento datado não tem ainda qualquer faixa e por isso não aparece aqui.
Em que se fundamenta cada faixa
A doença e o corpo — Sua própria história de origem, repetida — doente desde o nascimento, sete anos de cama — que ele mesmo ligou ao seu impulso de compreender as situações humanas (aulas de 2010-10-09 em diante), passando pela cirurgia de 2018 e pelo último ano.[37][65]
O jornalismo e a imprensa — Sua própria periodização do próprio sustento (trabalhando desde os 14 anos, jornalismo aos 17 pela jornada de cinco horas; aula de 2010-11-13) e o registro da carreira na imprensa (obituários; o perfil do Comunique-se).[57][37]
Juventude comunista — Sua própria delimitação (em 1964 ainda não militante; 'vinte anos me limpando disso') e o período 1966–1968 do perfil-entrevista da BBC Brasil.[56][37]
A astrologia e a busca esotérica — Sua própria lista-mestra dos anos de busca (aula de 2012-09-08: psicanálises, New Age, rosa-cruzes, astrologia, 'macumbas', esoterismo islâmico) e o relato de Calil sobre o período da Escola Júpiter.[29][37]
O tradicionalismo e a tariqa — A pesquisa de Mark Sedgwick sobre o episódio da Maryamiyya e seus próprios relatos (conheceu Schuon em 1986, muqaddam à chegada, cerca de um ano e meio).[30][37]
O retorno católico — Suas próprias declarações datadas nas aulas (Padre Paulo Ricardo nomeado seu confessor pessoal, 2010-10-30; prática da confissão até 2020) e o relato dos sacramentos no leito de morte.[37][58]
A filosofia e o ensino — O registro das obras (dos livros de 1994–96 em diante, o Seminário, as 585 aulas do COF) e sua autoperiodização: ensinando desde 1989, primeiro livro aos 48.[55][37]
A política e a influência atribuída — Caracterizações da imprensa e da academia — sempre atribuídas, e por ele rejeitadas em suas próprias palavras datadas — mais suas declarações documentadas de ruptura em 2020–21.[8][72]
Figuras-chave
Roxane Andrade de Souza
EUA
Viúva; recebeu a medalha póstuma da Biblioteca Nacional (julho de 2022). Quando começou a união deles é objeto de disputa e este projeto não a resolve: o infobox da Wikipédia em inglês dá um casamento em 1986, citando War for Eternity, de Benjamin Teitelbaum, ao passo que a cobertura de 2024 sobre o espólio descreve uma união estável de «quase 20 anos», o que situa o seu início por volta de 2004–2005. Dezenove anos separam as duas versões, e nenhuma fonte consultada aqui as reconcilia. A passagem de Teitelbaum não foi lida por ninguém que trabalhe neste conjunto de dados, de modo que o que esse livro de fato diz — e se chega a atribuir um ano a esta união — permanece por verificar.[1][60][59][94][40]
Heloísa de Carvalho
d. 2026 · Brasil
Filha mais velha, publicamente afastada do pai havia anos e excluída de seu testamento; declarou após a morte dele que ele 'morreu de Covid', o que seu médico pessoal negou publicamente. Encontrada morta em sua casa em Atibaia, São Paulo, em janeiro de 2026; a causa não foi divulgada[27][28][15][16]
Jair Bolsonaro
b. 1955 · Brasil
Presidente do Brasil 2019–2022; decretou luto nacional na morte de Olavo. A imprensa chamou Olavo de seu 'guru' — rótulo que Olavo rejeitou; o Metrópoles noticiou (atribuído) que ele 'morreu ressentido' com a família Bolsonaro após o afastamento público de 2020–2021[6][4][8]
Flávio & Eduardo Bolsonaro
Brasil
Filhos do presidente e admiradores públicos; Calil data a aproximação da família a Olavo de c. 2012–2013. Ambos receberam a Ordem de Rio Branco (Grande Oficial) no mesmo decreto de 2019 que deu a Olavo a Grã-Cruz[29][10]
Ernesto Araújo
Brasil
Chanceler 2019–2021; sua nomeação foi amplamente atribuída à recomendação de Olavo (Fox News, novembro de 2018)[24]
Ricardo Vélez Rodríguez
Brasil
Ministro da Educação de janeiro a abril de 2019; nomeação atribuída pela imprensa e por acadêmicos à recomendação de Olavo[29]
Abraham Weintraub
Brasil
Ministro da Educação 2019–2020; comumente descrito como escolha avalizada por Olavo (a Gazeta do Povo chama Olavo de 'guru' dos ministros Araújo e Weintraub)[10]
Aleksandr Dugin
b. 1962 · Rússia
Ideólogo russo; adversário no debate escrito de 2011 publicado como Os EUA e a Nova Ordem Mundial (2012)[33][11]
Frithjof Schuon
1907–1998 · Suíça/EUA
Mestre perenialista; segundo Sedgwick, nomeou Olavo seu muqaddam para o Brasil em Bloomington, em 1986, antes de Olavo romper com ele e se tornar um crítico feroz do perenialismo[30][75]
Padre Paulo Ricardo de Azevedo Jr.
Brasil
Padre católico (Cuiabá) e figura da mídia; pelo próprio relato datado de Olavo (aula de 30 de outubro de 2010), seu confessor pessoal — nomeado nas suas transmissões desde junho de 2007 e convidado nelas três vezes em 2009; os dois colaboraram depois publicamente[37][58][17]
Josias Teófilo
Brasil
Diretor do documentário O Jardim das Aflições (2017), seu primeiro longa-metragem[42]
Juan Alfredo César Muller
1927–1990 · Argentina
Psiquiatra e astrólogo argentino; a porta de entrada de Olavo na astrologia — pediu-lhe que editasse um livro no fim dos anos 1970, e Olavo o auxiliou em seu curso de astrologia de 1978 na PUC-SP (segundo Sedgwick 2021, corroborando o relato terciário)[40][75]
Stanislavs Ladusans
1912–1993 · Letônia/Brasil
Filósofo jesuíta; Olavo estudou três anos em seu Conjunto de Pesquisa Filosófica (Conpefil, PUC-Rio), saindo quando Ladusans morreu, em 1993, e o grupo fechou[41][75]
Ahmed Youssif El Tassa
Brasil
Médico pessoal; declarou publicamente que a morte se deveu a insuficiência respiratória por enfisema e condições associadas, 'não relacionada à COVID'[12]
Felipe Moura Brasil
Brasil
Jornalista; selecionou e organizou os 193 artigos de O Mínimo (2013)[17][40]
Caetano Veloso
b. 1942 · Brasil
Músico; obteve multas acumuladas e indenização (R$ 2,9 milhões confirmados em 2020) por publicações de 2017 que a Justiça considerou difamatórias[22]
Mark Sedgwick
Dinamarca
Historiador do tradicionalismo (Universidade de Aarhus); seu artigo de 2021 na Aries é o relato acadêmico mais completo dos anos tradicionalistas e da Maryamiyya de Olavo, e foi ele que cunhou a caracterização de 'pós-tradicionalista'[30][75]
Gilberto Calil
Brasil
Historiador (Unioeste); autor do principal estudo acadêmico crítico da trajetória de Olavo (Argumentum, 2021) — perspectiva crítica, assinalada como tal[29]
João Cezar de Castro Rocha
Brasil
Estudioso de literatura (UERJ); analisa a retórica de Olavo como central para o bolsonarismo em Guerra cultural e retórica do ódio (2021) — perspectiva crítica, assinalada como tal[31]
Organizações relacionadas
Seminário de Filosofia / Curso Online de Filosofia (COF)
Duas coisas sob um mesmo rótulo, e a ordem importa: o Seminário de Filosofia é o curso presencial, em andamento no Brasil já em 2002 e alcançando São Paulo por videoconferência desde 2007; o seminariodefilosofia.org abriu em agosto de 2008 para publicar vinte anos de acervo antigo; o Curso Online de Filosofia é o curso semanal on-line que começou em 14 de março de 2009 e chegou a 585 aulas. O corpus de transcrições comunitárias do COF é público e aqui é citado apenas por número de aula e data. A data de fundação do próprio Seminário não está verificada: a origem mais antiga que se lhe atribui é a dele mesmo, um curso no Rio de março de 1987 a março de 1989 que, segundo seu currículo, prosseguiu sob o nome do seminário (veja a cronologia, 1987).[36][37][40]
Mídia Sem Máscara
Fundada em 2002 · Brasil (online)
Fundador (2002); sua principal plataforma ideológica na web. O domínio .org foi registrado em 24 de julho de 2002 e o site já servia em agosto, o que coincide com o ano de fundação atribuído a ele. Calil data a sua saída do ar em 2017, tirado por um antigo colaborador, embora o registro do Wayback ainda mostre capturas ativas até setembro de 2018 — o fim pode marcar a atividade e não o site em si; fica sinalizado. Mais tarde ele voltou em outro domínio: midiasemmascara.net está no ar, apresenta-se como Mídia Sem Máscara e se data desde agosto de 2002, com material publicado até novembro de 2024. O .org original serve agora uma página estacionada.[29][40][91]
Inter-American Institute for Philosophy, Government, and Social Thought
Fundada em 2009 · EUA
Fundador e presidente; encerrado em 2018 segundo a Wikipédia em inglês (fonte terciária única para as duas datas)[40]
Escola Júpiter de Astrologia
Fundada em 1979 · São Paulo, Brasil
Cofundador, em sua fase de astrólogo profissional; cerca de 140 alunos até 1980, segundo Calil[29][41]
Maryamiyya (tariqa of Frithjof Schuon)
Brasil
Entrou no islã sob a orientação de Martin Lings até meados de 1985 e foi nomeado muqaddam de Schuon para o Brasil em 1986 (Sedgwick 2021); Calil registra uma conversão em 1984 e uma tariqa própria de vida curta. Saiu 'em poucos anos', segundo Sedgwick — por volta de 1987–88, segundo seus próprios relatos no curso. Todos os detalhes são relatos desses estudiosos[30][75][29]
Brazilian press (Folha de S.Paulo, O Globo, Jornal da Tarde, Jornal do Brasil, Zero Hora, Época, Bravo!, Primeira Leitura, Diário do Comércio)
Brasil
Jornais e revistas para os quais escreveu dos anos 1970 aos anos 2010. A coluna no Diário do Comércio foi seu último espaço regular: um perfil do setor a registra em 2006–2014, Calil diz que a manteve 'até 2016', e a 'coluna semanal em 2019' da Wikipédia em inglês não encontra qualquer respaldo; o período preciso em cada veículo anterior segue mal documentado[1][57][29]
Gazeta do Povo & Revista Oeste
Brasil
Veículos simpáticos para os quais escreveu colunas no fim da vida; ambos se identificaram como publicadores de suas colunas em seus obituários[9][12]
Brasil Sem Medo
Fundada em 2019 · Online
Jornal on-line anunciado em 6 de dezembro de 2019 com Olavo como presidente do conselho editorial, Paulo Briguet como editor-chefe e Silvio Grimaldo como diretor executivo; ele o chamou de o maior jornal conservador da internet brasileira. Três redações noticiaram o anúncio de forma independente naquele dia, nenhuma com crédito de agência.[2]
VIDE Editorial
Campinas, SP, Brasil
Editora do livro do debate com Dugin (Os EUA e a Nova Ordem Mundial, 2012) e de reedições de suas obras[33][35]
Editora Record
Rio de Janeiro, Brasil
Editora de O Mínimo que Você Precisa Saber para Não Ser um Idiota (2013)[17][40]
Partido Comunista Brasileiro (PCB)
Brasil
Breve filiação na juventude, c. 1966–1968, segundo a Wikipédia em português e Calil[41][29]
Desambiguação e nuances
Quase tudo a respeito do biografado é terreno contestado — seu título, sua influência, sua morte e seus próprios relatos de sua trajetória. Esta seção registra as distinções que as próprias fontes fazem.
olavodecarvalho.org não é mais o site dele
Em agosto de 2026, o domínio ativo devolve uma página de spam de comércio eletrônico sem relação com ele (aparentemente expirado e ocupado por terceiros). Seu site real deve ser citado por meio de instantâneos do Internet Archive (p. ex., a captura de 15 de dezembro de 2021). Não vincule o domínio ativo como site oficial.[34]
'Filósofo' é um título reivindicado e contestado
Ele se apresentava como filósofo e ensinou filosofia por décadas, mas não tinha diploma na área (deixou o Conpefil da PUC-Rio sem concluir os estudos); os obituários da grande imprensa escrevem 'filósofo autodenominado', seus alunos insistem no título sem ressalvas. Este site registra quem o chama de quê.[41][4]
Duas obras chamadas O Jardim das Aflições
O livro de 1995 (Diadorim) e o documentário de 2017 sobre ele (dir. Josias Teófilo) compartilham o nome; o AdoroCinema ainda rotula erradamente o filme como de 2015.[42]
Não confundir com os outros Carvalho
Não é o historiador José Murilo de Carvalho (m. 2023), nem o poeta Ronald de Carvalho, nem o político Salatiel Carvalho — os resultados de busca rotineiramente os confundem.[40]
'Guru de Bolsonaro' é um rótulo atribuído
A imprensa internacional (NYT: 'Bolsonaro's Far-Right Guru') e boa parte da imprensa brasileira usaram o rótulo; Olavo o rejeitou publicamente, e o estudioso Mark Sedgwick o considera exagerado. Ele aparece neste site apenas como caracterização de alguém, nunca na voz do próprio site.[8][30]
O corpus do COF é citado, não reproduzido
As transcrições comunitárias do Curso Online de Filosofia (585 aulas) são públicas e de qualidade de revisão variável, e as datas de cabeçalho das aulas têm defeitos conhecidos. Este projeto cita as aulas apenas por número de aula e data; o índice de recepção em data/cof-reception.json registra quais aulas tratam de qual filósofo.[37][38]
O curso de 2009 não é onde o ensino começou
Costuma-se tomar o Curso Online de Filosofia pelo começo de seu ensino, e os dois nomes são muitas vezes usados como se designassem uma coisa só. O registro os separa. Por sua própria conta, ele dava cursos no Brasil havia mais de vinte anos antes de 2008; o Seminário de Filosofia reunia-se presencialmente em 2002, na mesma sala do curso gravado de história da filosofia e no dia seguinte; depois da emigração de 2005 alcançava São Paulo por videoconferência a partir dos Estados Unidos, e em abril de 2007 anunciou uma sessão para o dia 18 daquele mês. O seminariodefilosofia.org abriu em agosto de 2008 para publicar o acervo antigo, e a primeira aula do COF veio em 14 de março de 2009, após um atraso de cinco meses. Em agosto de 2009 ele ainda lista o Seminário e o COF como exigências distintas de sua semana. Portanto 2009 é quando o ensino foi industrializado, não quando começou — e a data de fundação do próprio Seminário continua não verificada.[76][77][36]
'Seminário de Filosofia' nomeia três coisas diferentes
Ele usou um mesmo nome para o corpo presencial que diz ter fundado em 1987 e ensinado no Rio, em São Paulo, em Curitiba e em outros lugares; para o site por assinatura seminariodefilosofia.org, lançado em 4 de agosto de 2008 como arquivo pago da sua obra anterior; e, a partir de 14 de março de 2009, para o Curso Online de Filosofia dado dentro desse site. Ele mesmo traçou o limite quando o curso era novo — seria realizado dentro da página do Seminário, mas não era a página do Seminário, uma coisa e outra coisa — e por um tempo os dois tiveram assinaturas separadas e, a partir de março de 2010, preços separados. Em maio de 2011 a distinção havia desmoronado no seu próprio uso: a transmissão semanal do Seminário de Filosofia é simplesmente o curso. A consequência para quem o lê é concreta. Ele dá duas histórias de origem incompatíveis sob o mesmo nome — numa aula, perder o emprego em O Globo é o que o liberou para começá-lo; em outras, é estar fora e não poder viajar ao Brasil — e a primeira só pode ser o corpo dos anos 1980, enquanto a segunda só pode ser o curso online. Este site indica por isso qual dos três se quer dizer sempre que importa, e trata uma referência ao 'Seminário' sem data como ambígua, em vez de resolvê-la.[76][37]
Referências
99 fontes · 97 com cópia no Internet Archive. As fontes abrangem o
espectro de perspectivas de forma deliberada; afirmações controversas são atribuídas aos seus autores.
Inter-American Institute for Philosophy, Government, and Social Thought — IRS nonprofit record (EIN 27-1394713) · 🗄 arquivado 2026-08-03ProPublica Nonprofit Explorer · base de dadosRegistros do IRS — e eles não trazem nenhuma data de 2009. A data da decisão é abril de 2017 e a organização não tem declarações Form 990, por apresentar o 990-N estando abaixo do limite. O prefixo do EIN é compatível com uma atribuição da época de 2009, mas abril de 2017 é a única data que o registro enuncia, seja como determinação tardia ou como reinstauração. Não pode sustentar o ano de fundação.
Mariana Sanches, 'Olavo de Carvalho é enterrado nos EUA em funeral com Allan dos Santos e Ernesto Araújo' · 🗄 arquivado 2022-07-02BBC News Brasil, republished by Correio Braziliense · imprensaA reportagem é da BBC, por uma correspondente enviada a Petersburg; isto é uma reprodução literal. É citada como reprodução e não como segunda fonte. A URL aqui registrada esteve truncada até 04-08-2026 — o slug perdeu a sua cláusula final — e a forma curta dá 404, razão pela qual tanto um relatório de links quanto uma rodada de arquivamento leram como morto um artigo vivo. A URL completa resolve.
Caetano Veloso notifica herdeiras de Olavo de Carvalho · 🗄 arquivado 2026-08-03Bahia Notícias · imprensaSem assinatura e sem crédito, e a jusante do item do blog de O Globo que revelou a história. Não é uma segunda fonte independente; a reportagem do NSC Total, que entrevista diretamente a advogada de Caetano Veloso, é.
Olavo de Carvalho — Currículo (his own CV, PDF) · 🗄 arquivado 2025-11-19olavodecarvalho.org legacy uploads · oficialDocumento do próprio autor, ainda servido a partir dos arquivos antigos do site dele embora a raiz do domínio esteja hoje tomada por terceiros — primário, e estratificado. Suas seções foram revistas em momentos diferentes e nunca foram harmonizadas: a seção de carreira ainda o descreve como colunista em atividade de jornais que ele havia deixado anos antes, de modo que uma frase no presente data de quando aquele parágrafo foi mexido pela última vez, não da data do arquivo. A numeração salta, ele omite o primeiro livro do autor e omite um livro premiado que a sua própria seção de prêmios menciona. Cite-o pelo que ele disse de si mesmo; nunca pode resolver uma questão sobre si mesmo.
Traditionalism in Brazil: Sufism, T'ai Chi, and Olavo de Carvalho · 🗄 arquivado 2026-02-23Aries — Journal for the Study of Western Esotericism 21 (2021), 159–184, Brill; DOI 10.1163/15700593-20201001 · acadêmicotexto integral servido gratuitamente em brill.com conforme verificação de 2026-08-03 — nenhuma licença Creative Commons é declarada, portanto é de leitura livre, não formalmente de acesso aberto
Decretul nr. 581/2000 privind conferirea Ordinului naţional Pentru Merit · 🗄 arquivado 2026-08-31Lege5 (Indaco), reproducing Monitorul Oficial al României, Partea I, nr. 648, 12.12.2000 · oficialBase de dados jurídica romena que reproduz o decreto tal como publicado no diário oficial — texto primário de referência, nomeando todos os agraciados e seus graus. O repositório da própria Câmara dos Deputados traz o mesmo decreto, mas bloqueia o acesso automatizado.
Olavo de Carvalho e Militares, de parceiros ideológicos a rivais · 🗄 arquivado 2019-04-26Maria Cristina Fernandes, Valor Econômico (25 April 2019), republished by Jornal GGN · imprensaColuna de jornal econômico republicada por um agregador de esquerda — perspectiva crítica; a fonte sobre o ministro que concedeu a Medalha do Pacificador e sobre a carta que houve por trás.
EXCLUSIVE: Saddam's Secret Tapes · 🗄 arquivado 2026-09-07Brian Ross and Rhonda Schwartz, ABC News · imprensaRede de notícias americana, 14 de fevereiro de 2006 — citada aqui apenas porque data e localiza o Intelligence Summit 2006 ('this weekend in Arlington, Va.'); não diz nada sobre Carvalho.
Olavo L. P. de Carvalho — Résumé (English, undated) · 🗄 arquivado 2026-09-14docslib.org (document-sharing site) · oficialUm segundo currículo escrito por ele mesmo, em inglês e em primeira pessoa ('I have delivered lectures and conducted courses…'), preparado para um público leitor americano e circulando num site de compartilhamento de documentos sem autor, data ou procedência declarados; seu conteúdo para por volta de 2006. É tratado como mais uma camada dos papéis dele — discorda do currículo em português sobre onde e quando aconteceram algumas palestras — e nunca como corroboração dele.
Mídia Sem Máscara (midiasemmascara.net) · 🗄 arquivado 2026-01-11Mídia Sem Máscara · oficialO domínio sucessor do próprio site, verificado no ar em 04-08-2026. Apresenta-se como contínuo com o original de 2002; essa continuidade é afirmação dele, e fica registrada como tal.
'Ordem Cronológica das Obras e trabalhos' · 🗄 arquivado 2025-08-18olavodecarvalhofb (unofficial) · webUma lista cronológica mantida por leitores, maio de 2021. Secundária e não oficial, útil sobretudo onde coincide com o CV dele ou fornece uma editora que o CV omite — e útil num ponto justamente por causa da sua data: marca O Leão e os Ossos como ainda a sair, o que delimita a publicação desse livro.
True Outspeak #146 — his own account of the Saudi prize · 🗄 arquivado 2026-08-10True Outspeak (BlogTalkRadio) · vídeoDatada de 2 de dezembro de 2009 apenas pelo parêntese do título, de modo que a data não está verificada. Com legendas automáticas: legível no substancial, pouco confiável na literalidade, e nada daqui é citado como as palavras exatas dele enquanto não se verificar com o áudio.
True Outspeak #43 — two years in the United States, and the first visit in 1986 · 🗄 arquivado 2026-08-10True Outspeak (BlogTalkRadio) · vídeo8 de outubro de 2007, datado pelo parêntese do título. Com legendas automáticas mas separado por falantes — a passagem é a sua resposta à pergunta de um ouvinte identificado, de modo que a atribuição é legível na transcrição, ao contrário das séries sem etiquetas da coleção (archive#62). Nada é citado como as palavras exatas dele enquanto não se verificar com o áudio.